Ponto Vermelho
De que é que estão à espera?
18 de Março 2013
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Mais uma semana se passou e mais sintomas de violência eclodiram na sociedade portuguesa com o futebol em destaque, apenas e só porque como espectáculo de massas permite que dele se sirvam para levar por diante interesses violentos de quem há muito devia estar banido de assistir ou participar em qualquer espectáculo desportivo. Mas os brandos costumes que caracterizam os que por inerência da função deveriam actuar e pôr cobro a todos os desmandos não importa de onde, continuam a fazer escola. Mas, até aí, se verifica um parcialismo inconcebível, tentando ludibriar a opinião pública com a aposição de rótulos para tentarem apenas incriminar uma parte, como se o problema não fosse transversal a toda a sociedade.

É um facto indiscutível que os que ocupam lugares de governação pela sua impreparação, incompetência e por estarem subordinados a vastos interesses centralizados, há muito que deixaram de encontrar respostas para os problemas mais candentes da sociedade e dos cidadãos. Sob uma capa democrática têm praticado todo o tipo de desmandos anti-sociedade, com uma prática que contraria em tudo o que prometeram ao povo na antecâmara do poder. Sem pudor, sem vergonha e sem se preocuparem com os milhares e milhares de cidadãos que sofrem e padecem pela prática abominável destes pseudo-governantes que a cada dia que passa se revelam mais arrogantes, mais determinados em vender ao desbarato o pouco que resta deste país e de todo insensíveis ao imenso sofrimento de todo um povo.

Natural pois que o fenómeno futebolístico seja aproveitado para exprimir uma forte indignação e simultaneamente para que os elementos mais radicais se infiltrem junto das massas adeptas dos clubes para provocarem agitação sob as mais diversas formas. É um fenómeno conhecido de há muito dos governos, das forças de segurança, dos clubes e das autoridades desportivas, mas em termos práticos pouco ou nada foi feito para atacar de frente um problema que ameaça, a cada passo, tornar-se verdadeiramente incontrolável. A cada semana que passa vão acontecendo fenómenos de violência que, por serem noticiados e públicos ninguém que seja responsável pode alegar que os desconhece. A menos que, estejam à espera que eles se venham a resolver por si. Não vão certamente como facilmente se deduz.

Nas derradeiras semanas, o tão belo e verdejante Minho tem sido fustigado por notícias que dão conta de fortes sintomas de violência localizada antes, durante e após jogos de futebol, tendo como quase exclusivo denominador comum alegados adeptos ligados ao SC Braga. Em boa verdade já tinham começado muito antes, se atendermos àquilo que se tem passado por exemplo em jogos com o Benfica como todos estamos recordados, em que é impossível dissociar pelo menos uma parte da estrutura dos espectáculos indecorosos que em nada abonam os pergaminhos do clube bracarense. A despeito do saldo estar a ser maioritariamente favorável aos anfitriões, as provocações de baixo nível de alguns elementos com responsabilidades têm sido constantes, para que se possa dizer que são mero fruto do acaso. E, quando assim é, isso representa um sinal claro para a radicalidade de alguns adeptos que não perdem tempo em enveredar por caminhos que lhes deveriam estar vedados, se por acaso houvesse a actuação célere que se impunha das autoridades.

Sabe-se que após o pontapé de saída ser dado se não houver nenhuma intervenção, que os problemas tendem a agravar-se e a transformarem-se em bolas de neve imparáveis. E também não tem sido por acaso que nos últimos jogos tem havido constância. Os adeptos do Paços de Ferreira, do Leixões, do Belenenses, do V.Guimarães (aqui com a desculpa da rivalidade) e agora os do Sporting, sofreram na pele os sintomas de violência que já se vinham registando. E por mais que a estrutura bracarense apele ao bom senso dos adeptos para se absterem de entrar por esses caminhos, é evidente que o êxito da iniciativa está de antemão condenada ao insucesso. Impunha-se, há muito, uma intervenção das autoridades para pôr fim ao problema que, repetimos, é transversal e não apenas de um clube ou de uma região.

No fim de semana passado fomos surpreendidos por uma acção-surpresa de uma estação televisiva que passou umas imagens mal amanhadas captadas por câmaras de vigilância onde alegadamente surgiam adeptos a agredir seguranças (homens e mulheres) com ferros o que revelava desde logo algum dramatismo noticioso. Por curiosa coincidência eram adeptos do Benfica e ainda mais curioso foi o facto dessas mesmas câmaras que não conseguiram registar as agressões perpetradas por elementos dessa mesma segurança em 31 de Outubro de 2009 a Óscar Cardozo que recebeu como prémio a expulsão já dentro do túnel pelo árbitro portuense Jorge Sousa que depois se veio a confirmar que não tinha visto mas apenas lhe tinham contado…

Nem sequer seria preciso pertencer à organização de segurança montada pelo ex-V.P. do Sporting, Paulo Cristóvão para espiar os jogadores leoninos, para se perceber de imediato de onde partiu a cedência das imagens à estação televisiva. Os objectivos são passíveis de interpretação clara – tentar deitar poeira no ar na esperança que quando ela assentar apague como que por artes mágicas a vergonha que têm sido os atentados sistemáticos contra os direitos dos adeptos visitantes que têm, tentado, assistir aos jogos com o clube da casa. Quanto à estação de televisão terá que fazer uma reciclagem urgente nos seus alinhamentos para conseguir resistir ao impacto que a partir de ontem passou a ter com a concorrência do canal 8.

Enquanto se fabricam fait-divers para entreter a populaça e pô-la a discutir aquilo que (não) interessa para resolver a questão candente da violência, continuam a passar as horas e os dias sem que nenhuma medida concreta seja anunciada para lhe tentar colocar um ponto final. Tirando umas multazinhas para desfalcar as tesourarias dos clubes e encher os depauperados cofres da Liga, nada de relevante foi anunciado para dar um sinal e devolver a esperança aos adeptos que até não exigem muito – apenas poder assistir tranquilos a espectáculos desportivos. Faça-se o que tem que se fazer, ataque-se onde for necessário, julgue-se e castigue-se quem justificar punição. Agora não se fique inerte a assistir a este indecoroso espectáculo onde já campeia a violência, à espera que os prevaricadores se passem a portar bem... De que é que estão à espera?




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