Ponto Vermelho
Instabilidade pintista
3 de Março de 2013
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À medida que o campeonato se aproxima do fim cresce o nervosismo que por sua vez provoca a instabilidade. Quem conseguir resistir melhor a essa influência nefasta, obterá vantagens que se poderão traduzir no fim em conseguir alcançar o patamar mais alto do pódio. Não será pois de estranhar que se assista a uma série de jogos florais de toda a espécie com o fim de provocar a desestabilização nas hostes do principal adversário, pois isso pode vir a transformar-se a breve trecho numa enorme vantagem.

A estrutura encarnada que se tem mantido estável nos últimos anos está já habituada e sabe melhor do que ninguém como funcionam as coisas. E a maioria dos seus associados e simpatizantes tem vindo a acordar de uma longa letargia e está agora mais atenta do que nunca aos pequenos truques e pormenores que dantes faziam por ignorar. Tudo, até o mais ínfimo detalhe, passou a ser importante porque, por mais insignificante que seja o pormenor, pode vir fazer a diferença que está presa por uma pequena linha que separa a verdade da mentira, o logro da real tradução do mérito desportivo.

Por sua vez a máquina pintista com a experiência que lhe advém de muitos anos, sabe como ninguém mover-se e sair de areias movediças e arrastar para elas os incautos que acreditam na bondade das suas intenções. O Sporting foi uma das suas vítimas inconscientes e veja-se o estado a que chegou a nação leonina. Desportiva, financeira e psicologicamente. Não foi certamente por falta de avisos à navegação que lhe foram feitos os quais ignorou, pelo que agora está a sofrer do excesso de colaboração e da excessiva subalternidade para com o emblema azul e branco. Uma boa parte das culpas tem obviamente que lhe ser assacada, e como está em processo eleitoral é bom que o candidato vencedor se liberte de todos esses estigmas do passado e transforme o Sporting num clube independente e com vontade própria como assinala o seu importante passado.

Mas é também evidente que a intelligtensia do FC Porto não está habituada a encontrar tanta resistência, dentro do campo e fundamentalmente fora dele. E quando assim acontece torna-se nervosa, comete mais erros do que habitual e nem todos podem ser já camuflados como acontecia dantes. E isso aumenta exponencialmente a instabilidade dos seus elementos. De facto, quem tenha estado atento perceberá sem grande dificuldade que as coisas já não são como dantes, apesar de haver ainda em vários órgãos e sectores, pessoas de cócoras que continuam como podem a desempenhar o papel para que foram designadas, embora exista já algum receio porque a atenção é grande e o seu trabalho está a ser permanentemente escrutinado.

O clássico que teve lugar ontem em Alvalade foi um excelente exemplo de como a estrutura pintista está instável, alvoraçada e frenética. Todos os vaticínios apontavam para a vitória com relativa facilidade dos portistas. Mas no lançamento do jogo, o treinador Vítor Pereira em vez de concentrar o foco total no encontro, preferiu divagar sobre o Benfica e particularmente acerca do seu treinador, dando claros sinais de que em cada jogo que a sua equipa disputa, está sempre presente no seu subconsciente o fantasma encarnado. E isso pode ser grave porque pode levar à menor concentração dos seus jogadores com a possibilidade de insucesso a aumentar a cada jogo. Não sabemos o nível de influência que terá o facto do Querido Líder por diversas vezes ter elogiado publicamente Jorge Jesus e, extrapolando, a questão do treinador encarnado ainda não ter renovado conjugada com a sua própria situação. Sabemos sim que por vezes o feitiço vira-se contra o feiticeiro, e que aquilo que se afigurava genial, caso da não renovação imediata com Vitor Pereira para manter a pressão a Sul, poderá não alcançar o objectivo pretendido...

Seja quais forem as razões objectivas que povoem o espírito instável e inquieto de Vítor Pereira, o que é facto é que com a ânsia de não querer deixar sem resposta as alusões de Jorge Jesus à equipa do Sporting porque não percebeu, não o fizeram entender, ou porque viu aí uma oportunidade de somar pontos sobre o treinador encarnado, desfocou-se dos seus objectivos prioritários e acabou por dar razão a todos os que apontam o treinador do Benfica como a sua verdadeira obsessão. E quando assim é a possibilidade de insucesso aumenta, porque numa altura que começa a ser decisiva para a decisão do campeonato toda a concentração nunca é demais. Um autêntico desafio à estrutura que nunca falha e raramente tem dúvidas...

Se algumas dúvidas houvessem sobre o estado da nação pintista elas seriam completamente desfeitas com a sua actuação em Alvalade. Ao que relatam os media a situação terá atingido outro patamar na escala crescente do nervosismo. Na bancada VIP de Alvalade parece que terá havido uma revolta contra o colonizador e pouco terá faltado para que os sempre polidos dirigentes pintistas e os frequentadores leoninos da citada bancada tivessem chegado a vias de facto, uma situação que apenas confirma a posição trauliteira que a entourage pintista sempre assumiu ao longo dos anos.

Para contribuir para o ciclo de nervosismo, importa que hoje em Aveiro o Benfica faça o que lhe compete. Perante um conjunto de variáveis favorável, os encarnados têm hoje uma forte possibilidade de se isolarem no comando e ganharem vantagem pontual e anímica que poderá vir a ser decisiva no arranque para o último trecho do seu primeiro objectivo que é o campeonato. Mas para que isso aconteça, torna-se necessário que a equipa esteja preparada para enfrentar um sem número de dificuldades que começarão sem dúvida com o estacionamento de um autocarro em frente à baliza aveirense, tentando explorar rápidos contra-ataques por força do adiantamento da equipa encarnada. Têm a palavra JJ e os seus jogadores.




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