Ponto Vermelho
Vitória de Guimarães - Benfica
17 de Março de 2013
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Liga Zon Sagres 2012/2013 - 23ª Jornada
Estádio D. Afonso Henriques - 20:30

Benfica (Titulares): Artur Moraes, Maxi Pereira, Garay, Jardel, Melgarejo, Matic, Enzo Pérez, Gaitán Ola John 79m), Salvio, Lima (Rodrigo 88m) e Cardozo (Aimar 86m)
Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, André Almeida, Roderick, Aimar, Carlos Martins, Ola John, Urreta, Rodrigo

Árbitro Principal: Paulo Baptista (Portalegre)
Árbitros auxiliares: Valter Rufo e José Braga

Cartões Amarelos: 1; Óscar Cardozo 66m
Cartões Vermelhos: 0

Resultado Final: 0-4; 0-1 Óscar Cardozo (pen) 38m; 0-2 Garay 61m; 0-3 Salvio 82m; 0-4 Rodrigo 90+5m

Benfica de regresso a Guimarães, local onde há sensivelmente ano e um mês atrás começara a derrapar para deixar escapar irremediavelmente um título que parecia muito bem encaminhado. Ainda que em circunstâncias diferentes, até pelo empate do FC Porto na Madeira horas antes que permitia ao Benfica em caso de vitória descolar na liderança para quatro pontos sobre os dragões, havia sido em 2009/10 a última vitória do Benfica em Guimarães em partidas a contar para a Liga, pelo que se esperava tudo menos facilidades. Com Luisão na bancada e Garay a recuperar da luxação no ombro, Jorge Jesus optaria por uma dupla de centrais composta pelo argentino e Jardel, fazendo Maxi Pereira voltar à lateral direita. Daí para a frente, num sistema de dois avançados, a única novidade prendia-se com o regresso de Gaitán à esquerda em detrimento de Ola John.

O jogo começava com o Benfica a tentar controlar as operações sem se expor demasiado. Logo ao minuto 1 surgia a primeira boa oportunidade com Lima isolado por Cardozo a aparecer na cara de Assis que no entanto conseguia ainda assim cabecear o esférico e com isso dar preciosos segundos à sua defesa para recuperar. Na insistência da esquerda do brasileiro do Benfica, já sem ângulo para atirar à baliza, a bola acaba por chegar a Maxi Pereira que ainda entrava pela direita mas acabava por perder para a defesa vimaranense que deixava a bola perder-se pela linha final.

Começava bem o Benfica, mas seria contudo o Vitória de Guimarães que de imediato reequilibraria as operações. Aos 2’ chegava pois a resposta, ainda que tímida por via de um remate fraco e ao lado da baliza de Artur Moraes, mas um aviso. Prosseguiam os pupilos de Rui Vitória na tentativa de se acercarem da área encarnada, e na sequência de um lançamento lateral aos 4’ e de um mau alívio de Salvio, instalava-se alguma confusão na área encarnada com Artur e Soudani a dividirem uma bola e a verem o esférico perder-se pela linha final.

Era um arranque com ambas as equipas ao ataque, e depois de aos 5’ ser de novo Assis a ter de sair da sua área a pontapé, aos 6’ e na sequência de falta de Maxi sobre Soudani, Tiago Rodrigues aproveitava o mesmo livre lateral - perigoso (a 33m da baliza) - para bater directo à baliza e obrigar Artur a ceder canto com uma boa estirada. Respondia Salvio ainda que sem perigo, e íamos assistindo a mais Vitória de Guimarães, muito agressivo e capaz de ganhar constantemente as segundas bolas.

Tentava o Benfica responder, um lançamento alegadamente mal efectuado por Maxi Pereira causava algum frisson, e chegávamos aos 10 minutos com um Benfica de contenção ante um Vitória de Guimarães pressionante e surpreendentemente superior nos minutos iniciais. Mais disposto em contra-ataque, ainda aos 10’ Matic lançava a ofensiva e era Lima quem entrava na área pela esquerda, contudo o seu passe acabava por não chegar a Cardozo, e aos 15’ de novo Artur chamado a intervir, defendendo um remate de Amido Baldé que possante na direita, ganhara espaço sobre Garay e atirara com relativo perigo.

Apesar de haver mais Vitória, aos 17’ chegaria a primeira grande oportunidade e pertencia ao Benfica; depois de um cruzamento da direita de Salvio, Jardel aparecia solto na área e na zona frontal, mas o cabeceamento falhava por pouco o alvo. Aos 18’, tempo de novo fora-de-jogo mal assinalado a Lima num ataque promissor da equipa do Benfica, e depois de uma fase incaracterística do jogo com a bola a ser jogada muito pelo ar, chegávamos aos 20 minutos iniciais, muito disputados e com sinal mais da equipa da casa.

Aos 21’ Soudani mergulhava na área encarnada - viria a ser recorrente - num lance em que Maxi lhe ganha a posição e o público vimaranense protestava sem razão, e continuava-se a assistir a muitas dificuldades do Benfica, que não conseguia fazer o jogo que lhe convinha e via o Vitória de Guimarães ser mais agressivo, ganhando as operações a meio campo e não raras vezes beneficiando de lances de bola parada ao jeito de Tiago Rodrigues; como aos 22’, quando de um livre e de um canto nada resultava. Parada e resposta, respondia o Benfica em contra-ataque e no mesmo minuto, com Lima, Cardozo e finalmente Gaitán na esquerda a cruzar para a defesa adversária resolver, e já depois de nova investida vimaranense, interrupção para assistência a Enzo que se queixava do pulso.

Nova ameaça do Vitória de Guimarães aos 25’, com Artur a defender remate fortíssimo de Ricardo à figura, e com o Benfica a não segurar o jogo quem ia desesperando era Jorge Jesus, que via a equipa da casa com processos bem mais simples ir conseguindo levar a água ao seu moinho e ter ascendente sobre o seu conjunto. Aos 28’ ainda assim, nova grande oportunidade e novamente para o Benfica, quando numa contra-resposta Maxi em esforço deixa a bola ao alcance de Gaitán que cruza para Cardozo cabecear - de forma algo egoísta porque tinha Lima em melhor posição - e levar a bola a passar lentamente junto ao poste direito da baliza de Assis.

Parecia acordar o Benfica, aos 29’ na sequência do canto batido por Salvio nada resultava, mas na insistência o cruzamento de pé esquerdo de Enzo da ala direita deixava Gaitán a poucos centímetros do cabeceamento de zona previlegiada. Chegávamos então à meia hora inicial com o Benfica a melhorar, e aos 31’ numa jogada bem gizada em que Melgarejo entrava pela esquerda, o seu cruzamento por pouco não encontrava ninguém. Aos 33’, novo fora-de-jogo mal assinalado a Lima depois de um belo passe de Melgarejo, e entrávamos numa toada mais morna, com ambas as equipas a recorrerem de quando em vez a um jogo mais directo.

Aos 35’ o Benfica acabaria por beneficiar de oportunidade soberana para se colocar na dianteira. Falta sobre Gaitán a meio campo, perspicácia do argentino que marca rapidamente o livre e isola Lima, e o brasileiro com Assis pela frente a contornar o guarda-redes vimaranense e a acabar por ser derrubado por El Adoua quando se aprestava para atirar à baliza. Não entendia assim Paulo Baptista, que apesar de assinalar grande penalidade apenas admoestava o central do Vitória de Guimarães, e todos a postos para a grande penalidade dois minutos volvidos (37’) - em que não faltou sequer o rebentamento de um petardo lançado pela claque vimaranense -, chamado à conversão Cardozo colocava bola para um lado e guarda-redes para o outro, inaugurando o marcador.

O Benfica marcava no seu melhor período e via o jogo correr-lhe de feição, e depois de tentativa ténue de resposta da equipa da casa, aos 40’ surgia nova bela jogada dos encarnados finalizada com mais um belo passe de Gaitán para Cardozo, depois de entendimento entre o argentino, Lima e Melgarejo. Aos 42’ Matic derrubava Baldé e do livre marcado por Leonel Olímpio nada resultava senão um remate contra as costas de Lima, e na resposta de novo muito perigo na área vimaranense, com Lima a escapar-se pela direita nas costas da defesa adversária e a efectuar cruzamento rasteiro que acabava por ser no entanto resolvido por Paulo Oliveira. Ainda antes do intervalo, aos 45’, remate de longe de Salvio a sair ao lado da baliza de Assis, e aos 45+1’ e depois de falta feia de Kanu sobre Cardozo, o lateral vimaranense a ver amarelo.

Chegávamos ao intervalo com o Benfica em vantagem e premiado por ter sido a melhor equipa na primeira parte, aquela que beneficiara das melhores oportunidades e tivera maior domínio. Para a segunda pedia-se naturalmente que o Benfica mantivesse o pé na tábua de forma a chegar ao segundo golo e ganhar alguma tranquilidade.

E assim seria, ainda que sem alterações, a segunda parte trazia desde logo um início dinâmico com o Benfica pressionante e a dominar as operações, e com o Vitória de Guimarães remetido ao seu meio-campo. Logo no minuto inaugural Paulo Oliveira cedia canto que Gaitán marcava, e na insistência era Assis a ter de sair dos postes para resolver o perigo.

Com o Benfica instalado no meio-campo adversário, aos 48’ surgia novo pontapé de canto, e já depois de novo lançamento alegadamente mal marcado segundo o assistente - que levava Salvio ao desespero -, aos 50’ e depois de falta sobre Enzo Pérez, Cardozo tinha oportunidade para alvejar a baliza de Assis. Contudo, do livre estudado, o passe do paraguaio saíria demasiado longo e perdia-se pela cabeceira.

O Benfica ia estando muito bem, aos 51’ Lima descia pela esquerda e era El Adoua quem cedia novo canto que culminaria em cabeceamento de Garay ao lado, e aos 54’ e depois de tesoura de Leonel Olímpio sobre Lima, amarelo justificadíssimo mostrado ao jogador vimaranense. Não entendia assim Rui Vitória, que no banco ainda assim estrebuchava, não se percebia bem com quê.

Lima recebia uma bola na esquerda aos 56’ e depois de flectir para o meio rematava fortíssimo para defesa a dois tempos de Assis, e tentava responder o Vitória de Guimarães, com Soudani aos 57' a entregar-se novamente a algumas teatralidades num lance com Jardel. Tentava - e conseguia - serenar o jogo o Benfica, e via novo lance capital do jogo surgir logo de seguida; minuto 59’, incursão pela esquerda de Melgarejo que passa por Kanu que apenas toca a bola de raspão e acerta em cheio no paraguaio, e Paulo Baptista a mostrar-lhe justificadamente o segundo amarelo e a deixar o Vitória de Guimarães reduzido a 10.

Como um azar nunca vem só, do livre marcado aos 61’ à primeira a defesa vimaranense ainda resolvia, mas na insistência o Benfica chegaria mesmo ao golo; cruzamento da esquerda de Gaitán a atravessar a área vimaranense, e Garay do lado oposto com classe a fazer a bola passar por cima de Assis, marcando o 2-0. O Benfica com o jogo a correr de feição, e de lamentar era apenas o rebentamento de mais um petardo, desta feita junto a Artur e que obrigava a nova interrupção.

Os atletas condenavam a atitude da claque do Vitória de Guimarães, pedindo serenidade, e no reatamento o Benfica a controlar o jogo e a fazer circular a bola a seu bel-prazer. Aos 69’ de novo o Benfica a criar muito perigo, primeiro fruto de uma bela jogada, depois de sucessivas insistências com Gaitan e Melgarejo a cruzar para o corte inicial de Luís Rocha; depois com o mesmo Gaitán a insistir com Salvio e Maxi do flanco oposto; finalmente com Gaitán a atirar torto e pela linha final depois de uma bola que sobra de lance dividido entre Paulo Oliveira e Cardozo.

Gaitán ia estando em excelente plano, e aos 71’ novo grande passe da esquerda a encontrar Cardozo que assistia de cabeça Salvio que depois de trabalhar bem sobre o seu adversário via Paulo Oliveira surgir na dobra e roubar-lhe o golo. Mexia Rui Vitória aos 72’, fazendo sair André André para dar o lugar a Marco Matias, mas só dava Benfica que ia fazendo uma segunda parte de muita qualidade. Aos 74’ e na sequência de novo canto estudado, Melgarejo e Lima assistiam Jardel mas El Adoua mais uma vez cortava, e na resposta aos 76’ e também por depois de dois pontapés de canto a favorecer o Vitória de Guimarães, a formação de Rui Vitória tentava reduzir.

Sempre mais perigoso, aos 77’ Salvio ficava a centímetros do terceiro, acabando por atirar à base do poste esquerdo da baliza de Assis, mas seguia-se o lance de maior perigo dos vimaranenses em toda a partida; Tiago Rodrigues cruzava com conta, peso e medida da esquerda aos 78’, e Baldé entre os centrais encarnados a cabecear fortíssimo para grande defesa de Artur que não conseguia segurar a bola à primeira e via a recarga de Baldé ir parar-lhe felizmente às mãos.

Mexia também Jorge Jesus, aos 79’ Ola John entrava e saía Gaitán, e enquanto o Vitória de Guimarães ia tentando conforme podia, do outro lado o Benfica ia controlando as operações, congelando o jogo fazendo circular a bola, e chegando até às imediações da área contrária sem grande dificuldades. O 3-0 chegaria pois com toda a naturalidade; decorrido que era o minuto 82, belo passe de Enzo a isolar Salvio, e o argentino a contornar Assis e a atirar para o terceiro.

Sucedia-se nova interrupção depois de novo petardo rebentar e deixar Artur naturalmente perturbado, e aos 86’ a vez de Cardozo sair para render Aimar. Aos 87’, fora-de-jogo bem assinalado a Ola John, aos 88’ Lima - excelente jogo - a sair para dar o lugar a Rodrigo, e aos 89’... mais um fora-de-jogo mal assinalado a Ola John.

Entrávamos nos 5 minutos de compensação com o Benfica a circular a bola, sem deixar o Vitória de Guimarães respirar e a ameaçar a goleada, e aos 90’ Aimar primeiro isolava Salvio que rematava contra Assis, e depois tentava a insistência que lhe saía mal. Sem o Vitória de Guimarães conseguir sair, aos 90+1’ Enzo tabelava com Aimar, entrava pela esquerda, e valia aos vimaranenses El Adoua a ceder canto.

Mas o 4-0 surgiria mesmo pouco depois, com Maxi a cruzar da direita, Assis a defender para a marca da grande penalidade, e depois Rodrigo na insistência a fuzilar para a goleada. Seguia-se o apito final com o Benfica a golear numa das deslocações mais complicadas do calendário e a dar mostras de uma enorme vitalidade numa 2.ª parte de grande nível.

Na flash interview Garay falava de uma partida complicada ante uma equipa que é muito forte em casa, mas defendia que o Benfica estivera bem. Quanto a estarem porventura motivados pelo facto do FC Porto ter empatado horas antes, o central do Benfica defendeu que apenas pensam jogo a jogo e no seu próprio trabalho, e a respeito da dupla com Jardel disse trabalharem durante a semana para que as coisas corram bem.

Jorge Jesus por seu turno, questionado quanto à eficácia, disse que esta faz parte do poder das equipas e às vezes a diferença até reside aí, e quanto ao jogo propriamente dito disse ter visto uma primeira parte com um Vitória de Guimarães muito agressivo e a defender bem, pese embora o Benfica ter tido um posicionamento que tentou correr menos riscos. O técnico disse que depois da meia hora inicial os jogadores mais criativos começaram aparecer mais em jogo, e que depois de alguns foras-de-jogo mal assinalados o Benfica chegou naturalmente ao golo. Quanto à 2ª parte defendeu que a equipa entrou bem e que depois com a expulsão no adversário os golos foram aparecendo. A respeito da maior ou menor pressão de jogar antes ou depois deixou para que os jornalistas avaliassem - não perdendo a oportunidade de uma indirecta a Luís Freitas Lobo que havia defendido tese contrária - e quanto ao futuro e aos 4 pontos de vantagem a certeza que apenas se preocupam com o que o Benfica faz. Por último, a respeito dos 5 pontos de vantagem desperdiçados em 2011/12, disse que é tudo diferente e no que resta prosseguirem humildes como sempre e com a mesma responsabilidade de percorrer etapa a etapa.

Comentário Final: Este era um dos jogos-chave do campeonato em que só interessava vencer para manter bem vivo o sonho do título, reforçado pelo facto do nosso principal concorrente ter deixado 2 pontos na Madeira. Pela frente no entanto apresentava-se uma equipa vimaranense muito jovem mas que tem dado muito boa conta de si e daí terem chegado a este jogo no 5º lugar da tabela.

O jogo começou com o Benfica a atacar e logo no 1º minuto podia ter chegado ao golo por Lima não fosse a rápida saída de Assis que defendeu o remate com a cabeça. Os encarnados tentavam atacar mas a defesa do Guimarães muito subida não dava muitos espaços e tentava sempre que possível abeirar-se da baliza de Artur ainda que sem grande sucesso.

Com o jogo equilibrado, nova boa situação por Jardel que de cabeça na zona central perdeu o ensejo de desfeitear Assis. O jogo continuava com muita luta em todas as zonas do terreno com os vimaranenses a dar muito boa conta de si.

Novamente de cabeça desta vez Cardozo atirou fora do alcance do guarda-redes mas a bola saíu a razar o poste gorando-se nova oportunidade. Aos 38m o Benfica ganhou um livre na zona esquerda da intermediária que foi marcado rapidamente por Gaitán para Lima que se isolou, passou Assis mas sofreu falta de El Adoua. Na marcação do penalty Cardozo não perdoou e estabeleceu o resultado que se verificava ao intervalo de um jogo muito interessante.

No recomeço o Benfica entrou bem mas rapidamente o jogo voltou à toada anterior com algum equilíbrio e com o Vitória de Guimarães a dar excelente réplica. Contudo, no momento em que o Benfica já estava por cima no jogo sucedeu a expulsão de Kanu e com a marcação quase imediata do 2º golo, o Vitória caiu física e animicamente e o Benfica foi gerindo o jogo até final consolidando o resultado que poderia até ter sido superior.

Vitória indiscutível do Benfica ainda que com resultado um pouco pesado atendendo à resposta dada pelos jovens vimaranenses.

Todos os jogadores do Benfica estiveram em bom plano, mas há que destacar a grande exibição de Gaitán em todo o tempo que jogou.

O árbitro esteve bem, mas o mesmo já não se poderá dizer do fiscal de linha que tirou vários foras de jogo inexistentes quando os jogadores do Benfica estavam em boa posição de marcar.














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