Ponto Vermelho
Os cuidados nunca são demais!
15 de Março de 2013
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No rescaldo da jornada europeia que se saldou com a eliminação do FC Porto e do apuramento do Benfica através de uma nova vitória em Bordéus, importa tecer alguns considerandos em face da forma como tal foi encarado pela generalidade da imprensa e dos observadores. Os portistas baquearam quando menos se esperava através de uma exibição frouxa e de erros que não se podem cometer em alta competição mas, fundamentalmente, porque a equipa não soube (ou não pôde) manter a identidade que a costuma caracterizar e acabou por ser afastada sem apelo nem agravo por uma equipa que lhe é claramente inferior. Ficou o exemplo.

Por sua vez o Benfica cujo adversário lhe era reconhecidamente inferior (mas não como alguns quiseram fazer crer), tinha uma tarefa difícil pelo habitual agigantamento do adversário em casa em que tem levado sistematicamente de vencida todas as equipas que lhe têm aparecido pela frente nas provas europeias, o que por si só constituía um aviso à navegação. Depois, acresciam dúvidas sobre um relvado alegadamente em mau estado (não houve entretanto quaisquer queixas da parte dos encarnados) que à partida não favorecia a equipa mais técnica como era o caso do Benfica. Como pormenor adicional, alguma apreensão com o facto da zona central da defesa estar desfalcada de ambos os titulares por lesão, embora houvesse confiança no desempenho dos substitutos. O resto que pudesse acontecer seria futebol. Ficou a certeza das alternativas.

Como assistimos, o Benfica soube dar conta do recado e ultrapassar todas as dificuldades que lhe foram surgindo, o que muito ajudou o facto de ter tentado (e conseguido) marcar primeiro dado que tornou desde logo a tarefa do Bordéus mais difícil e complexa. Mas essencialmente porque tentou desde o primeiro minuto manter a sua matriz de jogo e não optou como era hábito acontecer às equipas portuguesas num passado não muito distante, por entrar de uma forma deliberada a defender a magra vantagem alcançada na 1º mão, a menos que, conforme referiu (e bem) Jorge Jesus, o adversário forçasse os encarnados a assumir essa postura que não se coaduna com o seu presente ADN. E isso acabou por fazer toda a diferença. Ficou a confirmação.

Curioso, sem dúvida, tem sido constatar a reacção dos nossos críticos crónicos, quase os mesmos que consideraram obrigatório o apuramento perante o Bordéus. Embora já houvesse uns bitaites dispersos, mal foi confirmado o apuramento encarnado de repente subiu de tom a parada da exigência. O Benfica tinha como obrigação vencer a Liga Europa, dado que as equipas que neste momento estão em prova são adversários menores e que não podem fazer frente ao poderio dos encarnados. E com o sorteio dos quartos-de-final já realizado o contingente por certo engrossará, atendendo a que o adversário que calhou em sorte é inglês e bastante acessível. Ficou a certeza da desconfiança.

Percebem-se as tentativas de desfocalizar as atenções do Benfica do campeonato apesar do FC Porto ter sido a única equipa portuguesa a ultrapassar a Fase de Grupos da Champions, e agora que a (in)justiça desportiva portuguesa em mais um daqueles exercícios que já não nos dá pica porque todos sabemos o que a casa gasta resolveu, como era expectável, confirmar o FC Porto na Taça da Liga fazendo tábua rasa de situações anteriores semelhantes e que recolheram decisões antagónicas. Tal como referimos ontem e o futebol tem destas coisas (excepto o portoguês que é altamente previsível), até podem suceder algumas fortes ironias lá mais para a frente... Fica mais uma vez o registo.

Estamos convictos que a estrutura encarnada está mais do que nunca atenta a estas movimentações à medida que o campeonato se aproxima do fim, e já no Domingo em Guimarães, o Benfica terá, reconhecidamente, uma dos seus mais difíceis testes em que toda a atenção e empenho são necessários para ultrapassar o obstáculo que irá ter pela frente. A resposta dada por elementos da estrutura em como a equipa encarnada está a pensar jogo a jogo é uma estratégia acertada, porque implica que o foco se mantenha concentrado e as atenções não sofram dispersões sobre casos e situações que só irão ocorrer no próximo mês. Cada coisa de sua vez e com os pés bens assentes no chão para evitar surpresas que espreitarão a cada esquina... Fica a necessidade de reforçar ainda mais a concentração.

Neste momento não pode nem deve haver distracções de qualquer espécie. O campeonato é o principal objectivo e como tal é aí que devem estar centradas todas as atenções e empenho, sem prejuízo de se olhar para as outras duas provas ainda em aberto mas cujo timing não sendo de forma nenhuma secundário, permite à equipa encarnada abordá-las numa perspectiva não imediatista, tendo em conta que os jogos a elas referentes não são no imediato e quando chegar a altura terão que ser consideradas naturalmente importantes dado que passam a ser o próximo jogo. Os cantos de sereia já tiveram o seu tempo. Fica o perigo... que espreita!






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