Ponto Vermelho
Chama viva da esperança
26 de Março de 2013
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Ao vencer em Baku o Azerbaijão por dois golos sem resposta, a Selecção Portuguesa manteve viva a chama da esperança e aproximou-se da distância de um ponto da Rússia, ainda que de uma forma algo ilusória atendendo a que o seleccionado russo tem menos dois jogos. Mas é inegável que Portugal fez o que tinha a fazer porque caso não vencesse poderia hipotecar seriamente as possibilidades de atingir o 2º lugar e o playoff, o lugar mais consentâneo com a realidade pontual dado que o 1º lugar da Rússia parece de todo inacessível. E pelos vistos a luta pelo segundo lugar continuará acesa, dado que o nosso principal competidor – Israel – acabou por conseguir na Irlanda do Norte o mesmo resultado que Portugal.

Dirão os do costume que a Selecção Portuguesa não fez mais do que a sua obrigação. É, sem dúvida, uma maneira de ver as coisas. Todavia, não o entendemos assim. Há um ponto em que estamos todos de acordo: é o de que a equipa portuguesa tinha por obrigação estar a disputar o 1º lugar taco a taco com a Rússia. Mas sabe-se a campanha altamente irregular que a Selecção tem feito com vários resultados muito abaixo daquilo que é capaz, que acabam por justificar a sua actual classificação. Não são propriamente situações inesperadas, porque em anteriores fases classificativas para fases finais já aconteceu o mesmo, atribuindo-se as razões a um certo facilitismo, aliás agora confirmado por jogadores influentes da própria Selecção.

Um dos principais problemas que todos os Seleccionadores têm enfrentado desde há muitos anos tem sido a forma como os portugueses em geral olham para a Selecção. Influenciados por dirigentes clubistas que sempre fizeram lobbying para a nomeação do Seleccionador e tentar influir na escolha dos jogadores consoantes as suas conveniências, os adeptos dos clubes (sobretudo dos principais) sempre viram a equipa das quinas com algum cepticismo e pouco entusiasmo, que têm vindo cada vez mais a decrescer por força dos seleccionados pertencerem na sua esmagadora maioria a clubes estrangeiros. Daí que a expressão: a Selecção é o meu clube, se oiça amiúde entre os adeptos mais radicais.

Apenas quando nas fases finais das grandes provas Portugal começa a obter bons resultados é que se nota mais entusiasmo. Aliás, essa é de entre outras, uma das principais críticas que têm sido feitas aos jogadores, que dizem só se esforçarem quando se encontram em fases de maior mediatismo e onde podem vir a recolher mais dividendos, não esquecendo a rábula dos prémios que já mais do que uma vez tem causado algum frisson. Mas será esse aumento de motivação apenas uma exclusividade dos portugueses, ou será igualmente extensível a outras selecções e a outros jogadores? Cremos que haverá, sem dúvida, alguma transversalidade que afectará também outros seleccionados. Parece-nos demasiado óbvio para que não seja admitido.

Como todos sabemos, seja nos clubes seja na Selecção, existem sempre Velhos do Restelo que esperam ansiosamente por qualquer desaire para aparecerem. Convivem mal com os êxitos dos outros, em particular quando as vitórias conseguidas não são suficientes para lhe massajarem o seu ego emproado. Querem arrebatar a exclusividade dos louros como se só eles existissem no Mundo e todos os outros fossem comuns mortais ao seu serviço. Temos muito disso por cá, muito embora haja alguns que habituados a que rastejem aos seus pés, não aceitem que nem todos alinham nessa sabujice e rejeitem liminarmente esse tipo de acções desprezíveis.

É impossível a qualquer Seleccionador atingir o pleno de aprovação por parte de toda a comunidade futebolística. Tal como nos clubes, todos temos dentro de cada um de nós um pouco de seleccionador pelo que isso é natural acontecer. Mais do que as exibições, os resultados conseguidos é que provam a justeza das opções. Mas também não nos podemos esquecer que uma boa parte dos adeptos é altamente influenciada nas suas escolhas pela comunicação social e pelos dirigentes dos clubes que nem sempre puxam para o lado da Selecção, mas antes defendem os seus interesses e querem demonstrar publicamente que detém influência sobre o Seleccionador e as suas decisões e, nalguns casos, até nas próprias opções de equipa titular.

Foi por isso que um deles (Pinto da Costa), aproveitando a campanha pouco conseguida da Selecção e quando considerou que Paulo Bento estaria mais fragilizado resolveu testar a sua capacidade reactiva, uma técnica que sempre utilizou e em muitos casos com êxito. Enganou-se na porta e recebeu oportunamente a devida resposta. Mas, para quem já está farto de aturar estas conhecidas e pouco originais madurezas do presidente portista e se está nas tintas para este tipo de guerrilhas que em nada contribuem para que a Selecção venha a ter melhor desempenho, não deixa apesar de tudo de se questionar sobre o que levou Pinto da Costa a opinar coisas aparentemente sem nexo e desligadas da realidade. Como experiência não lhe falta, e como por enquanto não pode ser acusado de padecer de senilidade como ele acusou o ex-presidente do Benfica, João Santos, é fácil perceber a sua motivação que pelos vistos está para durar...






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