Ponto Vermelho
Angústia azul e branca
14 de Março de 2013
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A falta de lógica do futebol voltou a fazer das suas. Todas as indicações apontavam para que o FC Porto ultrapassasse o Málaga; porque tinha dominado por completo os malaguenhos no jogo da 1ª mão no Dragão (ainda que com o senão da falta de concretização), porque tinha uma equipa claramente superior, porque tinha uma muito maior experiência na prova e porque, finalmente, tinha jogadores desequilibradores que era suposto fazerem a diferença. Contudo, a lógica não prevaleceu e os portistas saíram vergados a uma derrota inesperada que lhes custou a saída da prova face a uma equipa que provavelmente seria a mais fraca em prova, fazendo de alguma forma lembrar a situação da anterior edição com o surpreendente Apoel que acabou também por colocar o FC Porto e posteriormente o Lyon fora de prova.

Várias justificações foram avançadas para o descalabro, desde a saída prematura de João Moutinho até à infantilidade do belga Defour que se fez expulsar numa jogada a meio-campo quando já estava amarelado. Convenhamos que tiveram naturalmente o seu peso. Mas à excepção dos primeiros 30 minutos em que a equipa portista esteve mais parte do seu real valor ante um Málaga cauteloso e preocupado em não cometer erros que arrumassem de vez a eliminatória, a realidade é que na prática os espanhóis conseguiram criar mais perigo e estiveram sempre mais próximos de abrir o activo como afinal veio a acontecer depois de um erro da equipa de arbitragem que lhes anulou um golo legal.

Na projecção do jogo o treinador Vítor Pereira tinha elevado as esperanças dos adeptos ao anunciar que queria ficar na história do clube e da Champions, o que indiciava de uma forma clara que as expectativas estavam altas, apoiadas em alguma lógica sustentada que afinal se veio a revelar contraproducente mas que, em boa verdade, nada fazia prever tal a disparidade de forças em presença. Aconteceu mais uma vez futebol, e de novo os pequenos detalhes fizeram toda a diferença. Uma situação que em alta competição se pode revelar fatal para quem comete pequenos erros que acabam por decidir os jogos e as eliminatórias. Não será a primeira vez nem será seguramente a última.

Sendo já uma situação irreversível e que deixa o FC Porto de fora de uma das suas grandes apostas esta época (basta recordar as várias declarações de portistas e aparentados nesse sentido), importa agora avaliar o efeito que tal pode vir a causar na dinâmica do futebol azul e branco. Por mais que seja enaltecida a estrutura de sonho, quer-nos parecer que esta eliminação não deixará de causar um forte impacto no interior do balneário. Porque foi o destruir de um sonho alimentado fora e dentro da estrutura por quem não tinha os pés bem assentes no chão e fomentou expectativas ilusórias (apesar da eliminação deste Málaga estar mais do que ao alcance do actual FC Porto), e porque no recolher dos cacos o imediato é teoricamente ameaçador dado que em caso de novo percalço e de uma vitória do Benfica em Guimarães, as altíssimas previsões portistas para a presente época correm o risco de se virem a desmoronar com fragor.

Resta pois aguardar pelos próximos episódios já a seguir, sendo que as incidências do futebol são por natureza inesperadas e muita coisa pode acontecer revertendo as tristezas e o pessimismo de hoje. Daqui a pouco o Benfica entrará em acção em que o panorama é de alguma forma similar àquele que se deparou aos portistas em Málaga e, por aquilo que é da tradição desportiva em Portugal, os portistas estarão a rezar a todos os santinhos para que o Benfica seja eliminado para não só não ficarem sozinhos na tristeza mas também para recuperaram parte da auto-estima perdida ontem que os deixou profundamente abalados e à beira de um ataque de nervos.

Haverá pois benfiquistas satisfeitos com a eliminação do FC Porto. Nesse particular somos contra a corrente por um conjunto de razões; porque mau grado tudo o que de censurável tem sido feito pelos portistas nas últimas décadas e que tem sido denunciado, ainda mantemos alguma réstea de desportivismo; porque se tratava de uma prova europeia que concorria para que Portugal e as equipas portuguesas saíssem beneficiadas; e porque mantendo-se os portistas na prova, isso provocar-lhe-ia um maior desgaste e uma eventual menor concentração no campeonato o que poderia vir a favorecer o Benfica. Entendemos, por isso, que estas serão razões suficientes para que não nos tenhamos sentido particularmente entusiasmados com a sua saída de prova porque isso significa que o foco passa a ser total no campeonato.

Independentemente do resultado que o Benfica venha hoje a alcançar em terras gaulesas, entendemos que o próximo fim de semana promete emoções fortes e poderá começar a clarificar a classificação no campeonato. Estamos numa altura crucial em que todos os pormenores são importantes e em que a força mental das equipas poderá ser fulcral. Ambos os clubes têm saídas muito difíceis que se seguem à jornada europeia, restando saber que influência terá o factor psíquico na forma com abordarão os respectivos jogos. Já se viu que o FC Porto está em fase de recuperação, restando saber como virá a estar o Benfica. Até porque, não deve ser de todo excluída a suprema ironia de assistir aos portistas virem a lutar pela prova que sempre vilipendiaram em todas as suas edições, sobretudo entre a 2ª e a 5ª. A propósito; quantas 72 horas leva o CJ a decidir sobre os recursos?






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