Ponto Vermelho
Benfica - Bordéus
7 de Março de 2013
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Liga Europa - 1ª Mão dos oitavos-de-final
Estádio da Luz, 7 de Março de 2013 - 20:05

Benfica (Titulares): Artur Moraes, André Almeida, Luisão, Garay, Melgarejo, Roderick, Carlos Martins (Enzo Pérez 64m), Ola John (Lima 74m), Gaitán, Rodrigo e Cardozo (Salvio 63m)
Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Maxi Pereira, Jardel, Enzo Peréz, Aimar, Salvio e Lima

Árbitro Principal: Alon Yefet-Israel
Árbitros Auxiliares: Danny Krasikow e Amihay Mozes

Cartões Amarelos: 2: Carlos Martins 50m e Rodrigo 54m
Cartões Vermelhos: 0

Resultado Final: 1-0; Rodrigo 21m

Benfica de regresso às competições europeias e perto da sua máxima força, lamentando-se apenas a suspensão de Matic, admoestado na recta final da partida ante o Leverkusen e a cumprir jogo de castigo. Jorge Jesus apostaria assim na fórmula de Braga, com Roderick a 6 e Carlos Martins na posição 8. Nas laterais, Melgarejo e André Almeida, ambos em risco de exclusão, com a companhia de Ola John e Gaitán.

Já do lado do Bordéus, NGuemo, Saivet e Diabaté estavam lesionados e não podiam dar o seu contributo. A semana do conjunto francês havia ainda sido marcada pelas declarações do presidente do clube, que chamara os seus atletas de medricas e pusera em causa o seu profissionalismo, mau estar esse despoletado pela 4.ª derrota consecutiva a nível interno. Apesar de um mau campeonato francês - 10.º lugar na Liga francesa - de notar que o Bordéus não perdia na Europa há seis jogos.

Os 33.248 espectadores assistiam a um início dinâmico com mais Benfica, e logo ao minuto 1 e na sequência de um lançamento lateral era Luisão quem penteava a bola para depois Faubert fazer a bola chegar ao seu guarda-redes Carrasso.

Aos 3’ a vez de Rodrigo, o hispano-brasileiro ganhava espaço à entrada da grande área, contudo o seu remate saía contra... Cardozo. Jorge Jesus ia sendo alvo dos habituais avisos por parte do 4.º árbitro, face às sistemáticas violações dos limites da área técnica, e aos 4’ via um bom movimento de Rodrigo a solicitar Ola John e este a cruzar para Cardozo, cruzamento da direita que acabaria por ser resolvido sem grandes dificuldades por Carrasso.

Saía o Bordéus, previlegiando invariavelmente a ala esquerda - que jogador, Trémoulinas... - e aos 5’ a primeira ameaça, com Maurice-Belay a rematar numa jogada de insistência contra a muralha defensiva encarnada. Aos 6’ Artur ainda resolvia um cruzamento da esquerda, e tempo ainda para uma pequena interrupção para assistência a um francês, isto antes de queimarmos os primeiros 10 minutos de jogo, divididos e sem oportunidades de golo de parte a parte.

Aos 11 Artur defendia um remate perigoso de Obraniak, que ainda sofria um desvio de trajectória antes de lhe chegar às mãos, e aos 12’ bola nas costas de Melgarejo, num lance em que se reclamava fora-de-jogo, e valia que o próprio Obraniak se atrapalhava com a bola e a defesa encarnada entretanto tinha tempo de recuperar. Muitas dificuldades para os benfiquistas nesta fase, ainda que aos 13’ fosse Cardozo quem da esquerda cruzasse para Rodrigo ao segundo poste mas de ângulo apertado rematar cruzado, fora do alvo mas criando ainda assim um lance de algum aparato, com várias tentativas de insistência.

Nova resposta dos girondinos aos 14’, e com muito perigo desta feita, depois de Obraniak entrar na área e atrapalhar a acção de Artur que via a bola passar-lhe por debaixo do corpo e por muito pouco não entrar na baliza. Um sobressalto merecido, porque jogava muito mal o Benfica nesta fase, que ia estando em sentido muito por via de um Bordéus rápido nas transições e a aproveitar o menor acerto ofensivo dos encarnados. Logo de seguida, pedia-se novamente fora-de-jogo depois de uma bola na direita nas costas de Melgarejo, e de novo algum frisson, valendo na circunstância o cruzamento ser resolvido por Luisão.

Aos 18’, tempo então de Roderick cometer uma falta, na sequência de mais uma transição falhada da sua equipa e que dava lugar a uma bola bombeada que a defensiva encarnada resolvia, e ainda outra, aos 19’, depois de mais um passe de risco, desta feita de André Almeida para Roderick.

Queimava-se a barreira dos 20 minutos e surpreendentemente ia-se assistindo a mais Bordéus, sempre com a sua ala esquerda em plano de evidência. Respondia Jorge Jesus, trocando as alas passando Ola John para a esquerda e Gaitán para a direita, um necessário auxílio a André Almeida, sempre com dois e três franceses do seu lado.

Via-se então a primeira jogada do Benfica com cabeça, tronco e membros, e quase de imediato chegava mesmo o golo; Rodrigo recebe à entrada da grande área, ajeita para o seu pé esquerdo e acaba por rematar forte e colocado, de tal forma que leva a bola a bater na trave e a entrar na baliza de Carrasso, que ainda via o esférico bater-lhe nas costas. Um belo golo.

Chegava em boa altura o golo encarnado, e tinha o condão de alavancar o Benfica para alguns minutos de bom nível, benvindos depois de 20 minutos que haviam deixado muito a desejar. Sem surpresa portanto, aos 22’, Cardozo aproveitava uma bola perdida à entrada da área e atirava pleno de oportunidade, mas desta feita para defesa de Carrasso. Abrandava novamente o Benfica, bola perdida no meio-campo encarnado e valia André Almeida a ceder canto.

Aos 28’, novo contra-ataque perigosíssimo de Bordéus, e valia no lance um corte providencial e no limite de Luisão que evitava que Rolan ficasse na cara de Artur. Com isso... mais um canto, que a defesa encarnada de novo resolvia. Chegávamos assim aos primeiros 30 minutos com o Benfica de novo mal e a usar e a abusar do jogo directo, e se a impaciência já era alguma, menos era com o rebentamento de um petardo: justificados assobios, não é certamente por falta de avisos.

Boa jogada aos 31’, com André Almeida a cruzar da direita, Cardozo a amortecer para Rodrigo mas este a sair de posição irregular, e paulatinamente ia-se vendo o Benfica a circular a bola mas a ressentir-se de um miolo pouco criativo e alas praticamente inoperantes. Aos 36’, nova interrução, depois de Plasil cair na sequência de um lance com Gaitán na área francesa.

Entrávamos nos últimos 5 minutos da primeira parte em toada mais morna, aos 41’ novo cruzamento da esquerda e novamente Luisão - melhor jogador do lado do Benfica nesta partida - a resolver, e aos 43’ surgia a primeira contrariedade na equipa girondina; Faubert saía lesionado, entrava Abdo Traoré. Ainda antes do intervalo, aos 44’ mais um remate perigoso e por intermédio de Obraniak, ao qual Artur respondia com mais uma excelente defesa, e chegávamos ao regresso às cabinas com um lance de contra-ataque que culminava numa má decisão de Gaitán e punha cobro a 45 minutos de pouca inspiração, com o resultado a ser bem melhor do que a exibição.

Para a segunda parte o Benfica voltava de novo lento nos processos, mas ainda assim aos 47’ era Ola John que da esquerda cruzava para Rodrigo amortecer para Cardozo que rematava para defesa difícil de Carrasso. Aos 50’ Carlos Martins - irreconhecível - via amarelo por falta dura sobre Trémoulinas, depois de mais uma transição falhada do Benfica, e logo de seguida estalava mesmo o verniz, depois de mais um passe falhado de Carlos Martins que dava lugar a assobios.

Aos 51’ Trémoulinas subia pela ala esquerda do Bordéus e sem ter ninguém a quem passar rematava ao lado da baliza de Artur, e aos 54’ amarelo a Rodrigo por protestos mais veementes com o árbitro assistente, que não sancionou uma falta cometida sobre si. Depois de falta sobre Melgarejo aos 55’ os espectadores presentes também pediam o amarelo, e aos 56’ depois de bola cruzada para a área francesa, Rodrigo atirava por cima.

Numa fase de mau nível, mais um passe sem nexo de Carlos Martins originava mais assobios, e aos 58’ e na sequência de mais uma jogada carrilada pela esquerda, Belai cruzava e era Plasil quem atirava contra Luisão. Aos 59’, Ola John tinha um passe recuado para remate fortíssimo na passada de Carlos Martins, perigoso pese embora fora do alvo, e era a despedida do internacional português da partida.

Aos 63’ Cardozo saía para dar o lugar a Salvio, o que fazia com que Gaitán passasse para o meio, e no miolo Carlos Martins cedia o lugar a Enzo Pérez. Já aos 64’, era Plasil quem ganhava espaço no meio e atirava para mais uma defesa de Artur, sendo que também na equipa girondina se sucedia nova substituição; saía Rolan e entrava Bellion.

Melhor o Benfica nesta fase, a beneficiar da criatividade de Gaitán no meio e do poder de combate de Enzo, e aos 66’ era o primeiro o autor de um passe soberbo a isolar Melgarejo que, entre meio cruzamento e meio remate, levava a bola a sair ao lado e gorava uma excelente oportunidade de golo.

Respondia o Bordéus aos 67’, muito perigo depois de um cruzamento da Maurice Belay e valia Ola John a importunar a acção de Traoré que atirava por cima, e aos 71’ de novo mais um grande passe de Gaitán, que Ola John só aproveitava para ganhar canto, o qual Carrasso segurava com tranquilidade.

Nova mexida aos 74’, e um retrocesso, com Ola John a sair e a entrar Lima, que voltava a predispor o Benfica com dois avançados e fazia de novo Gaitán descair para a linha. Depois de mais um canto, ganho por Rodrigo e mais uma vez mal marcado, no último quarto de hora o Benfica intensificava a pressão, com o Bordéus cada vez mais disposto em contra-ataque e aparentemente satisfeito com o 1-0. Aos 78’ nova troca na equipa francesa, com Maurice Belay a sair e a dar o lugar ao tunisino Ben Khalfallah.

Era o Benfica quem estava instalado no meio-campo francês mas padecia de pouca inspiração no último terço, e aos 83’ era Traoré que numa jogada de insistência causava algum frisson, numa jogada confusa com a bola a circular na área benfiquista.

Aos 84’ novo canto para os franceses, na circunstância ganho pelo recém-entrado Ben Khalfallah, e valia André Almeida que ao 1.º poste resolvia, e na sequência do lance, aos 85’ e num contra-ataque liderado por Rodrigo, o passe de morte para Lima acabava por ser resolvido in extremis por um defensor girondino.

Trémoulinas aos 87’ ainda tinha energias para um raide pela esquerda, do qual resultaria mais um canto a favorecer a sua equipa, e aos 88’ momento de sobressalto na Luz, quando Ben Khalfallah surgia na cara de Artur e valia o acerto do guarda-redes encarnado que evitava o empate. Quem não gostava eram os espectadores presentes, que intensificavam os assobios e estavam cada vez mais desagradados com a exibição. Ainda aos 88’ e na sequência do canto, Obraniak levava o esférico a atravessar a área benfiquista... pedia-se o apito final.

Com 3 minutos de compensação par jogar, aos 90+1’ Sertic ainda tinha um remate forte ao lado do poste esquerdo da baliza de Artur, e seguia-se o apito final e uma monumental assobiadela, mais pela má exibição do que pelo resultado, a que alguns jogadores como Luisão reagiam de forma pouco própria.

Na flash interview Rodrigo ficava algo surpreso por a UEFA sonegar-lhe o golo, atribuindo-o ao guarda-redes francês, algo que o hispano-brasileiro fazia passar como indiferente, e ademais lá foi dizendo que o resultado era mais importante e que a vitória foi algo positivo. Rodrigo mais disse que os jogadores têm noção que estão no oitavos de final e como tal este é um bom resultado, embora ainda falte um jogo.

Por seu turno Garay - mais uma vez soberbo ao lado de Luisão - assumiu ter-se tratado de uma partida difícil, e questionado por Nuno Luz quanto à primeira parte aquém das expectativas, disse que os outros também jogam e cabe-lhes fazer o melhor possível. Quanto ao confronto em França, defendeu que o Benfica entra sempre para ganhar.

Já Jorge Jesus reiterou a questão dos oitavos de final, dizendo que o Bordéus tem qualidade e todos os seus jogadores são internacionais, e em jeito de lamento defendeu que as pessoas foram muito atrás da classificação do adversário. Mais disse que o Benfica conseguiu dois objectivos - ganhar e não sofrer golos – e que não se jogou tanto em termos ofensivos como se gostaria, mas que ainda assim a equipa defendeu muito bem. Quanto ao confronto em França disse que o Benfica joga sempre para ganhar e que normalmente faz golos fora, e não acabaria a intervenção sem endereçar um agradecimento aos No Name Boys que estiveram sempre a apoiar, e também aos jogadores que fizeram um jogo inteligente.

Comentário Final: Embora a sucessão de jogos pareça estar a ter algum efeito, esperava-se na recepção ao Bordéus uma exibição positiva e um resultado a condizer, de preferência sem sofrer golos para acautelar a ida a França. Pela ambição que o Benfica tem revelado na Europa e atendendo a que a equipa francesa, sendo uma boa equipa, não é evidentemente uma equipa de topo no tempo presente.

Mas nada disso se passou. O Benfica entrou com algumas alterações, de uma forma lenta e demonstrou desde o 1º minuto uma gritante incapacidade para impor o seu jogo. Lento, sem ideias e sem pressionar, com muitos passos falhados e interceptados pelos jogadores franceses, o Benfica raramente criava perigo. Os jogadores demonstravam pouca inspiração e alguns deles passaram mesmo ao lado do jogo, para descanso do Bordéus que aproveitava para criar algum perigo em diversas ocasiões, valendo na circunstância a falta de eficácia dos franceses e sobretudo a actuação da dupla de centrais e do guarda-redes Artur. Valeu o bom remate de Rodrigo e a colaboração do guarda-redes Carrasso para o Benfica chegar ao golo.

Aguardava-se que na 2.ª parte algo mudasse para melhor mas foi pura ilusão, pois nem as substituições produziram qualquer efeito. Os problemas da 1ª parte mantiveram-se na 2ª até ao fim.

Foi uma noite de desinspiração colectiva que se segue a outra em Aveiro, valendo nas duas ocasiões alguma felicidade para obter a vitória tangencial.

Esperamos que rapidamente seja feita uma introespectiva para atalhar caminho, dado que aproximam-se compromissos decisivos em que é preciso jogar muito mais para vencer!

Excelentes exibições de Luisão, Garay e de Artur.

Arbitragem regular com erros sobretudo a nível de foras de jogo.
















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