Ponto Vermelho
Verde sinal de esperança?
24 de Março de 2013
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Inevitavelmente Sporting! Com as eleições leoninas a preencherem o fim de semana, a actualidade teria que passar obrigatoriamente por Alvalade. Nunca como agora os adeptos leoninos almejavam tanto e as expectativas apontavam para que lhes fosse dado tão pouco. É o sinal dos tempos de uma conjuntura conturbada em que realidade do Sporting, salvo as devidas proporções, se confunde com a do próprio país. Mas há que seguir em frente sob pena da alternativa vir a ser muito pior. De concreto é que o existe, restando por isso extrair as ilações do passado para projectar um futuro que se apresenta mais do que nunca sombrio.

Na última década o mega-projecto empresarial de José Roquete que muito prometeu, acabou por resultar num rotundo falhanço. O êxito desportivo é um pilar fundamental de qualquer projecto desportivo e o pacto estabelecido com Pinto da Costa para impedir o Benfica de alcançar qualquer êxito desportivo transmitiu a falsa ilusão de sucesso apenas e só porque, por mera coincidência, ao conquistaram 4 segundos lugares consecutivos e ficarem à frente dos encarnados, julgaram que isso seria o princípio de uma nova era. Enganaram-se redondamente pois num clube com a história do Sporting não se pode assumir qualquer princípio de subalternidade. O Sporting fê-lo e pior ainda do que isso, foram as sucessivas Direcções continuarem a ratificar aquele acordo espúrio e altamente lesivo dos seus interesses. Nunca é demais insistir neste ponto.

Não surpreendeu portanto que o Benfica pela sua dimensão e à medida que foi ultrapassando os seus próprios problemas tenha desfeito o mito que vinha adormecendo o universo leonino. E daí até entrar em plano inclinado irreversível foi um ápice ainda que com uma ligeiríssima paragem na gestão Soares Franco. Mas o último mandato da responsabilidade de Godinho Lopes, ficará para sempre como um dos mais ruinosos de toda a história do Sporting seja qual for o aspecto porque o queiramos observar. Pela fraqueza do seu líder que fez da sua Direcção saco de gatos, pela prolongada guerra com o líder da Assembleia Geral eleito por outra lista (uma originalidade estatutária leonina) e, finalmente, nas vertentes financeira e desportiva.

Se por um lado aumentou substancialmente o nível de endividamento com aquisições de jogadores (alguns de categoria duvidosa), os resultados na frente desportiva foram desastrosos e o seu desempenho foi de pôr os cabelos em pé ao mais paciente adepto leonino, com avanços e recuos e sem nunca conseguir definir um rumo consequente que pudesse catapultar o Sporting para outros patamares. Afastou a sua base de sustentação que o tinha projectado para o poder (Luis Duque, Carlos Freitas e Domingos Paciência), e para não perder a embalagem despediu ainda Sá Pinto e Franky Vercauteren. Um verdadeiro desastre de gestão bem patente na actual classificação da sua equipa de futebol e nas dificuldades de tesouraria que o levaram a vender Van Wolswinkel ao desbarato numa altura em que a sua posição de líder de uma Direcção demissionária aconselharia a não o fazer sem consultar previamente os candidatos a líder da nova Direcção a ser eleita escassos dias depois.

As tremendas dificuldades que esperam o líder eleito Bruno Carvalho, a menos que surja uma surpresa de última hora sempre susceptível de vir a acontecer no Sporting, são públicas e de muito difícil resolução. Numa campanha eleitoral temporalmente exagerada (mais uma excepção leonina), as promessas ficaram na gaveta devido à conjuntura e porque provavelmente o eleitorado verde e branco não acreditaria nelas, mas ficou a de que qualquer que fosse o candidato que ganhasse ter soluções para estancar a débil tesouraria de Alvalade e assegurar os compromissos futuros, dado que no horizonte não estão previstas quaisquer receitas adicionais e a presente classificação da equipa de futebol, sem excluir a possibilidade, não assegura para já o passaporte para uma prova europeia.

Qualquer que seja o prisma de observação das eleições de ontem, para além do maior ou menor mérito de cada um dos três candidatos, parece evidente que os associados leoninos terão apostado numa ruptura com o passado recente. Muitos deles, porventura, terão votado não no que se configurava como o melhor mas naquele que parecia ser o mal menor, sendo crível concluir que a eleição de Bruno Carvalho terá sido uma aposta do eleitorado leonino mais jovem que vê nele a possibilidade de se desligar de um passado que tantas tristezas tem trazido ao reino do leão nos últimos anos.

Posto isto, é tempo do novo presidente pôr mãos à gigantesca obra que tem pela frente e assegurar uma gestão eficaz, competente e que vá de encontro às expectativas que criou. Será certamente muito difícil de ultrapassar este momento difícil a que o Sporting foi conduzido, mas será porventura uma desafio aliciante. Não é tempo de promessas mas de intenso trabalho que, se for consequente e competente, durará vários anos até que se possa dizer que o Sporting está a voltar gradualmente à dimensão que nos habituou. É importante que o faça pelo seu próprio pé e distrate de vez a hipoteca do compromisso espúrio que aceitou voluntariamente no tempo de Roquete. E o novo presidente não se poderá esquecer que os corredores de Alvalade continuam a existir…






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