Ponto Vermelho
SC Braga - Benfica
27 de Fevereiro de 2013
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Taça da Liga - 1/2 Finais
Estádio AXA, 27 de Fevereiro de 2013 - 19:45

Benfica (Titulares): Artur Moraes, André Almeida, Jardel, Luisão, Melgarejo, Roderick, Carlos Martins (Ola John 82m), Gaitán, Urreta (Enzo Pérez 62m), Rodrigo e Cardozo (Aimar 46m).

Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Maxi Pereira, Garay, Enzo Peréz, Ola John, Aimar e Kardec

Árbitro (Principal): Marco Ferreira - AF Madeira
Árbitros (Auxiliares): Cristóvão Moniz e Sérgio Serrão

Cartões amarelos: 5: Roderick (15’), Luisão (22’), Gaitán (71’), Carlos Martins (80’), Aimar (82’)
Cartões vermelhos: 0

Resultado final: 0-0. Resultado das grandes penalidades: 0-1 Rodrigo; Alan falha (defesa de Artur); Luisão falha (defesa de Quim); 1-1 Custódio; 1-2 Enzo Pérez; 2-2 João Pedro; Roderick falha (atirou ao lado); 2-3 Rúben Amorim; Gaitán falha (defesa de Quim). Apurado para a final: SC Braga

Benfica de regresso ao AXA para jogo decisivo na Taça da Liga. Apesar da ambição em chegar à final, muitas poupanças operadas por Jorge Jesus, com jogadores habitualmente titulares como Matic, Salvio e também Lima fora dos convocados, a par de André Gomes, a recuperar de lesão e que desde logo suscitava alguma curiosidade em ver como seria preenchida a posição 6. Com uma constituição inicial que poderia suscitar diferentes interpretações, confirmava-se André Almeida de regresso à lateral direita e Jardel a substituir Garay, com Roderick à frente da defesa como principal destaque, acompanhado no miolo por Carlos Martins. Nas alas, também o regresso de Urreta, na direita, e Nicolas Gaitán, na esquerda, enquanto que na frente Rodrigo fazia dupla com Cardozo.

Do lado bracarense, que se predispusera no início da época a lutar por títulos, esta era a última oportunidade de o fazer. Afastados precocemente das competições europeias por via do 4.º lugar na fase de grupos da Champions, da Taça da Portugal, e do topo da classificação da Liga face à vantagem de 18 pontos para Benfica e FC Porto, apenas a conquista da Taça da Liga e o 3.º lugar na Liga poderiam afastar a ideia de uma época cinzenta. Destaques na convocatória, José Peseiro voltava a chamar Emídio Rafael e Rabiola, enquanto que por outro lado não podia contar com os lesionados Haas, Nuno André Coelho, Rúben Micael e Djamal, para além do castigado Elderson.

Com muito frio, o Benfica começaria bem, pressionante, mas de imediato o SC Braga reequilibraria as operações. Aos 3’, Alan na direita via Melgarejo ceder canto e do mesmo, resultava mais um, cedido por André Almeida. Marcado o segundo canto da partida, a primeira oportunidade de golo... mas do Benfica; decorrido que era o minuto 5, contra-ataque soberbo dos encarnados, com uma cavalgada até à baliza de Quim com Cardozo e Gaitán como protagonistas, mas Rodrigo era quem atirava à trave.

Carlos Martins cometia falta sobre Alan aos 7’, originando um livre perigoso que Hugo Viana batia contra a barreira, e aos 9’ numa jogada de envolvimento do Benfica na esquerda, canto para os encarnados, que finalizavam 10 minutos de bom nível e equilibrados.

Doravante assistiríamos contudo a mais SC Braga. Logo aos 10’ Alan beneficiava de espaço na direita e o cruzamento acabava por sair demasiado largo, e aos 11’ o mesmo Alan fugia a Melgarejo e atirava de pé esquerdo para defesa fácil de Artur. Aos 13’, Custódio assistia Baiano para remate de muito longe mas forte e traiçoeiro, a obrigar Artur a defesa apertada e a novo canto.

Uma falta de Roderick sobre Salino aos 15’, quando este já fugia pela direita, valia o primeiro amarelo da partida e originava mais um livre perigosissímo, e na sequência do mesmo Hugo Viana batia originando muita confusão na área encarnada, com Artur a não conseguir sacudir a bola pressionado que estava por Éder, e a resultar em novo canto. Seguia-se remate de Mossoró aos 16’, de longe para defesa fácil de Artur, e aos 17’ um fora de jogo mal tirado a Urreta na direita, que o deixava na cara de Quim, naquele que era o primeiro erro de palmatória da equipa de arbitragem.

Aos 19’ Gaitán ainda isolava Cardozo que atirava para o fundo das redes da baliza de Quim mas já havia fora-de-jogo, e assim chegavam os primeiros 20 minutos, com mais SC Braga e com um fosso enorme entre Rodrigo e Cardozo e os médios encarnados, a obrigar a passes de risco e um jogo mais directo, num e noutro caso, facilmente resolvido pelos bracarenses. Numa bola nas costas da defesa encarnada aos 22’, Marco Ferreira mostrava amarelo - discutível - a Luisão que parecia ganhar a frente do lance a Éder, e do livre, perigoso, a primeira oportunidade de golo do SC Braga; Custódio atira para defesa incompleta de Artur, e aparece Mossoró que por duas vezes não consegue vencer a oposição do guarda-redes benfiquista.

Mais uma falta de Roderick aos 25’ levava Artur ao desespero, ciente do avolumar de lances de bola parada nas imediações da sua área, e na sequência do mesmo mais um canto. Aos 26’ também Melgarejo tinha um passe mal medido e na tentativa da emenda Jardel acaba por colocar Artur em apuros. Valia o esforço do guarda-redes encarnado benfiquista que se esticava e cedia novo canto, quando Mossoró parecia ter tudo para fazer golo.

Era o SC Braga a equipa que controlava as operações, e depois de mais de um minuto a circular a bola, chegavam os primeiros 30 minutos de jogo, com o resultado de certo modo já lisonjeiro para o Benfica que ia tendo dificuldades no miolo e ia previlegiando as alas, por vezes usando e abusando de passes longos. Aos 33’ Cardozo a passe de Roderick rematava e a bola saía prensada para as mãos de Quim, e na resposta bracarense, num contra-ataque a explorar as costas de Melgarejo, o cruzamento da direita chegava mais uma vez às mãos de Artur.

Seguia-se mais uma jogada perigosa do SC Braga com o cruzamento a não chegar a Éder, e o Benfica já nesta altura parecia perdido em campo. Fruto de muita passividade, não era de estranhar pois que aos 35’ também Rúben Amorim aproveitasse para atirar de pé esquerdo ao lado do poste direito da baliza de Artur, depois de muitas facilidades concedidas à frente da grande área encarnada. Tentava responder o Benfica, invariavelmente lento, sem ideias e sem engenho, depois de uma jogada rendilhada, Melgarejo cruzava fácil para Quim.

Aos 39’ Baiano via o amarelo, primeiro do lado dos arsenalistas, e aos 40’ num contra-ataque liderado por Mossoró pela esquerda, de novo muito perigo; Éder no entanto, com a oposição de Jardel, fazia a bola chegar às mãos de Artur. Continuava a haver mais SC Braga e o Benfica ia tendo muitas dificuldades, entre os 42’ e os 44’ mais dois cantos que a defensiva encarnada resolvia sem no entanto conseguir sair. Na sequência do 7.º canto a favorecer os bracarenses, valia mais uma vez Jardel a evitar males maiores, junto da linha da pequena área.

Ainda antes do intervalo, aos 44’ Urreta cometia falta sobre Baiano da qual resultava cruzamento de Hugo Viana para cabeceamento de Custódio pela linha final, e era com mais uma boa oportunidade para o SC Braga que o intervalo chegava. Com o nulo e dada a fraca exibição do Benfica nos primeiros 45 minutos, esperavam-se pois mexidas para a segunda metade, algo que Jorge Jesus faria lançando Aimar para o lugar de Cardozo, juntando assim mais um jogador ao miolo, e abdicando de um avançado.

E ressurgia bem melhor o Benfica no reatamento. Logo aos 48’, boa oportunidade para a equipa benfiquista; Urreta cruza da direita e Rodrigo livre de marcação e de excelente posição, cabeceia para defesa pouco ortodoxa de Quim, o possível dado que o cabeceamento foi praticamente à queima-roupa. Aos 48’ também Carlos Martins tentava a sua meia distância, mas levava a bola a sair muito por cima, e a resposta do SC Braga não tardava; aos 49’ Mossoró trabalha sobre André Almeida na direita, e o cruzamento apertado acaba por ser socado por Artur levando a bola a embater em Éder e a sair a centímetros do poste direito. O primeiro calafrio da segunda parte.

Aos 51’ Roderick chegava mais uma vez tarde a uma bola e cometia falta sobre Éder ficando perto do segundo amarelo, e do livre perigoso Hugo Viana atirava forte e colocado mas Artur posicionava-se e defendia o remate do internacional português. Aos 54’ Alan via o amarelo por simulação, num lance dividido com o Jardel em que poderia ter ganho pelo menos um canto, e entrava-se numa fase algo confusa com mais SC Braga novamente.

Ainda assim, aos 56’ era na grande área arsenalista que se reclamava grande penalidade sobre Rodrigo, num lance em que o hispano-brasileiro parece escorregar e dividir o contacto com Paulo Vinicíus. Depois disso, aos 57’ e do lado oposto, quase golo do SC Braga; novamente Mossoró a escapar-se nas costas de André Almeida, e o cruzamento chegado à baliza a não encontrar Éder por pouco.

Aos 59’ Jardel cedia canto sobre Alan e depois dele também Melgarejo, e por esta altura faltava mais esclarecimento ao último terço ao Benfica, onde Aimar e Gaitán eram alguns dos que iam adornando em demasia os lances. Mexia novamente JJ aos 62’, fazendo sair Urreta para dar o lugar a Enzo Peréz, e logo de seguida mais uma bela jogada entre Gaitán e Aimar, que apesar de bem concebida pecava no último passe e acabava por não dar em nada.

Marco Ferreira não vislumbrava uma falta de Amorim sobre Aimar aos 66’, e aos 69’ também Peseiro mexia, fazendo entrar João Pedro para o lugar de Mossoró, e dando assim mais velocidade ao ataque. Com Amorim a descair para a direita, aos 70’ era o jogador emprestado pelo Benfica quem rematava enrolado e depois João Pedro era apanhado em fora-de-jogo, e com este lance chegávamos ao minuto 71, com tudo em aberto.

Também Gaitán via o amarelo por simulação num lance com Salino aos 71’, e nesta fase o Benfica parecia bem mais equilibrado e capaz de discutir a passagem à final. Ainda assim, aos 75’ e depois de um mau passe do meio-campo encarnado, era João Pedro quem ganhava espaço mas rematava prensado depois de oposição de Luisão. Do canto respectivo, Artur lançava o contra-ataque encarnado liderado por Aimar, mas Gaitán acabaria por decidir e o lance gorava-se.

Aos 76’ o Benfica ficava perto de inaugurar o marcador; Carlos Martins lança Gaitán, contudo o argentino acaba estatelado depois de Salino fazer um corte em tesoura por trás que, apesar de também tocar na bola, parece acontecer depois do contacto com Gaitán. Marco Ferreira decidir-se-ia pelo pontapé de canto em vez da grande penalidade, no mínimo discutível. Na resposta aos 78’, Amorim descobria Alan que de boa posição obrigava Artur a defesa com o joelho, e logo de seguida de novo Salino e Amorim a trabalharem e o primeiro a rematar perante a oposição de Melgarejo e a levar a bola a sair prensada para mais uma defesa de Artur.

Carlos Martins via amarelo aos 80’ por derrube a Hugo Viana, e aos 81’ era Rúben Amorim quem rematava mais uma vez à figura de Artur. Aos 82’ Salino, embalado, era derrubado por Aimar que também via o amarelo, e logo de seguida surgia a última substituição na equipa de Jorge Jesus, com Ola John a render Carlos Martins decorrido que era o minuto 82, com Luisão a revelar alguma impaciência com a demora.

Até porque começavam a pairar as grandes penalidades... aos 83’ e num contra-ataque do Benfica de 4 contra 4, Rodrigo lançava Gaitán que por sua vez solicitava Aimar mas este perdia espaço e Quim acabava por ceder canto, e de novo canto aos 84’ era Melgarejo que na insistência atirava forte mas ao lado da baliza de Quim. Aos 85’ Éder entrava de pé em riste sobre Luisão, ainda assim era o bracarense quem ficava maltratado e tinha mesmo de sair de maca, cedendo o lugar a Zé Luis.

Tempo para o indefectível speaker reaparacer aos 86’, gritando pelo SC Braga, e aos 87’ Salino a cruzar, Jardel a aliviar, e Hugo Viana a não se fazer rogado, atirando forte e perto do poste direito da baliza de Artur Moraes. Com mais SC Braga, aos 88’ era Rúben Amorim que se escapava nas costas da defesa encarnada mas tentava adornar o lance e Artur agradecia, e com os minutos a passar e sem que o Benfica parecesse ter grande pressa, as grandes penalidades eram cada vez mais uma certeza.

Com 3 minutos de compensação e ambas as equipas a apostar num jogo mais directo, a recta final da partida seria disputada junto à área de Quim, sem grandes motivos de registo.

Na lotaria das grandes penalidades, para além das crónicas parvoíces de Quim, Rodrigo marcaria o primeiro do lado do Benfica (0-1); Artur defendia o remate de Alan (0-1); Luisão permitia a Quim a defesa, fora da linha de baliza (0-1); Custódio empatava (1-1); Enzo Peréz marcava (1-2); João Pedro idem (2-2); Roderick atirava ao lado (2-2); Rúben Amorim colocava o SC Braga na frente (3-2); e Gaitán desperdiçava e permitia ao SC Braga chegar à final. Seguia-se a festa bracarense...

Na flash interview Luisão dizia que a equipa marca em quase todos os jogos mas que o SC Braga se havia fechado, no entanto o capitão encarnado acabou por defender que a equipa lutou. Quanto ao desfecho, lamentou a saída de uma prova na qual o Benfica é o actual detentor, e não enjeitaria lançar algumas farpas ao adversário, cujo barulho ia sendo evidente nos corredores de acesso aos balneários; «pelo que o SC Braga tem feito esta temporada tem de comemorar mesmo»...

Quanto a Jorge Jesus, começou logo por não gostar do termo «onze titular», que disse não saber qual é, e depois de ultrapassada a questão, admitiu que a prioridade é o campeonato e como tal Matic, Lima e Salvio ficaram de fora. Quanto ao jogo, disse ter sido bem disputado e emotivo, e que no fim as grandes penalidades sorriram ao SC Braga, a quem aproveitou para endereçar os parabéns. Para acabar, disse que houve momentos de jogo em que «não conseguimos ser tão pressionantes» e mais adiantou, dizendo que nenhuma equipa chega ao AXA e domina o SC Braga de princípio a fim.

Comentário Final: A nova deslocação do Benfica a Braga estava recheada de dificuldades devido a vários factores: cadência de jogos em pouco tempo com aumento do desgaste físico e sobretudo psicológico, por a equipa bracarense ter bons valores e ser um adversário difícil em casa e, principalmente, porque este jogo era a sua derradeira oportunidade de aspirar a vencer qualquer prova esta época.

A equipa encarnada algo alterada (com substituições em todos os sectores o que naturalmente diminiu a sua fluidez de jogo) entrou bem no jogo e podia ter marcado logo no início com uma remate de Rodrigo à trave da baliza de Quim com este já batido, mas a pouco e pouco o Braga foi subindo no terreno e causando alguns embaraços aos encarnados ainda que sem causar perigo de maior, excepto naquela que foi a sua melhor oportunidade por Mossoró com dupla defesa de Artur. O jogo decorria com ligeiro ascendente dos bracarenses mais rápidos e mais pressionantes sobre a bola, e o Benfica tentava chegar à baliza de Quim ainda que também sem grande perigo. O resultado ao intervalo era o mais consentâneo com as oportunidades criadas por ambas as equipas.

No recomeço o Benfica voltou a entrar bem mas rapidamente o Braga voltou à toada anterior até cerca dos 60m. A partir daí pareceu sentir-se uma quebra nos bracarenses e o Benfica passou a ter uma disposição mais atacante e teve uma boa oportunidade novamente por Rodrigo que de cabeça voltou a pôr Quim em dificuldades.

Período final com as duas equipas a parecerem jogar para os penalties o que realmente veio a acontecer e nessa lotaria ganhou o Braga. Um apuramento que se aceita.

Exibição intermitente dos encarnados com destaque para Artur que de novo esteve em muito bom plano e não merecia este desfecho.

Arbitragem com vários erros (as frequentes simulações de Alan já são por demais conhecidas e arrancaram vários livres à entrada da área e o amarelo a Gaitán é ridículo), ainda um fora de jogo mal tirado a Urreta na 1.ª parte - porventura o erro mais grave - se considerarmos que o tackle de Salino a Gaitán é legal.
















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