Ponto Vermelho
Receios
12 de Março de 2013
Partilhar no Facebook

As profundas alterações que estão em gestação na área do audiovisual no tocante aos direitos televisivos continuam, como seria expectável, a preocupar uma fatia importante da comunicação social portuguesa, algumas Direcções de clubes identificados e uma parte de adeptos que estão na eminência de perderem parcialmente algumas das vantagens desportivas de que têm beneficiado até aqui, mormente no que se refere às transmissões rigorosas e aos comentários apropriados e independentes em on e em off que por norma caracterizam a estação televisiva que detém o monopólio.

Sem querer ressuscitar velhos fantasmas, basta atentar no último encontro na Luz entre o Benfica e o Gil Vicente e particularmente em dois lances capitais que só não causaram polémica por não terem afectado a verdade final do jogo. Mas, regressemos ao passado de que alguns ignorantes gostam de falar e em particular de Calabote em vez de falarem de Guiomar, deturpando objectivamente vezes sem conta a verdade dos factos na esperança de conseguirem alterar o rigor da história. Imaginemos, por exemplo, que na contabilidade final do presente campeonato os dois lances de que falaremos a seguir viriam a revelar-se decisivos para a atribuição do título? Como foi, aliás, Guiomar em Torres Vedras no longínquo ano de 1959.

São estes pequeníssimos detalhes que por vezes fazem toda a diferença. O árbitro e o auxiliar do jogo de Domingo falharam, pois nem Lima se encontrava fora de jogo nem o mesmo Lima tentou forçar a passagem pois foi o defesa gilista Cláudio que a impediu com os braços. Aceitemos, no entanto, que se trataram de mais 2 erros de arbitragem, embora eles aconteçam amiúde. Mas aí entraram em acção os já famosos ângulos omissos e duvidosos da Sport TV que tentaram dar aos telespectadores o benefício da dúvida razoável. E não foi por acaso que no dia seguinte o jornalista do diário desportivo A Bola com base nessas imagens, concluiu que a equipa de arbitragem tinha agido correctamente nos dois lances. Como devemos chamar com rigor a isto para não ferir susceptibilidades: branqueamento involuntário?

Estas duas situações ocorridas no jogo do Benfica têm acontecido repetidamente ao longo dos anos na proporção inversa do que vemos acontecer por norma com o FC Porto. Este abastardamento recorrente da verdade desportiva com incursões rápidas à desvalorização e à alteração da verdade dos factos nalguns casos com um certo ar de sofisticação, foi a principal razão que levou os benfiquistas a ficarem cansados e a colocarem em causa o rigor desportivo do canal televisivo da Olivedesportos. Porque tiveram que perceber à sua própria custa que o objectivo era tornear as anomalias que por sistema aconteciam nos relvados, sempre com o fito de tornar o Benfica como principal alvo a abater.

As terríveis sequelas que afectaram o passado encarnado permitiram que em todos estes anos tivesse sido a Olivedesportos a ditar as regras do jogo sem que o Benfica tivesse tido possibilidades reais de se emancipar do seu jugo férreo que tem sido extensivo aos outros clubes. Daí que o monopólio se tenha instalado e sedimentado com todo o à vontade no panorama audiovisual português sem sofrer grande contestação objectiva. Apenas desabafos de estruturas clubistas e o clamor público dos adeptos e simpatizantes, ambos sem consequências de monta para o monopolista que estava seguro do seu domínio incontestado.

O reapetrechamento e o aumento da competitividade do Benfica em todas as suas múltiplas vertentes, fazia acreditar que o anel de ferro poderia vir a ser cortado, muito embora o eventual timing para o fazer viesse a coincidir com uma crise sem precedentes, em particular do mercado publicitário que depois de anos e anos de expansão caiu abruptamente para níveis impensáveis. Mas tinha que ser feito e, infelizmente, apesar da crise de conjuntura, não era mais possível voltar atrás na decisão, estando todos cientes que muitos serão os escolhos que terão que ser ultrapassados nesta fase de emancipação que, acreditamos, recolherá um consenso muito alargado em toda a esfera benfiquista.

Este arrojo foi numa primeira fase encarado com um encolher de ombros na convicção de que não era para ser levado a sério. Mas logo a seguir, várias vozes se têm levantado sobre a fraca viabilidade do projecto, querendo fazer crer à opinião pública de que teria sido preferível aceitar as condições apresentadas pela Olivedesportos. Isto, quando ainda não se sabiam quaisquer linhas do projecto que continua a ser estruturado de forma a transmitir-lhe a viabilidade necessária. Não será fácil e por isso mesmo torna-se num desafio aliciante que apela à constante necessidade de inovar em mais uma matéria em que o Benfica se tornará pioneiro.

Como já foram dados passos visíveis, os que outrora desconsideraram a intenção já iniciaram a campanha do antagonismo socorrendo-se de pretextos comezinhos, passando a utilizar o mesmo tipo de argumentos que durante dezenas de anos têm largamente contribuído para o seu contentamento com as sublimes realizações e comentários da Sport TV. Parece que, afinal, a preocupação começa a invadir o seu espírito, isto sem que ainda se saibam os detalhes do projecto e a forma como as transmissões serão levadas a cabo. Até lá ainda muita coisa há a fazer e a definir sendo prematuro prever trovoada e granizo quando poderá haver um sol radiante. Além de que continua a haver uma infinidade de canais que tenderão a continuar a mesma prática que tão bem conhecemos. E, em caso de não chegarem, poderá haver sempre recurso ao Canal do FC Porto e à Sporting TV se o projecto for concretizado…




Bookmark and Share