Ponto Vermelho
Sporting: Que futuro?
22 de Março de 2013
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1. Escrevia Daniel Oliveira que «amanhã é o primeiro dia do resto da vida do Sporting ou o último da vida que teve até hoje». Assim será, seguir-se-ão reestruturações e ajustes, cortes e vendas, e apesar do alegado perdão da Banca num futuro imediato e do emagrecimento num próximo, margem para mais erros fica ainda assim reduzida. A campanha não entusiasmou sobremaneira e os debates tão pouco. À medida que se vão ouvindo e lendo opiniões, fica a certeza de que muitos vão pelo menos mau. Um salto de fé para quem queira tomar partido, de entre os cerca de 30 mil sócios que poderão exercer o direito de voto. Soluções mais consentâneas eram difíceis, não fosse o estado do clube periclitante e como tal menos apetecível. E assim o próximo presidente leonino voltará a ser profissional, dirão os mais optimistas que por necessidade de full-time, os mais negativos que por um passado empresarial discreto. Mais entusiasmo nos apoiantes de Bruno Carvalho, não fosse tratarem-se das faixas etárias mais jovens e que vislumbram na sua candidatura uma ruptura com o passado recente. Por entre os apoiantes de José Couceiro, sobretudo desconfiança na Lista B... A Lista A a despeito de toda a boa vontade do candidato parece não despertar grande interesse.

Pouca luz ao fundo do túnel mas, em todo o caso, o conforto de a breve trecho sabermos as consequências da gestão de Godinho Lopes e do pior ser impossível. Pelas últimas notícias trazidas a público, talvez a humilhação de uma AG realizada nas bancadas fosse um preço justo a pagar para evitar o despautério de última hora. Que, a par dos últimos dois anos da vida sportinguista, poderão vir a servir de bode expiatório e/ou justificação para medidas mandatórias, por norma impopulares, de futura governação. O passado poderia ser amigo e, por via do desastre que foi o mandato de Godinho Lopes, servir de factor agregador. Contudo o recente, de tão mau que foi, teve o condão de afastar candidatos mais capazes, designadamente de unir os sportinguistas em torno das dificuldades. Que Será, Será...

Na equação leonina, o inimigo Benfica. Aquando da inauguração da casa do Benfica de Almada em Setembro passado, pouco tempo passado após a venda de Javi García e Witsel, Luis Filipe Vieira acabaria por reforçar a ideia de ser preciso «vender mais, comprar menos e formar mais» em virtude da «difícil situação económica que atravessamos» e que «vai, naturalmente, condicionar a nossa actividade durante os próximos anos». Fustigado por críticas de todos os quadrantes por ter deixado o Benfica sem meio-campo, teria oportunidade de dizer ainda «às vezes fico surpreendido com alguns artigos de opinião que vou lendo em alguns jornais, à segunda-feira o futebol português não é viável e à quarta perdemos o meio campo, que se calhar não devíamos ter vendido, que foi tudo mal planificado, que foi um erro. Mas será que esses jornalistas ainda não perceberam os tempos que estamos a viver? É claro que temos de vender. Vender, comprar menos e formar mais. Vender e baixar a massa salarial, mesmo que isso signifique sacrificar a nossa competitividade». Poderia encaixar perfeitamente no manifesto eleitoral de cada uma das listas, mas dado que o presidente encarnado afirmou não entender a estratégia de alguns clubes que «apesar de terem prejuízos milionários em anos consecutivos conseguem resistir a vender jogadores (...) seguramente devem ter encontrado uma fórmula mágica», foi mal interpretado na altura, quer por alegadamente se imiscuir em questões que não são do foro encarnado, quer porque muitos entenderam como um ataque soez ao emblema de Alvalade. Talvez fosse hoje mais compreendido, e a ver vamos se a história do «aldrabão» também não poderá vir a colher...

2. O estimado Santos Neves defendeu que o jogo da Selecção era decisivo e era de facto a forma como a Selecção devia ter encarado a partida. Ainda mais decisivo teria sido em caso de derrota, o que não esteve assim tão longe de acontecer dado que estivemos a perder por 3-1 e 3-2 a poucos minutos do fim, resultado que deixaria Israel com três pontos de vantagem. Também António Oliveira recordou as palavras de Nani, designadamente de se tratar de um «hábito a Seleção facilitar em certos jogos» e, já depois dele e no pós-jogo, Paulo Bento voltou a repisar a questão cultural, com alguma razão, mas simultaneamente subscrevendo alguma incapacidade para incutir o espírito necessário nos seus seleccionados. À conhecida crónica tentação lusa de resolver tudo em cima do joelho, juntou-se-lhe na última dezena de anos jogadores algo finos que certamente dispensariam a fase de qualificação para se exibiriam somente nos grandes palcos de uma fase final. E é pena, em particular não levarem a crise portuguesa mais a sério, porque assim fosse e entrariam em campo pelos portugueses e com uma predisposição que certamente senhores como Luís Figo e Rui Costa demonstrariam. Agora pouco há a fazer porque não é tempo de mudanças. Mas, certamente que a renovação da Selecção se começada no pós-Mundial com jovens com mais sangue na guelra que acompanhassem valores seguros como Rui Patrício, Pepe, Fábio Coentrão, Moutinho, Cristiano Ronaldo e Nani, teria atempadamente renovado a ambição portuguesa de que agora todos reclamam. Seria um maior risco no presente, naturalmente, mas o futuro seria bem mais promissor...












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