Ponto Vermelho
Indícios ou algo mais...
20 de Março de 2013
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Continua acesa a discussão no interior do FC Porto e nas habituais áreas circundantes que costumam exprimir publicamente os recados para os jogadores que não cumprem fielmente todas as directrizes instituídas na magna carta do Dragão. Tem sido assim desde que Pinto da Costa passou a ver na sua principal claque um precioso aliado, e dando de barato o pushing das renovações encalhadas, recordamos episódios com treinadores (o holandês Co Adriaanse foi apenas um deles) e um ror de jogadores que em determinado momento desabafaram em público ou mostraram pontualmente insatisfação. O último caso foi o de Varela que tem sido particularmente fustigado com críticas impiedosas por parte de um dos oficiosos portistas – Miguel Sousa Tavares – que sempre que tem oportunidade não perde o ensejo de desancar no Drogba da Caparica. A julgar pela reacção ao ser substituído na Madeira pouco tempo depois de ter entrado para o lugar do lesionado Atsu, é de crer que a exemplo de tantos outros chegou ao fim da linha no Dragão.

Este tipo de gestão musculada parece ter seguidores em vários tabuleiros. Ainda hoje temos o exemplo com José Ribeiro do Record. Terá sido certamente a que a estrutura de sonho considerou mais ajustada para fazer face aos desafios que tinha pela frente, articulada com um leque de múltiplas posições em sectores do futebol e da sociedade, numa pretensa simbiose assente em teorias dogmáticas que foram levando a água ao seu moinho com mérito próprio, sem dúvida, mas essencialmente por se basearem em desvirtuações sistemáticas do que a história tem dado conta até à exaustão. Há também que reconhecer o demérito dos seus principais concorrentes. Sobretudo de um que abdicou de ter vida própria para se entregar por um prato de lentilhas com espírito subserviente que, como não poderia deixar de ser, o conduziu para situações impensáveis. Esperamos que tenham aprendido de vez a lição.

Uma organização que abranja diversas áreas e tenha no seu seio uma multiplicidade de profissionais terá, como é óbvio, que obedecer a uma bem estruturada organização sem a qual não conseguirá atingir os objectivos definidos. E quando se trata de um clube de futebol de grande dimensão composto por centenas e centenas de profissionais jovens, o risco aumenta exponencialmente se não forem cumpridas regras previamente definidas e que deverão ter como fim uma harmonia global que não ponha em causa os objectivos traçados. Daí que existam algumas regras que poderão pecar por algum exagero mas em que os abrangidos deverão ser os primeiros a perceber o alcance das mesmas. Compete pois à organização de cada clube estabelecê-las de harmonia com aquilo que pensa que será o mais eficaz para que hajam desvios.

Sendo normal acontecerem casos em todos os clubes (o Benfica não tem fugido à regra), seria também banal que o seu eventual empolamento fosse tratado de uma forma equitativa pelos media e, se tivesse que haver uma graduação, seria lógico que o maior destaque teria de ser para os portistas por na última trintena de anos terem dominado (o como agora não interessa) o futebol português no que à maioria dos títulos diz respeito. Mas não foi isso que aconteceu, apresentando-se como justificação o facto da marca-Benfica ser muito mais poderosa e o clube ter muito mais adeptos. Logo interesses comerciais subjacentes que não são nem nunca foram de desprezar. Sobretudo em tempos de crise. E, por outro lado, porque ao longo dos anos a organização exemplar do FC Porto foi conseguindo abafar os seus próprios problemas.

Se tudo isso é verdade, não nos podemos esquecer, contudo, de uma outra importante vertente. É que a exemplo de muitos outros sectores, o da comunicação social por desempenhar um papel vanguardista junto da opinião pública e para além dos interesses de natureza comercial a que aludimos, foi invadido por freteiros ao serviço da estrutura que tinham um trabalho duplo; por um lado atacar qualquer alegada vulnerabilidade dos encarnados especulando o mais possível e, por outro, silenciando sempre quaisquer situações menos agradáveis do reino portista, branqueando quando os factos que poderiam pôr em causa a fiabilidade da estrutura passavam o filtro. Este tipo de situações tem vindo a fazer escola leccionada por aqueles agentes, tendo criado mitos sobre a infalibilidade da máquina portista.

Essa teoria já começou a ser desmontada por um conjunto de razões que importa reter. Um dos segredos do sucesso, depois da conquista do Sporting, tem sido o continuado factor de desestabilização do Benfica e de todas as componentes associadas. É dos livros que quando uma empresa ou um clube não está estável é sempre muito mais fácil ao(s) concorrente(s) dominarem o mercado. Estancado esse handicap que começou em finais da década de oitenta, empreendida uma gigantesca tarefa de recuperação dos encarnados em todas as vertentes que outrora eram o seu suporte, estava na cara que, mais tarde ou mais cedo, a situação hegemónica do FC Porto seria confrontada e posta em causa, colocando a nu debilidades que a opinião pública não julgava existirem.

É isso que de há uns tempos a esta parte tem vindo a acontecer aparte os resultados, muito embora a grande maioria apenas considere os êxitos desportivos como único factor importante e aferidor. São de facto, mas antes disso é preciso muito para lá chegar. A temporada caminha para o fim e neste momento de concreto apenas que o FC Porto teve uma vitória no seu troféu de estimação (a Supertaça) e mantém em aberto a possibilidade de vencer mais dois (o Campeonato e a Taça da Liga). Por sua vez o Benfica que nada ainda ganhou, pode almejar vencer o Campeonato, a Liga Europa e a Taça de Portugal. Na principal prova, apesar do Benfica estar bem lançado, a verdade indiscutível é que, dizem os números, que o FC Porto tem mais 1 ponto do que na época passada, o que revela que a deficiência não é dos portistas mas sim a maior regularidade dos benfiquistas. Ora, os diversos sintomas de nervosismo que têm emanado do interior do Dragão a que até não faltaram artefícios pirotécnicos contra o autocarro do clube, só podem indiciar que a estrutura de sonho começa a dar mostras que já não consegue controlar a situação como dantes, tendo de recorrer aos métodos habituais de incentivo aos jogadores...






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