Ponto Vermelho
Pequenos ''nadas''
27 de Março de 2013
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No futebol de hoje altamente profissionalizado, é vulgar ouvir dizer-se que nada pode ser deixado ao acaso, todos os pormenores são importantes, e qualquer distracção ou erro cometido por mais ínfimo que seja, pode vir a fazer a diferença. Excepto obviamente se acontecer no Portugal que temos tido e que pelos vistos assim continuará, onde a justiça está sempre pronta para emendar erros ou branquear acções duvidosas, socorrendo-se dos oportunos alçapões que interesses diligentes deixam propositamente na elaboração da legislação. É assim que dirigentes desportivos como Pinto da Costa e não só, têm escapado sucessivamente às malhas da justiça e 71h45m se transformam, como que por magia, em 72 horas. Ou ainda, quando os regulamentos são ignorados como aconteceu com o famoso jogo das poças de água

Ao longo de sucessivas épocas assistimos a várias situações, em que clubes ditos pequenos sempre que lhe competia receber os grandes, alteravam os seus jogos para outros estádios com maior capacidade. Os objectivos eram demasiado óbvios: duplicar ou mesmo triplicar as receitas de bilhética que nunca conseguiriam nos seus estádios por terem muito menor capacidade, podendo assim amenizar os crónicos apertos de tesouraria. Os inconvenientes também existiam, dado que nos seus campos mais pequenos, poderia ser à partida mais fácil enfrentar os clubes com maior poderio futebolístico. Para além de criar maiores transtornos aos seus adeptos que assim teriam deslocações um pouco maiores. Aconteceu assim com todos os principais clubes e nunca nessa altura houve alguém que pusesse em causa a opção desses clubes, embora se soubesse que em teoria um campo de maiores dimensões favorece a equipa tecnicamente mais dotada.

Isso aconteceu naturalmente numa determinada conjuntura, quando o FC Porto dominava a seu bel-prazer todos os tabuleiros e o Benfica efectuava a sua longa travessia no deserto. Logo após o princípio do século quando os encarnados começaram, ainda que lentamente a emergir dessa persistente letargia, o panorama começou paulatinamente a mudar e surgiram as primeiras suspeitas que se foram avolumando até atingirem o auge na época 2004-2005 com o jogo do Benfica com o Estoril no Algarve. Atendendo a que os encarnados estavam bem posicionados na corrida para o título, o FC Porto bem coadjuvado pelo Sporting, levantou as mais diversas suspeitas que alguma da sempre solícita comunicação social deu eco e polemizou. Nessa altura o Benfica já voltava a assustar outra vez…

A memória curta do FC Porto e do Sporting nessa matéria era já um facto preocupante. É que já se tinham esquecido dos jogos que tinham feito em idênticas circunstâncias sem que isso tivesse causado qualquer prurido ou surpresa. Como estupefacção não causou que em pleno período revolucionário o Benfica tivesse que disputar uma final da Taça de Portugal com o Boavista no Estádio José de Alvalade, ou ainda um jogo com o V. Setúbal em princípios de 1991 no antigo Estádio das Antas. Isto, claro está sem entrarmos em mais pormenores… Por aqui se vêem as tentativas recorrentes para que hajam dois pesos e duas medidas, sendo que para a dupla que estabeleceu a santa-aliança aquilo que é normal acontecer para as suas cores já está carregado de suspeições quando se trata do Benfica.

Com a deslocação dos encarnados a Olhão no horizonte e perante a enorme expectativa que o jogo está a proporcionar, os responsáveis do clube algarvio a atravessar graves dificuldades financeiras como é público, pensaram em transferir o mesmo para o Estádio do Algarve na presunção de que seria possível obter uma receita muito superior, o que não aconteceria se o jogo tivesse lugar no Estádio José Arcanjo. Já sem falar na diferença de condições para melhor que são proporcionadas quer às equipas, quer ao público. Como tantas vezes acontece, os desejos saem na imprensa como forma de notícia em que está a ser estudada a possibilidade… para aquilatar as reacções aos enormes jogos de interesses que grassam no panorama futebolístico luso.

Segundo constou e essa já é uma versão definitiva, os associados do Olhanense terão manifestado a sua oposição à transferência do jogo, pelo que a Direcção do Olhanense deliberou que o mesmo se mantivesse no Estádio José Arcanjo. Admitimos que a principal razão terá sido por não estarem disponíveis para percorrerem cerca de 80km e os combustíveis estarem pelas ruas da amargura. Mas tendo a questão sido equacionada pela Direcção, estranha-se que o simpático clube de Olhão não vá aproveitar uma oportunidade de ouro para triplicar uma receita que tanto jeito daria certamente aos seus depauperados cofres. Mas terá sido certamente por uma boa razão até porque, apesar da conjuntura ser outra, não consta que tenham tomado idêntica atitude no início de Setembro do ano passado quando o FC Porto lá se deslocou e o jogo foi disputado no Estádio do Algarve. Sem qualquer celeuma…








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