Ponto Vermelho
Semana europeia
13 de Março de 2013
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A nova semana europeia na forja tem desde logo o mérito de aliviar a tensão que impende sobre o treinador encarnado e sobre a insistência sobre a sua renovação ou não pelo Benfica. As mil e uma equipas que pretendem os seus serviços numa acção de pressão que reputamos de estranha e que, curiosamente, num contexto antagónico àquele que se verificou em 2011 parece estar para durar, dado que nem o próprio Jorge Jesus (por motivos óbvios) e fundamentalmente Luis Filipe Vieira conseguiram tirar o assunto do foco dos holofotes.

Este tipo de assuntos tem obviamente o seu timing. Se equacionarmos a conjuntura, observaremos que é um caso que tem que ser gerido com pinças, pois muito embora todos queiram preservar uma estabilidade que potencia a obtenção de vários e importantes frutos, há um conjunto diversificado de variantes que não podem, nem devem, deixar de ser aprofundadas por forma a habilitar a tomada de uma decisão final consciente e ponderada que se venha a revelar de interesse para ambas as partes. E, por razões óbvias, do clube que deve estar acima de tudo.

Por curiosa coincidência e ainda que com diferentes perspectivas, nenhum dos três grandes tem já definida com exactidão essa matéria. No entanto, a situação que importa relevar é a do FC Porto que tem um treinador na mesma situação, mas que, ao contrário do treinador encarnado, pode calmamente passar por todas as Conferências de Imprensa ou Flash Interviews sem que alguém se interesse pelo seu futuro na próxima época. São situações algo incompreensíveis dado que estamos a falar do treinador campeão nacional…

Mas enquanto o rio segue o seu caminho para a foz, a vida continua quase imperturbável e estamos a entrar em mais uma semana europeia nas duas Ligas que vai dar origem a decisões que implicam apuramentos ou eliminações às duas equipas portugueses em prova. Hoje, na Liga dos Campeões, será a vez do FC Porto tentar a passagem aos quartos-de-final em Málaga face ao inesperado clube local, e amanhã chegará a altura do Benfica conseguir idêntico objectivo para a Liga Europa. Ambos são favoritos à passagem muito embora tenham que o demonstrar em pleno relvado.

A despeito destas perspectivas favoráveis há que ter alguma prudência na abordagem a ambos os jogos. Se os resultados obedecessem sempre à lógica e à diferença entre as equipas diríamos que salvo algum imponderável ambas as equipas correriam felizes para o apuramento. Mas as coisas nem sempre são assim e alguns resultados do passado são de molde a não considerarmos que são favas contadas. Bastava recordarmos do passado, Liverpool, Manchester ou Vigo para termos de manter a prudência como barómetro.

No que mais obviamente nos interessa – o Benfica –, ainda que o resultado tenha sido positivo, a exibição descolorida dos encarnados é de molde a causar alguma apreensão. Sobretudo porque os franceses face ao resultado tangencial e à performance encarnada, como não poderia deixar de ser, alimentam naturais esperanças reforçadas pela sequência de resultados favoráveis em casa na Liga Europa contra vários adversários que foram eliminando até terem chegado a esta altura da prova. Logo, todo o cuidado é pouco por parte do Benfica na abordagem ao desafio que se perspectiva de elevado grau de exigência.

Os encarnados têm, sem dúvida, melhor equipa. Por aquilo que conhecemos de Jorge Jesus é crível que proceda a alterações na equipa titular. A exemplo do que já tem acontecido em anteriores jogos da mesma prova. A confirmarem-se essas alterações terá toda a razão se o apuramento for conseguido, mas será massacrado caso venha a acontecer o contrário. São os riscos inerentes ao desempenho de qualquer treinador que assuma funções nos encarnados seja ele qual for. Terá sempre lugar assegurado na crista da onda quer para a ultrapassar quer para ser triturado por ela.

Perante um jogo que se afigura competitivo e a exigir dos jogadores encarnados um forte predisposição e disponibilidade física e psíquica e que poderá reforçar o prestígio do Benfica na Europa, causou-nos alguma estranheza o facto do próximo jogo para o campeonato ser disputado menos de 72 horas depois, com a agravante de incorporar uma deslocação ao estrangeiro que não pode deixar de causar algum cansaço nos jogadores. Sobretudo nesta altura da época e consagrando um ciclo de jogos infernal com deslocações sistemáticas.

Terá sido certamente uma decisão ponderada por parte dos responsáveis encarnados para que tal se verifique. Mas sem entrarmos no pessimismo, nunca é demais recordar que na pretérita temporada e depois do regresso da Europa, foi precisamente a deslocação a Guimarães que precipitou a debácle dos encarnados que haveria de culminar com a perda do campeonato ainda que com as habituais coincidências em que o futebol português é tão fértil e que acontecem quase sempre nos momentos considerados cirúrgicos. Depois porque o Benfica irá encontrar um adversário altamente moralizado pela boa prova que está a conseguir e cujos índices anímicos sobem sempre com este tipo de jogos. Uma semana que pode vir a revelar-se extremamente importante para o futuro do Benfica…


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