Ponto Vermelho
Fonte de progresso
2 de Março de 2013
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O passado dia 28 de Fevereiro não significou apenas mais um dia na vida dos portugueses. Correspondeu antes do mais ao 109º aniversário do glorioso Sport Lisboa e Benfica, o que é e será sempre, um marco e uma referência de extrema importância no panorama desportivo português, europeu e mundial. Por tudo o que foi feito e alcançado na história centenária do maior e melhor clube português, e pela homenagem devida aos milhares de homens e mulheres que através do seu esforço e abnegação souberem honrar os pergaminhos do clube, e às centenas de dirigentes que melhor ou pior através do seu esforço e visão mantiveram o clube sempre no topo, à excepção de pequenos hiatos protagonizados por pessoas que degeneraram nos objectivos que deveriam perseguir e respeitar.

Por força da crise sem fim que continua a assolar os portugueses e com o presidente ausente por um bom motivo (condecoração do ‘Monstro Sagrado’), este ano as comemorações foram bastante discretas. Há algum tempo atrás tinham-se criado expectativas sobre a possibilidade de uma das obras mais emblemáticas do clube – o Museu Cosme Damião – ser inaugurado oficialmente na data do aniversário. Tal acabou por não ser possível, esperando-se agora que o seja numa data a condizer com a pompa e corcunstância que o acto merece e justifica porque, afinal trata-se de uma obra que reflecte tudo o que Benfica tem sido ao longo de mais de um século e que, por razões diversas, tem vindo a ser sucessivamente adiada por várias Direcções.

Na impossibilidade de comemorarmos a inauguração do Museu, nem por isso o dia foi despido de interesse e de novidades. Pelo contrário, foi anunciado um facto de extrema importância futura para a vida do clube e que está directamente relacionado com a Benfica TV que a partir da próxima época passa a ter a possibilidade de poder transmitir a sempre atraente e palpitante Premier League, que se juntará ao Brasileirão, ao campeonato grego, à Liga Americana, aos jogos da equipa B e também às modalidades. Sendo que igualmente os 15 jogos na Luz da equipa principal passarão a ser transmitidos, passaremos a estar em presença de uma autêntica revolução no mercado do audiovisual em Portugal, cujas consequências estão ainda por apurar com exactidão.

É inquestionável que existia um profundo mau estar em todos os benfiquistas por se sentirem defraudados e amarrados a um contrato leonino que em nada o beneficiava o clube há já alguns anos. Há que reconhecer mérito à visão e à oportunidade de Joaquim Oliveira que se antecipou à concorrência numa altura difícil em que foi um importante abono de família dos clubes, mas também não é menos verdade que beneficiou com juros de agiota que lhe permitiram construir um império e ser uma das almas mater do Sistema cujos tentáculos vão muito para além do campo desportivo com as consequências de todos conhecidas. O Benfica que o diga!

Faça-se a justiça de reconhecer que só o Benfica pela sua dimensão, pelos seus milhões de adeptos e pela força poderosa da sua marca seria capaz de sair do engessamento que afectava por igual todos os clubes participantes. Estamos sem dúvida num mercado pequeno, vivemos uma crise que está a deixar (quase) todos os portugueses de tanga, mas mesmo com esses handicaps é possível alcançar patamares superiores que diminuam a acentuada diferença para outros campeonatos europeus, em que clubes de muito menor dimensão que o Benfica obtêm receitas televisivas muito superiores. Essa é, sem sombra de dúvida, uma das razões obstaculizantes ao crescimento que o Benfica tem enfrentado nos últimos anos.

Tendo já sido anunciado que a Benfica TV irá ser paga a partir do próximo mês de Julho, aguarda-se com inusitada curiosidade por saber qual o modelo que irá ser desenvolvido. Dada a cessação do contrato de exclusividade que existe com o MEO, está desbastado o caminho para que possa haver negociações com todas as outras plataformas, o que pode abrir um leque muito variado de opções com as consequentes vantagens. Até porque a opção proposta pela Liga de centralização de direitos televisivos continua a aguardar a decisão da AC, não se sabendo o que daí resultará dado o que se conhece e, mesmo que acabe por ter provimento, ainda haverá um arrastamento da discussão com todos os clubes a quererem obter vantagens para os seus emblemas. E o tempo corre rapidamente e não se compadece com atrasos ou prolongamentos de qualquer espécie. O negócio e a oportunidade esgotam-se no momento.

Anunciadas algumas linhas orientadoras daquilo que se augura para o futuro próximo, logo começaram a surgir as especulações da praxe que invadiram o universo benfiquista a grande velocidade. É grande a expectativa, os mais cépticos ainda não atiraram a toalha ao chão, e outros entretêm-se a formular palpites que apenas correspondem aos seus desejos e à vontade que assim acontecesse. Compreendemos a vontade de antecipar os contornos finais, mas a complexidade dos aspectos em equação deverão ser de molde a aguardarmos com um esforço ansioso, na convicção de que quem está a conduzir o assunto tem como preocupação salvaguardar os interesses do Benfica e de todos os seus adeptos e simpatizantes.

Afinal, depois de tanto tempo de incerteza sob o rumo a tomar, surgiu o fumo branco tão ansiado, havendo agora que esperar mais um pouco para que todas as regras do jogo estejam finalmente definidas. De uma coisa temos absoluta certeza; é que com estas novas perspectivas, vão haver certamente profundas alterações na área do audiovisual e nos direitos televisivos em Portugal. Mais uma vez o Benfica vai inovar porquanto soube estar, como noutras ocasiões, à altura das suas responsabilidades históricas!




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