Ponto Vermelho
Ponderações...
28 de Fevereiro de 2013
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Ontem à noite em Braga consumou-se a eliminação do Benfica da primeira das quatro provas que estava a disputar. Apesar do seu passado na Taça da Liga e de ter vencido a mesma nas últimas quatro edições, do ponto de vista de importância este troféu seria sem dúvida o menos importante na hierarquia das prioridades encarnadas conforme aliás se depreendeu do discurso do treinador benfiquista. Mas, numa fase da época em que todos os detalhes são importantes nomeadamente os psicológicos, urge reflectir e ponderar porque os adversários que estão sempre à espera de qualquer deslize, tentarão certamente capitalizar este percalço.

Na antevisão tínhamos considerado que se esperava um jogo difícil pelas razões expostas e em particular por ser a última oportunidade que os bracarenses tinham de arrecadar um título esta época. Era, aliás, o vaticínio de todos os quadrantes, tendo aliás em conta o anterior encontro para o campeonato. Confirmou-se em absoluto. Mas, para além da lógica que prevaleceu, há alguns aspectos de gostaríamos de comentar numa perspectiva construtiva, mesmo considerando a nossa condição de treinadores de bancada desligados do dia a dia do grupo de trabalho e dos seus múltiplos aspectos que escapam, como é óbvio, às observações a quem está de fora. Nesse contexto, podem pecar por omissão, por pecado, ou ainda por defeito. Mas fica a intenção.

Já o afirmámos - o Benfica tem reconhecidamente um bom plantel. Isso não significa porém que seja totalmente equilibrado em todos os lugares e nesse particular nem sequer estamos a falar de situações excepcionais como as recentemente ocorridas que são impossíveis de prever. O plantel terá sido construído para fazer uma abordagem correcta ao conjunto de todas as provas em que a equipa estava inserida, ainda que com diferentes graus de importância e de hierarquização de objectivos, como não poderia deixar de ser num clube com as aspirações do Benfica.

Aí, a estrutura directiva dentro das vicissitudes por que passa Portugal e os portugueses e à qual os encarnados não podem fugir, tentou, dentro do possível, colocar à disposição da equipa técnica jogadores para atacar os objectivos da época. O ideal sempre perseguido não terá sido alcançado como é bom de ver, mas ficou pelo menos a convicção de que terá sido o possível. Sabe-se, no entanto, que os adeptos e simpatizantes esperam sempre que o clube seja vencedor de todas as provas em que participa, mesmo daquelas que ocupam os últimos lugares na hierarquia de objectivos. O que nem sempre é possível, muitas vezes devido a culpas alheias mas outras também por erros próprios que importa não olvidar para não os repetir.

Voltando a ontem, ainda que fosse a prova definida como o último objectivo a alcançar, dava passaporte para uma final que só será disputada em Abril. Logo, por ser jogada ante um adversário que tem vindo a dar mais luta nas últimas temporadas e que ainda no recente encontro o tinha confirmado, seria expectável que o Benfica lutasse pela vitória e pelo apuramento. É um facto que o fez, mas é inegável que as poupanças operadas pelo treinador em todos os sectores e em especial na zona intermediária descalibraram a equipa dado terem sido utilizados jogadores com uma clara falta de rotina numa zona nevrálgica do terreno.

Sem que pretendamos invadir competências exclusivas do treinador, afigura-se-nos que as invenções que surpreenderam o treinador homólogo no último jogo terão entusiasmado Jorge Jesus que pretendeu repetir a dose. E o facto do SC Braga se apresentar com a ambição legítima de querer chegar à final e ter jogado com a sua melhor equipa de momento, só veio por a nu algumas fragilidades e a estratégia que, tal como tinha tido sucesso então, registou agora um semi-fracasso. E mesmo que se porventura os encarnados tivessem sido apurados, nada mudaria nesta nossa ideia.

Será justo referir que é consensual a observação de que Jorge Jesus tem procedido nesta época a uma mais equilibrada rotação do plantel bem reflectida nos desempenhos dos jogadores e da equipa, questão que deve ser enfatizada face ao terrível calendário e à sucessão de jogos que os encarnados têm vindo a realizar com acentuados graus de dificuldade. E até ontem, com maior ou menor dificuldade, os obstáculos tinham vindo a ser ultrapassados, se exceptuarmos o não apuramento na Liga dos Campeões e nem sempre, é verdade, com exibições condizentes.

Ontem ter-se-á aberto um novo ciclo que vem dar alento aos adversários e afectar os adeptos mais vulneráveis que sucumbem com facilidade a qualquer desaire povoando o seu espírito com fantasmas do passado recente. É certo que a equipa não foi batida durante o período regulamentar mas também não concretizou, o que constituiu um caso raro na sucessão de jogos sempre a marcar. O que entendemos como mais relevante foi a incapacidade dos jogadores de responderam à velocidade, à pressão e à acutilância dos adversários. E o Benfica deve apresentar-se em qualquer campo para impor o seu futebol ainda que não necessariamente durante os 90 minutos, e não estar sujeito precisamente ao contrário. Este aspecto, em nosso entender, deve ser revisto, sob pena de virmos a sofrer dissabores no futuro. Com invenções ou não.

Não podemos deixar passar em claro mais um acontecimento que tem sido, infelizmente, motivo da nossa atenção quase todos os dias. Mais uma situação de violência gratuita de energúmenos que cobardemente e pela calada da noite tiveram nova acção de violência num tipo de local (viaduto) onde já acontecerem casos semelhantes contra o autocarro encarnado, contra o presidente do clube, contra adeptos encarnados e até contra pessoas que o único mal que fizeram foi passar na hora e no local errados. Ontem, mais uma vez, poderia ter surgido uma situação bem mais grave. Tendo já acontecido vezes sem conta este tipo de acções, pasma-se como a polícia continua a permitir que tal aconteça. Que justificações terão desta vez o Ministro Macedo e presidente do Sindicato Nacional da Polícia? Ou será que as forças de segurança começam a ser monopolizadas pelos governantes que têm cada vez mais dificuldades em sair à rua?


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