Ponto Vermelho
Embrulhadas
17 de Março de 2013
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A Comissão de Instrução e Inquéritos da agora denominada Liga Portugal, optou por mais um caso de arquivamento do chamado caso Paulo Pereira Cristóvão. Para comprovar o despautério a que chegámos na (in)justiça desportiva, basta dizer que, objectivamente, é a segunda vez que o caso é arquivado (presumimos que não tenha ficado bem catalogado da primeira!) pois já há algum tempo o próprio Conselho de Disciplina já tinha cometido idêntica proeza. Foi uma semana aziaga para a novel CII que na mesma semana já tinha visto o Conselho de Justiça negar provimento ao seu recurso sobre a questão das 72horas demonstrando por unanimidade que 71h45m por arredondamento, atingiam as 72 h. Sobra sempre imaginação aos portugueses para ajustarem as leis e os regulamentos à medida das conveniências dos interessados seleccionados que assim continuam a ganhar recursos atrás de recursos junto da (in)justiça desportiva. Mas que foi terrível para a CII duas derrotas numa semana lá isso foi. Acontece e fica a lição!

Pinto da Costa que mais uma vez teve oportunidade de constatar que a justiça desportiva portuguesa ainda é o que (quase) sempre foi ao longo dos últimos trinta anos e que acabou por lavar um incrível erro administrativo da estrutura de sonho que nunca falha, voltou a poder contar com essa mesma justiça que lhe concedeu em bandeja de prata a vitória na secretaria. Sabe sempre bem poder contar com órgãos que sabem reconhecer os superiores interesses do clube azul e branco e a sua cruzada contra o centralismo da capital, permitindo que a final possa ser disputada entre dois clubes do Norte. Só que, isso criou um problema adicional ao decano presidente portista que de repente ficou com a criança nos braços e com dificuldades para gerir esta inesperada dádiva. Que fazer agora com a Taça da Cerveja? Promovê-la e rebaptizá-la? Provocar suspense sobre a participação do FC Porto? Os próximos episódios prometem…

Aproximando-se a passos largos os momentos decisivos da época e em particular do campeonato, começam a multiplicar-se os indícios e a surgirem aqueles casos estranhos em que o futebol portoguês é tão fértil e que nos fazem duvidar a cada passo da bondade das suas coincidências. O SC Braga-Benfica para a Taça da Liga foi disputado há já 18 dias e de negativo, para além da eliminação dos encarnados, tinha acontecido o que infelizmente é normal nas deslocações dos encarnados a zonas muito determinadas do Norte do País – mais um ataque com blocos de cimento ao autocarro encarnado que felizmente e por acaso não teve coincidências mais graves. Não houve conhecimento público de nada mais de relevante. Mas, por curiosa coincidência, ontem à noite um canal televisivo divulgou imagens em que supostamente adeptos benfiquistas teriam agredido seguranças privados no Estádio dos bracarenses.

Como é hábito as notícias são habilmente redigidas para lhe transmitirem o efeito que se pretende na opinião pública que sabe-se reage por impulso ao produto que lhe querem impingir. Estamos há vontade sobre este tipo de assuntos porque ainda que modestamente, temo-nos batido pela erradicação de qualquer tipo de violência dos recintos desportivos. Seja onde e seja quem for. Logo, assiste-nos alguma legitimidade para questionar o conteúdo de notícias que pela sua natureza deveriam manter-se em segredo de justiça uma vez que o M.P. já estará a investigar. Estranhamos por isso que tenham vindo a lume nesta altura e com pormenores (por exemplo um adepto com um ferro na mão), que nos leva a questionar de forma directa a segurança privada do Estádio Axa e as próprias forças de segurança sobre como é possível a alguém entrar num estádio com uma arma daquele tipo. Além de que o que terá dado origem a que os alegados adeptos «tenham agredido a murro e a pontapé os seguranças».

Esta situação (mais uma) requer mais do que nunca que sejam tomadas medidas urgentes que passam não só pela revisão da lei do policiamento mas pela aplicação das medidas previstas na legislação em vigor. E tal deve ser feito de uma forma abrangente, transversal e de forma a que os causadores de distúrbios e de violência sejam julgados e se sintam desincentivados a prosseguirem nas suas actividades condenáveis que só causam problemas aos clubes, à segurança e aos outros espectadores que apenas reclamam poderem ver um espectáculo desportivo com tranquilidade e sem receio de qualquer espécie. Mas isso não pode, como tem acontecido, fazer-se de uma forma avulsa e descriminatória consoante as cores das camisolas ou as regiões do país onde tais actos são praticados. Se alguma vez tivermos um tipo de actuação pela defesa dos princípios de um Estado de Direito que impeça a prática de violência e se paute pela coerência de atitudes e de actuação, estamos certos que olharemos para esse fenómeno de uma forma muito mais assertiva. E isso, será meio caminho andado para que entremos no bom caminho…










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