Ponto Vermelho
Santos encaracolados
30 de Março de 2013
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Numa fase crucial do campeonato o velho conhecido Rui Santos (RS) resolveu regressar ao tema da arbitragem precisamente num momento em que se tem vivido de alguma forma uma acalmia a que não estamos habituados. Não queremos especular sobre a intenção do cronista, mas quando um artigo é titulado por «Benfica domina sector dos árbitros» é impossível passarmos ao lado de um escrito que se presta a todo o género de especulações. Ainda que a textura do artigo não corresponda com total exactidão ao título que o encima.

Fica a ideia expendida por RS de que o Benfica, depois de todas as críticas formuladas ao sector da arbitragem e nomeadamente ao seu presidente Vítor Pereira terá encontrado finalmente um ponto de equilíbrio, acrescentando que os encarnados têm tido «boas nomeações» como por exemplo o caso de João Ferreira no Benfica-FC Porto. É uma teoria que ilustra bem a forma enviesada como o cronista aborda o problema numa pretensa forma que pretende distanciada, pois embora não o explicite com clareza a conclusão que chega aos leitores menos avisados, é a de que o Benfica por via disso e ainda que exista omissão textual, está a ser beneficiado pelas arbitragens. Ou no limite, não está a ser prejudicado tanto quanto habitualmente acontece.

Percebemos a mensagem. De facto, sendo a norma de muitos anos a de beneficiar o FC Porto e prejudicar o Benfica, sempre que isso não acontece a conclusão é a de que os encarnados estão a ser beneficiados. Estamos apenas a falar de resultados finais (e muita atenção porque ainda faltam 7 jornadas onde muita coisa pode acontecer), mas de facto não é bem assim sobretudo quando a memória dos homens não é curta. Tem sido realçado nos últimos dias o falhanço de dois penáltis de Jackson Martinez que acrescentariam eventualmente 4 pontos ao bornal do FC Porto e o colocariam em igualdade com o Benfica. Esquecem-se contudo de um pequeno pormenor: o de acrescentar a perda objectiva de 4 pontos dos encarnados devido às arbitragens de Artur Soares Dias (1ª jornada) e de Carlos Xistra (na 4ª jornada).

A sequência de arbitragens infelizes que alguns árbitros internacionais têm protagonizado sempre que dirigem jogos do Benfica, deixou de poder ser encarada como mero fruto do acaso, do azar ou da infelicidade. Não há ninguém, por mais incompetente que seja que possa errar sempre para o mesmo lado, com a particularidade dos seus lapsos serem invariavelmente decisivos. Estando estes factos comprovados, uma eventual explicação poderia ser eventualmente encontrada na campo da paranormalidade, em que os actores do apito sofrem de uma estranha reacção em que o seu sub-consciente lhes transmite imagens desfocadas da realidade objectiva que desfila perante os seus olhos.

Logo, a forma mais adequada que o Presidente do Conselho de Arbitragem, Vítor Pereira tem de lidar com estas estranhas situações, será a de não os nomear para jogos em que intervenha o Benfica, pois isso será até uma forma de os proteger e de salvaguardar a verdade desportiva que tem sofrido autênticos atentados sempre que estes apitadores entram em cena nesses jogos e que têm ajudado (involuntariamente é claro!), a enriquecer a vitrina de troféus das Antas e do Dragão. Não se estranha portanto o desfile de homenagens e os convites que a Associação de Futebol do Porto lhes tem dirigido, embora esteja longe do nosso pensamento querer realçar a causa-efeito...

Posto isto, parece ser de todo extemporânea a chamada à actualidade de um assunto tão sensível que parecia momentaneamente calmo, muito embora a polémica seja sempre susceptível de poder estalar a qualquer momento, quiçá já hoje quando se disputarem os jogos em que participam os dois primeiros classificados. Conhecendo o que a casa gasta, é de pressupor que estamos a viver uma fase em que a acalmia é meramente ilusória, atendendo a que há muitos na expectativa de verem acontecer grossa borrasca, uma realidade de todas as épocas mas que nesta tem sido vivida de forma diferente dada a superior atenção com que os benfiquistas têm vindo a observar o fenómeno. Mas não podem baixar a guarda visto que o Sistema continua activo e não baixou a guarda.

De concreto poder-se-á concluir com base nos dados factuais disponíveis, que esta época ainda que com duas facadas visíveis até ao momento (e estamos a falar daquelas que influenciaram decisivamente resultados finais), tem-se pautado por algum equilíbrio e ausência de polémica e a isso não deverá ser certamente alheio o facto dos apitadores recorrentes só terem entrado fugazmente em cena e fora dos grandes jogos que têm sido o seu grande calcanhar de Aquiles aos olhos da opinião pública desportiva independente. Se foi isso que levou RS a inferir que «O Benfica domina o sector dos árbitros», temos que convir que essa conclusão indicia precipitação, está desligada dos factos reais, e pode ser reconhecida como uma manifestação da intenção de querer equilibrar os pratos da balança. Nada de transcendente afinal se considerarmos que não difere em nada daquilo a que já nos habituou...

[Artigo Anexo]




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