Ponto Vermelho
Apoio contaminado
16 de Março de 2013
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O Benfica tem vivido, até ao momento, uma época com resultados positivos na globalidade, o que tem feito elevar as expectativas dos seus adeptos e simpatizantes. Mau grado a saída prematura da Liga dos Campeões e da Taça da Liga em ambos os casos por culpa própria pois os encarnados podiam e deviam ter ido mais longe em ambas as provas. Digeridos esses percalços, o Benfica assestou baterias no Campeonato que a estrutura definiu como seu objectivo principal, na Liga Europa em que tem tido comportamento meritório e, finalmente, na Taça de Portugal em que falta um jogo para atingir a final no Jamor. Em qualquer dos casos com boas possibilidades de poder atingir o lugar mais alto do pódio. Se vai ou não conseguir isso é que já ninguém pode garantir. Mas como se sabe, pior do que não o ter conseguido é não o ter tentado.

Por várias vezes tem sido enaltecido por vários membros da estrutura o apoio incansável dos adeptos, seja onde for que o Benfica se desloque – dentro e fora do país. À sua espera para os apoiar estão milhares de adeptos e simpatizantes que nunca regateiam o seu apoio, às vezes sabe-se lá com que dificuldades. A título de exemplo podemos citar as duas últimas deslocações ao estrangeiro (Leverkusen e Bordéus) em que ficou bem patente a forte massa humana que esteve nos estádios a puxar pelos jogadores. Não será exagerado afirmar (e isso tem sido corroborado por elementos da estrutura inclusive jogadores) que esses magníficos adeptos têm perfeitamente direito a reclamar uma quota-parte do êxito até agora conseguido, confirmando que todos devemos concorrer para o mesmo fim.

Por ser justo importa destacar os No Name Boys que, onde quer que a equipa se desloque, lá estão eles em força com o entusiasmo e a imaginação próprias da juventude a apoiar de princípio a fim a equipa conforme tem sido repetidamente sublinhado. A fogosidade aliada a alguma inconsciência que costumam estar associadas aos mais novos, costumam dar origem a alguns excessos e provocar algumas situações pouco ortodoxas, atendendo a que num grupo onde se encontram centenas de adeptos tenderá a haver sempre alguns que se distinguem pelos exageros praticados. E esse tipo de situações é potencialmente explosiva porque pode arrastar outros adeptos mais influenciáveis.

Não sabemos se será isso que tem acontecido, mas o que é facto é que começa a ser infelizmente uma imagem de marca associada aos adeptos encarnados daquela claque o lançamento recorrente de petardos, seja nos jogos em Portugal, seja no estrangeiro, como são exemplos Leverkusen (onde foram identificados e detidos os autores da proeza) e mais recentemente em Bordéus. Ninguém pode dizer que ignora os custos associados para o Clube. Sejam eles de natureza pecuniária (conforme assinalou ontem o jornalista Arons de Carvalho no semanário ‘O Benfica’), sejam por força de um castigo muito mais pesado por parte da UEFA cujo inquérito ainda não foi fechado. E com sistemáticas repetições é natural que haja agravamento que pode vir a tornar-se dramático.

Temos noção de que se trata de uma escassa minoria. Mas isso não invalida a acção e a associação de toda a claque a esses actos reprováveis. Porque se alguém faz alguém deixa fazer, acabando por contribuir por omissão para esse despautério que há muito já deveria ter sido eliminado. Continuamos a não perceber a razão para que depois de tantos avisos e chamadas de atenção e da divulgação semanal das multas aplicadas pela Liga Portuguesa, possam continuar a existir pessoas que à revelia do bom senso e das regras de comportamento público, provocam continuamente as mesmas situações, mesmo quando recebem ao vivo uma manifestação inequívoca de repúdio por parte da esmagadora maioria dos adeptos presentes. Não sabemos se sentem alguma necessidade de auto-afirmação, se gostam de provocações gratuitas, ou se lançam os petardos pura e simplesmente pelo prazer de os ouvir rebentar. Só eles o poderão dizer. Mas que estão a esgotar a paciência dos outros adeptos é já um facto consumado.

Neste momento estamos com sérias dúvidas que o problema se resolva apenas por apelos à consciência dos lançadores dos petardos. Se olharmos para os constantes pedidos para que não sejam lançados objectos pirotécnicos, encontraremos uma única excepção satisfeita – o jogo com o Bayer Leverkusen na Luz. E isso é manifestamente irrelevante para que a UEFA deixe de ter o foco a incidir permanentemente sobre o Benfica. Sabemos que se trata de um problema muito mais vasto e que não se esgota nesse facto. É um facto transversal á sociedade desportiva portuguesa tradicionalmente permissiva a estas acções, pelo que urge actuar sob pena da situação se tornar de todo incontrolável.

Voltamos por isso a insistir na necessidade de na prometida revisão da lei do policiamento por parte do MAI serem convocados todos os elementos que possam dar o seu contributo para a erradicação de todos os aspectos que potenciem violência, porquanto já se percebeu que os clubes que também não estão isentos de culpas, são ultrapassados por factos e situações que os transcendem e que deverão ser objecto de uma cuidadosa análise por parte dos poderes instituídos. É pois premente que seja encontrada rapidamente uma solução que contemple todos estes handicaps de segurança para que se possa dizer que podemos ir tranquilamente assistir a um espectáculo desportivo sem receio que aconteçam aqueles tristes acontecimentos que todos temos ultimamente presenciado. Continuamos a achar que não será difícil. Ainda sobre os petardos: não identificaram prontamente os alemães os autores? Porque não somos nós capazes de fazer o mesmo? Será assim tão difícil?






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