Ponto Vermelho
Apelo ao bom senso
1 de Março de 2013
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Com o outrora campeão da luta contra a insegurança que então reinava no País Paulo Portas estranhamente remetido a um silêncio prudente e estratégico, as despesas neste campo estão dispersas porquanto existem sérias dificuldades políticas para enfrentar um problema que cresce como uma bola de neve. E, manifestamente, o Ministro da Tutela tem demonstrado inabilidade na gestão de um dossier que ameaça tornar-se num quebra-cabeças para o executivo de que faz parte. Basta ver o que acontece sempre que qualquer representante governamental sai do seu gabinete...

Em qualquer democracia apoiada num Estado de Direito tal prática seria inadmissível, o que prova que os nossos governantes estão a ser cada vez menos populares cá pelo burgo... Não querendo alargar-nos sobre as razões (que todos sabemos quais são) que estão a conduzir a população a exprimir a sua indignação em toda e qualquer ocasião, diríamos que será preciso encontrar uma saída com urgência, por força do estado de crispação que atinge com grande incidência o tecido social português. Devido à conjuntura, à incompetência, à inexperiência, à ausência de respostas condizentes, por vermos a Constituição suspensa e, por observarmos quase todos os dias o País a ser vendido à peça e ao desbarato a interesses estrangeiros.

Neste desencontro de interesses, tudo o que possa contribuir para melhorar o estado actual de insegurança que grassa no desporto e que é uma mera extensão do que vemos acontecer na sociedade, é bem vindo. E nesse particular, é sem dúvida positivo que o titular do MAI tenha anunciado que a lei do policiamento irá ser revista tornando de novo obrigatório o policiamento em recintos desportivos. Congratulamo-nos com isso, dado que a entrada em vigor do D.L. 216/2012 de 9 de Outubro sem consagrar essa obrigatoriedade foi de uma enorme insensatez, porquanto já muito antes a conjuntura tinha dado abundantes sinais de que a violência poderia estalar a qualquer momento de uma forma mais abrangente pondo em perigo a vida de cidadãos inocentes. E, já agora, rever também outros aspectos muito importantes como sejam os relacionados com as camadas mais jovens.

Percebemos que depois do Governo ter triplicado o IVA de 6 para 23% na bilhética e não só, importava avançar com uma medida pretensamente simpática de compensação para obviar os custos dos clubes. Uma ideia lírica e irresponsável, com a agravante de ter chancela federativa. Qualquer pessoa ligada directa ou indirectamente ao fenómeno desportivo sabia de antemão que o resultado só podia ser este, com uma sucessão de episódios que ilustram bem o estado comportamental da sociedade portuguesa. Vários quadrantes já o tinham previsto em antecipação. Não se tratava de pessimismo mas sim de uma realidade incontornável.

Mas não se pense que os problemas desaparecem apenas porque o policiamento se vai tornar obrigatório. Como em muitas outras situações, essa é uma questão que dá pano para mangas. Porque, nos dá a sensação que a erradicação do problema tem vindo a ser sucessivamente protelada, sendo que o que interessa é basicamente encontrar culpados que, como tem sido prática, se concentram as culpas numa determinada árvore para permitir que a floresta continue imaculada. É mais do que tempo de se encarar o problema de frente e avançar com soluções de conjunto e transversais, de forma a que sintamos que há vontade política de resolver uma situação que se está a tornar deveras preocupante para todos os que apreciam o fenómeno desportivo.

Do nosso modesto ponto de vista, seria aconselhável que todas as partes interessadas se reunissem e debatessem todas as incidências e implicações (com um prazo curto para habilitar o executivo a tomar decisões), de forma abrangente para que fosse possível encontrar um consenso alargado para a aplicação das medidas. Porque os clubes por eles próprios, por mais policiamento que requeiram (e aqui é preciso considerar os custos que cada vez mais os estão a fustigar) não têm capacidade para evitar tumultos que são invariavelmente fomentados por minorias radicais que acabam por envolver outras pessoas que são arrastadas para situações que manifestamente não procuram.

Como várias vezes referido, é imprescindível que a minoria que fomenta a desordem e que até poderá funcionar com infiltrados, seja banida dos espectáculos desportivos de uma forma definitiva como aliás já sucedeu noutros países também afectados pelo mesmo fenómeno. Para o caso de não estarem identificados (e as informações disponíveis apontam para o contrário), hoje em dia nos principais estádios está instalada moderna tecnologia que permite à distância de um clique identificar os causadores. Por outro lado, os regulamentos federativos e liguistas estão obsoletos e precisam de ser ajustados à realidade, uma vez que os castigos que semanalmente se traduzem em pesadas multas aos clubes não resolvem nenhum problema, penalizam sistematicamente os clubes e enchem os cofres da Liga, sendo que nos próximos jogos tudo volta a ser como tinha sido até aí.

Porque os que praticam tais desmandos passeiam-se livremente pelos campos de futebol (e pelos vistos também pelos viadutos...) sem qualquer controlo e aí os clubes não têm forma de o evitar. Isso é claramente da responsabilidade das autoridades que deveriam agir em tais circunstâncias e por razões que a razão desconhece não o fazem. E a sucessão de graves incidentes está aí para prová-lo, valendo o acaso não ter acontecido algo de muito grave. Porque, por exemplo no caso do autocarro do Benfica, suponhamos que o bloco de cimento em vez de ter atingido um lugar ocasionalmente vazio, tinha acertado no vidro do motorista e provocado um despiste com consequências imprevisíveis? Quem seria responsável agora? O desleixo? A inércia? O bloco de cimento? Desconhecidos nunca identificados e punidos? É bom que os responsáveis ataquem urgentemente este problema. Antes que seja tarde...




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