Ponto Vermelho
Alerta amarelo
4 de Março de 2013
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Interpretando o sentimento da estrutura e de (quase) todos os benfiquistas por motivos facilmente dedutíveis, tem sido dito e redito pelo treinador do Benfica que esta época o campeonato é a prioridade das prioridades. Essa premissa está pois há muito alojada na mente dos adeptos e simpatizantes que anseiam, naturalmente, pela sua conquista. Basta recordar o impacto das comemorações do título da época de 2009/10 para constatar essa verdade insofismável. As duas tentativas falhadas que se seguiram nomeadamente a última, deixou sérios amargos de boca nos adeptos e é de molde a tornar uma nova eventual vitória num desejo incontido que extravasa de longe a mera conquista de mais um título.

A eliminação da Taça da Liga em Braga perfeitamente evitável se considerarmos que aprés só havia a final para disputar em Abril, foi justificada de algum modo com a necessidade de fazer descansar jogadores habitualmente titulares de forma a poupá-los para o campeonato. Tirando o facto dos bracarenses começarem lentamente a justificar o epíteto de besta negra dos encarnados nos jogos disputados em Braga com eventuais condicionantes psicológicas futuras, a eliminação foi digerida pelos adeptos tendo em conta o enfoque na prova prioritária.

Daí que, estando o campeonato a ser disputado palmo a palmo com o nosso maior e único rival FC Porto, seria expectável que toda a concentração tivesse o epicentro nesta prova, sabendo-se de antemão que, para além do mais, existem fortes condicionantes dentro e fora do campo que regular e cirurgicamente influenciam o normal desenvolvimento dos acontecimentos e a própria verdade desportiva, ainda que haja uma crescente atenção da estrutura, dos adeptos e da opinião pública para esses pequenos detalhes. Mas o mal continua lá e ainda não foi extirpado, pelo que esse facto não pode em circunstância alguma ser menosprezado e requer por isso uma muito maior concentração.

Aparte essas ameaças latentes em todas as épocas, importa olhar para o desempenho da equipa à luz de todas as vicissitudes porque a simbiose tem que ser alcançada – os adeptos têm que acreditar na equipa que por sua vez tem que fazer por justificar que os adeptos devem confiar e acreditar nela. Para que em cada jogo, seja qual for o campo ou o adversário, se sinta que é capaz de vencer as adversidades. Mesmo que aqui ou ali tenha dificuldades em ultrapassar os escolhos que tenderão a aparecer. Se porventura e no limite o problema se revela excepcionalmente inultrapassável, os adeptos tenderão a manifestar alguma compreensão se acontecer numa outra prova que não o campeonato, mas dificilmente aceitarão se porventura acontecer na prova-rainha.

Justifica-se Jorge Jesus com o facto da equipa encarnada não poder dominar o adversário durante os 90 minutos. Tem razão. Poderá haver certos períodos em que o adversário está por cima mas isso não significa necessariamente que o Benfica deixe de ter o controle do jogo. Poderá aqui e ali até ter alguma fortuna que faz parte do jogo e da estrelinha que costuma acompanhar os campeões. E o que vimos ontem face ao último classificado não foi exactamente assim. Justificar com o mérito e a motivação do adversário pode em alguns aspectos ser compreensível mas não desculpa nem justifica o demérito da equipa encarnada.

Porque não estava em causa qualquer outra prova mas sim a definida como principal onde seria preciso apostar todas as fichas. Ao mérito e à motivação dos adversários, o Benfica tem que saber responder na mesma moeda provando que o objectivo principal de conquista não é uma mera quimera que se esfuma na praia, mas sim um patamar perfeitamente ao seu alcance em todos os jogos. É certo que o futebol não é uma ciência exacta, é seguro que é altamente aleatório e repleto de imponderáveis que muitas vezes não são previsíveis nem controláveis. É verdade que os profissionais são humanos e sujeitos ao erro e à menor inspiração, mas também é verdadeiro que todos nós adeptos temos que sentir galvanização com as prestações da equipa. Mesmo as menos conseguidas desde que sintamos que tudo foi feito.

O ciclo terrível que a equipa tem atravessado poderá de algum modo indiciar um menor fulgor físico e quiçá psicológico. Tudo isso é aceitável, atendendo a que nenhuma equipa consegue ao longo da época manter os mesmos patamares exibicionais. Dizem os científicos que algumas até programam o pico de forma quando se começa a entrar nas grandes decisões da época. São teorias que nem sempre passam à prática. Mas, tendo em conta o estabelecimento de objectivos e estando ainda bem vivo na memória dos adeptos os colapsos das duas épocas precedentes, urge equacionar esta questão que, estamos convictos, Jorge Jesus e a restante equipa técnica não deixarão certamente de fazer.

É que os jogos com a Académica e o Beira-Mar, ainda que por razões diferentes, não deixaram de causar preocupação nos adeptos, ainda que atenuadas por uma vitória categórica ante o Paços de Ferreira de permeio. Nesta altura da época e quando se começam a definir os lugares acrescem por exemplo maiores dificuldades das equipas que lutam pela despromoção, e isso implica um maior desgaste físico e emocional para ultrapassar o arreganho que os jogadores dessas equipas colocam em campo. Não é propriamente um problema inesperado dado que acontece todas as épocas. Logo, compete ao Benfica como candidato ao título saber encontrar o antídoto para ultrapassar as dificuldades e essencialmente impor a sua qualidade de favorito, demonstrando o porquê de possuir um plantel e uma equipa superiores. Se não o fizer como ainda ontem aconteceu, passa a correr riscos desnecessários dado que nem sempre os acasos da fortuna estão à mão para o proteger...




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