Ponto Vermelho
Bordéus - Benfica
14 de Março de 2013
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Liga Europa, Oitavos-de-final - 2ª Mão
Estádio Jacques Chaban-Delmas, Bordéus, 14 de Março de 2013 - 20:05

Benfica (Titulares): Artur Moraes, André Almeida, Jardel, Roderick, Melgarejo, Enzo Pérez, Matic, Salvio (Maxi Pereira 88m), Gaitán, Ola John (Carlos Martins 84m) e Rodrigo (Cardozo 66m).
Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Miguel Vítor, Maxi Pereira, Aimar, Carlos Martins, Lima e Cardozo

Árbitro Principal: Ovidiu Hategan (Roménia)
Árbitros Auxiliares: Octavian Sovre e Sebastian Gheorghe
4º árbitro: Radu Ghinguleac

Cartões Amarelos: 3; Roderick 53m, Ola John 83m, Maxi Pereira 90m
Cartões Vermelhos: 0

Resultado Final: 2-3; 0-1 Jardel 30m; 1-1 Diabaté 74m; 1-2 Cardozo 75m; 2-2 Jardel (p.b.) 90+1m e 2-3 Cardozo 90+2m; Agregado: 2-4. Apurado: Benfica

Benfica na procura dos quartos de final da Liga Europa por terras gaulesas, onde se esperava ver acompanhado pela habitual falange de apoio que sempre marca presença nestas circunstâncias. Desejava-se pois que a equipa fosse capaz de retribuir o carinho, apesar das baixas de relevo em particular no eixo do sector defensivo. Ainda que as ausências de Luisão e Garay fossem de molde a causar alguma apreensão, já o regresso de Matic - a cumprir castigo no jogo de Lisboa - por seu turno aplaudia-se. Jorge Jesus optaria por mudar o figurino da equipa, voltando a chamar Melgarejo e André Almeida para as laterais, mas no eixo defensivo a suprir as ausências com uma dupla composta por Jardel e Roderick. À frente deles, no meio campo, Matic a 6 e Enzo Pérez a 8, nas alas Ola John e Salvio, e depois a mobilidade de Gaitán no miolo e mais à frente Rodrigo.

Já a equipa girondina, fruto das ausências de Faubert e Rolan - ambos lesionados - também não podia contar com pedras utilizadas na 1.ª mão, o que fazia com que Francis Gillot lançasse Saivet para o lado direito do ataque e Diabaté se assumisse como o ponta-de-lança fixo que a equipa não usara na Luz. De referir ainda que, pese embora o Bordéus a nível interno viesse a defraudar as expectativas na medida que era uma equipa montada para lutar pelos lugares cimeiros e se encontrava a meio da tabela, já a respeito das competições europeias o registo era sobremaneira animador; sem perder em casa há 13 jogos, mais precisamente desde 2006.

Os muitos benfiquistas por entre os 26.609 espectadores presentes no Estádio Jacques Chaban-Delmas assistiam desde logo à expectável entrada forte do Bordéus, agressivo e capaz de logo nos segundos iniciais beneficiar de livre perigoso na direita num lance com Melgarejo. Do lance estudado, resolvia o Benfica, que tentava ir trocando a bola de forma a refrear o ímpeto inicial dos girondinos. Aos 3’ os encarnados chegavam pela primeira vez às imediações da área francesa, na circunstância Gaitán de insistência por pouco não conseguia o remate, o que fazia animar as bancadas; ouvia-se gritar por «glorioso SLB!» como se de um jogo na Luz se tratasse.

Mas os primeiros instantes eram ainda assim de algum domínio francês; ao minuto 4, cruzamento da direita e Diabaté a saltar nas costas de André Almeida para o primeiro lance de algum perigo, com o cabeceamento do maliano a sair ligeiramente por cima da trave da baliza de Artur. De novo o Benfica, a tentar trocar a bola e congelar o jogo, e de novo o Bordéus que chegava até à área de Artur com relativo perigo. Decorrido que era o minuto 8, jogada de insistência e bem gizada por Saivet, e cruzamento da esquerda a obrigar Artur a toda a atenção.

Chegavam os primeiros 10 minutos que traduziam uma boa entrada dos franceses, rápidos sobre a bola e agressivos q.b. Talvez por isso, sem surpresa, não tardou muito que Henrique visse amarelo, depois de uma entrada mais viril sobre Enzo, lance que conduziria a um livre estudado mas do qual nada resultaria. Tempo aos 12’ para Belay rematar cruzado e Artur defender com a ponta dos dedos para canto, e na sequência do mesmo muito perigo; novamente com Belay em evidência e a surgir junto a Artur ainda que de ângulo apertado, e valia o guarda-redes encarnado que levava a melhor sobre o jogador do Bordéus.

Benfica com dificuldades e a pecar sobretudo por jogadas mal definidas no último terço, mas na sequência de mais uma aos 14’ em que Ola John adorna em demasia o lance e depois Matic também acaba por não optar pela melhor solução, aos 16’ surge mesmo uma grande abertura de Gaitán para Rodrigo que no entanto via Carrasso ganhar-lhe o duelo e antecipar-se.

O Benfica estava agora melhor, e o Bordéus ia paulatinamente voltando à sua praia favorita, o contra-ataque, como exemplificava o lance aos 17’ em que culminava num corte falhado de Roderick e um pequeno calafrio na área encarnada. Matic, Enzo e também Gaitán iam tentando soltar o Benfica, enquanto que mais à frente Ola John ia estando bem mais activo na esquerda do que Salvio na direita, incumbido de suster o lateral girondino. Aos 19’, primeiro erro do árbitro, que deixava passar um agarrão a Gaitán.

Chegávamos aos 20 minutos, com o Benfica mais forte e capaz de ir agora controlando as operações e sair de quando em vez, e aos 21’ surgia mesmo a primeira oportunidade clara de golo para os encarnados; Rodrigo e Gaitán trabalham com o segundo a fazer uma excelente abertura para Salvio, e este isolado só lhe falta levar a melhor sobre Carrasso. Oportunidade soberana para praticamente decidir a eliminatória.

Jorge Jesus ia sendo avisado face às sistemáticas violações da área técnica - mais tarde vestiria a farda uefeira alegadamente por as cores se confundirem com as do equipamento da equipa da casa - e aos 24’ nova falta sobre Gaitán não sancionada, ele que ia dando água pela barba aos girondinos, sempre muito activo.

Aos 26’ era então tempo para a defesa encarnada complicar, primeiro Jardel e depois Melgarejo com trocas de bola algo perigosas no sector defensivo, mas aos 29’ era o próprio paraguaio que ganhava canto para a sua equipa. E na sequência do mesmo... golo do Benfica, com Carrasso a ver a bola passar-lhe por entre as mãos e Jardel pleno de oportunidade a aproveitar a benesse para cabecear para a baliza deserta - natural festa nas bancadas e a eliminatória cada vez mais encaminhada.

Passada a barreira dos 30 minutos, com o Benfica a marcar no seu melhor período, mas tentava ainda assim responder o Bordéus. Depois de falta de Gaitán, Obraniak via o amarelo por se antecipar e marcar o livre antes do apito do árbitro romeno, e uma vez resolvida a questão pela defesa encarnada, aos 34’ e depois de comprometedora perda de bola de Gaitán na zona intermédia, valia a pressão de Roderick sobre Diabaté que ainda rematava mas Artur cedia canto. Passava o perigo, e prosseguia o Bordéus na procura do empate. Aos 36’ no entanto era o Benfica que chegava de novo até à baliza de Carrasso; falta sobre André Almeida na direita, cruzamento de Gaitán, e desta vez o guarda-redes francês a segurar sem dificuldades.

O Benfica ia controlando as operações e circulando a bola, ainda que na sua zona defensiva, mas nem por isso era uma equipa curta, sendo que quando o esférico circulava junto à área adversária, assistia-se a um Benfica pressionante, dificultando sobremaneira a primeira fase de construção da equipa girondina. Dispostos em contra-ataque e socorrendo-se muita vez de um jogo mais directo, aos 39’ Diabaté escapa-se nas costas da defesa encarnada mas o lance estava anulado por fora-de-jogo. De contra-ataque em contra-ataque, invariavelmente com Trémoulinas muito activo na esquerda, aos 40’ era ele mesmo quem trabalhava com Belay para André Almeida então ceder canto e Jardel resolver por último. Logo de seguida, numa das poucas falhas de Melgarejo em toda a partida, valia a lentidão de Diabaté.

Tentava chegar ao golo o Bordéus ainda antes do intervalo, aos 42’ e fruto de novo cruzamento da esquerda a bola atravessava a área encarnada e Melgarejo acabava por ceder novo canto, e com vista a complementar o corte era Enzo quem aliviava e Jorge Jesus... quem não gostava da precipitação. Pedia-se que o intervalo chegasse com a vantagem encarnada, mas ainda antes da recolha às cabinas pequeno calafrio, quando Diabaté recebe nas costas da defesa encarnada, e ainda que André Almeida conseguisse intrometer-se, o maliano acabava por atirar às malhas laterais da baliza de Artur, levando mesmo a alguns festejos em certos sectores do estádio por ilusão de óptica.

Chegava o intervalo e com este um excelente resultado que premiava uma boa primeira parte do Benfica, capaz de suster o ímpeto inicial dos girondinos e paulatinamente ser capaz de assentar o seu jogo, marcando mesmo um golo, e sempre com Gaitán em plano de evidência, bem auxiliado por Matic e Enzo que iam constituindo um miolo forte e solidário.

Na reentrada para a segunda parte, embora sem alterações, esperava-se que o Bordéus voltasse à procura de um golo que lhes fizesse acreditar, cabendo ao Benfica naturalmente a responsabilidade de o impedir. Era desde logo o Benfica a equipa que de novo assumia o jogo e tentava controlar as operações, e enquanto Ola John ia decidindo mal de um lado, do outro e decorrido que era o minuto 48, surgia então algum aparato na área encarnada com Trémoulinas na insistência a falhar e depois o cruzamento a chegar finalmente às mãos de Artur.

Acordava então o Bordéus, que tentava chegar até à baliza encarnada, aos 49’ e na sequência de um canto, de novo muito perigo depois de uma insistência que nascia de uma bola perdida pelos encarnados à entrada da sua área, e que conduzia a que Saivet pudesse lançar Sertic que aparecendo na cara de Artur, felizmente tentava assistir Diabaté e levava a bola a sair muito longa e pela linha final. Muito perigo, e prosseguia o Bordéus na procura do tento da igualdade, com Trémoulinas sempre muito activo. Aos 51’ a vez de Saivet rematar em arco da direita mas fora do alvo, e com as dificuldades de novo a aumentar, no mesmo minuto o primeiro amarelo para um jogador do Benfica, na circunstãncia para Roderick que derrubava Diabaté numa saída para o contra-ataque. Da mesma falta, surgia uma bola bombeada da qual o maliano novamente nas alturas e depois de uma insistência acabava por causar de novo algum frissom, e era agora o melhor período do Bordéus, capaz de se acercar da área encarnada e bastas vezes ir cruzando com algum perigo.

Artur defendia um remate prensado entre Rodrigo e Obraniak que deixava este último algo maltratado, e aos 55’ a resposta dos encarnados; primeiro por Enzo, autor de um grande lance individual que por muito pouco não culmina com uma assistência de luxo para Rodrigo, depois de André Almeida, noutro bom lance individual, a que só faltava mais uma vez o último passe.

Melhor novamente o Benfica, aos 56’ era Salvio quem recuperava uma bola junto à area francesa e ficava a pedir canto embora o árbitro romeno assinalasse pontapé de baliza, e nas bancadas ia fazendo-se a festa, gritando-se por «Glorioso SLB». Aos 58’ e depois de novo contra-ataque, Ola John mais uma vez não definia da melhor forma o lance, mas era nesta fase ainda assim o Benfica quem aparecia de novo pressionante.

Aos 59’ Rodrigo ainda se isolava mas a equipa de arbitragem entendia que primeiro havia falta nas costas de Sané, e aos 60’ a resposta por intermédio do incontornável Trémoulinas, que depois de ganhar espaço sobre Salvio, cruzava e obrigava a defesa a punhos de Artur. Entrávamos na meia hora final com o Benfica a refrear a ambição dos franceses, e aos 62’ ainda se pedia mão na área encarnada, após cabeceamento de Roderick contra o braço esquerdo de Matic. O árbitro romeno entendia e bem que era bola na mão, e seguia-se novo lance com Trémoulinas e depois Obraniak a tentarem alvejar a baliza de Artur mas sem grande sucesso.

Na alternância, assitia-se a novo bom período dos girondinos, embora o Benfica não consentisse agora grandes veleidades, e talvez por isso aos 64’ surgia mais um remate do Bordéus, sem grande nexo, de muito longe e muito por cima da baliza de Artur. Respondia o Benfica que beneficiava de novo canto aos 65’ ainda que sem consequências desta vez, e no mesmo minuto a vez de Ola John isolar-se mas ver o lance ser interrompido por fora-de-jogo. Mexia Jorge Jesus, trocando de ponta-de-lança, lançava Cardozo e tirava Rodrigo, e aos 67’ e num contra-ataque conduzido por Salvio, o cruzamento para o recém-entrado Cardozo esbarrava nas mãos de Carrasso.

Mexia também Francis Gillot, aos 68’ fazia entrar Sacko para o lugar de Sertic, e logo no minuto seguinte era o francês recém-entrado quem tentava a sorte de longe mas sem perigo de maior. Chegávamos agora aos 70 minutos de jogo com o Bordéus naturalmente a perder fulgor, e aos 71’ nova substituição na equipa da casa, com Mariano a sair para dar o lugar a Ben Khalfallah. Aos 72’, de um canto cedido a meias entre Roderick e Jardel, Diabaté aproveitava para cabecear ainda que para as mãos de Artur, e ao minuto 74 surgiria mesmo o golo do Bordéus, num lance à partida sem perigo; passe em profundidade com Jardel pressionado a ver a bola bater-lhe nas costas e sobrar para Diabaté, e o maliano ante Artur a bater rasteiro e por baixo do corpo do guarda-redes encarnado.

Restabelecido o empate e o treinador girondino tentava naturalmente incentivar a sua equipa. Mas não tinha muito tempo para analisar o efeito do tento alcançado; minuto 74 e depois de uma jogada bem trabalhada, com Ola John primeiro a trabalhar e depois Gaitán a isolar Cardozo com um bom pormenor, depois o paraguaio com toda a classe a tirar o seu adversário do caminho, sentar Carrasso, e então atirar com toda a frieza para o 2-1. Era o canto do cisne dos girondinos, e seguia-se a festa natural dos adeptos encarnados. Aos 76’ Ola John era derrubado por Khalfallah que via o amarelo e concedia falta na esquerda da qual não resultaria perigo, e pelas bancadas tempo para se pedir... «só mais um!», ainda que fosse o Bordéus quem procurasse o empate.

Aos 79’ era Roderick quem tirava o golo a um adversário e na insistência Artur ficava mesmo algo maltratado depois de um lance com Diabaté. Depois de ser assistido e já aos 82’ após canto ganho por Ola John na esquerda, o próprio holandês via amarelo por demora na reposição. Aos 83’ era o próprio Ola John que saía para ceder o lugar a Carlos Martins, e era tempo então de Gaitán passar para a esquerda.

O Bordéus procurava sair de cabeça erguida e Saivet via Gaitán aos 85’ ceder canto quando se aprestava para rematar, e aos 87’ com o Bordéus a apostar no jogo directo, os girondinos ficavam perto do empate. Tempo então para a última substituição no Benfica, com Salvio aos 88’ a sair para a entrada de Maxi, e aos 90’ e depois de um contra-ataque bem gizado e de grande passe de Carlos Martins para o urugaio, a aberração de um cartão amarelo por pretensa simulação.

Mais perto do penálti do que da simulação, aos 90+1’ e junto da outra baliza surgiria o golo do empate do Bordéus; Jardel na tentativa de aliviar uma bola perdida junto á baliza de Artur, acaba por fazer auto-golo quando tentava aliviar para canto. Perspectivava-se que o jogo acabasse empatado, mas não pensava assim Cardozo; aos 90+2’ e aproveitando um erro do seu marcador directo que lhe mete a bola nos pés, o paraguaio depois de o tirar da frente atira para o terceiro, com toda a calma e classe do mundo.

Um final em beleza que os muitos adeptos encarnados viviam encantados nas bancadas, eles que viam ainda antes do apito final um último lance de nota artística, com Gaitán aos 90+3’ a cruzar da esquerda e Enzo Pérez de mergulho a cabecear para as mãos de Carrasso. Eram os instantes finais - fantásticos - com um estádio em delírio e com os jogadores a corresponderem, e já depois de um remate do Bordéus para as núvens, o apito final chegava e com ele a confirmação da passagem aos quartos de final da Liga Europa.

No espaço de entrevistas rápidas Artur defendia que a equipa saía de Bordéus muito feliz e com a cabeça já a pensar no V. Guimarães. O guarda-redes realçaria também o apoio dos adeptos, defendendo que havia sido como se estivessem a jogar em casa, e deixou o repto para que no Domingo em Guimarães também lá estejam, porque todos são precisos para fazer um grande jogo. Quanto ao sorteio, disse que nesta fase já não há muita escolha porque todas são grandes equipas, mas que o Benfica também é uma delas. Ainda frisou a ideia de que se pensa fase a fase, e quanto a uma comparação entre Benfica e FC Porto, disse que ambos têm um grande grupo, onde não existe cansaço mas sim motivação e força para seguir até ao final.

Entre a flash interview e a conferência de imprensa, Jorge Jesus repisava a tentativa de desvalorização do Bordéus por Portugal, não se coibindo de enaltecer a exibição da sua equipa ante um adversário agressivo e que obrigou a sua equipa a ter o máximo de respeito e a dar a devida resposta. O técnico encarnado negou ter-se tratado de um jogo fácil, defendendo que foi muito intenso e muito cansativo, implicando um grande desgaste emocional e físico, e que agora até Domingo importa recuperar com o pouco tempo que existe.
















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