Ponto Vermelho
Desculpas de mau pagador...
31 de Março de 2013
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Nestes últimos tempos o caso registado com José Mourinho que o fez faltar deliberadamente à Gala da FIFA para definir quem seria o melhor treinador do Mundo de 2012, fez correr muita tinta e colocou mais uma vez o organismo que tutela o futebol Mundial debaixo de uma imensidão de críticas, até porque o treinador português contrariamente a muitos que comem e calam não se conteve e colocou em xeque a organização liderada pelo ex-coronel Joseph Blatter.

Dirigiu-se Mourinho a quem lhe quis prestar atenção, que tinha sido avisado por duas ou três pessoas que lhe garantiram ter votado nele, tendo o voto sido desviado para outras candidaturas, em particular para aquela que viria a ser a vencedora – a do Seleccionador espanhol Vicente Del Bosque. O organismo sediado em Zurique limitou-se numa primeira fase a desmentir o treinador português assegurando que a votação tinha sido correctamente efectuada bem como o apuramento dos votos.

O problema agudizou-se verdadeiramente quando o capitão macedónio Goran Pandev veio a público afirmar que tinha votado em Mourinho e que o voto tinha sido atribuído a Del Bosque. A partir daí passou a ser complicado para autocrática FIFA que não admitia que a sua imagem fosse posta em causa, chegando mesmo a divulgar o boletim de voto de Pandev que indicava o voto em Del Bosque e ameaçando mover uma acção em tribunal contra José Mourinho, atendendo a que considerava que o treinador português a tinha difamado através de declarações repletas de inverdade.

O caso não ficou obviamente por aí, dado que de novo Pandev veio a terreiro alegando que não reconhecia a assinatura aposta no boletim como sendo a dele, logo teria havido em qualquer lado falsificação. Segundo notícias agora vindas a lume o mistério insondável está descoberto. Terá havido um erro de um qualquer funcionário menor da Federação da Macedónia que praticou um erro técnico e fez com que os cinco votos respeitantes à votação de Pandev atribuídos a Mourinho tivessem engrossado a votação de Del Bosque. Bastante oportuno como se pode constatar. Um erro pode sempre acontecer.

Sem pretendermos enveredar por processos de intenção num assunto já de si complicado, o facto de mais uma vez acontecer algo numa votação ou decisão da FIFA faz com que pensemos que alguma coisa parece não estar a correr bem no reino da burocrática e conservadora organização. Têm acontecido demasiadas situações nebulosas para que possamos estar tranquilos com a actuação dos senhores de Zurique sobre os quais têm circulado diversos rumores sobre determinadas situações, como foi por exemplo a decisão de atribuir ao Qatar, um país sem quaisquer tradições futebolísticas, a enorme responsabilidade de organizar o Campeonato do Mundo de 2022. Não basta ter dinheiro, é preciso muito mais.

Também se percebe que por motivos facilmente compreensíveis, poucas pessoas do mundo do futebol terão a coragem de denunciar publicamente factos ou situações ocorridas que possam revelar aspectos geradores de dúvidas. José Mourinho será uma delas e por isso louva-se a sua atitude, porquanto é sempre preferível que este tipo de assuntos seja esclarecido publicamente em vez de ser camuflado e discutido através dos habituais rumores dos corredores que acabam sempre por piorar as coisas. É importante que qualquer organização (seja ela qual for) não revele qualquer opacidade e possa dar o exemplo, num sector que ultimamente tem sido tão intensamente abalado por sucessivos escândalos.

No processo em questão percebe-se o tremendo incómodo que terá causado uma voz com o peso da do treinador português, e imaginamos o mau estar que as suas palavras terão causado nos corredores de Zurique. Importava por isso encontrar rapidamente uma saída airosa para as partes em particular para a FIFA, uma vez que se veio a comprovar que Mourinho tinha razão e fez bem falar do caso publicamente. Da natureza e da eventual motivação para o erro, apenas sabemos aquilo que nos quiseram contar o que é capaz de ser pouco. Não estamos a fixar o erro em termos geográficos, mas achamos deveras curioso e oportuno atribuí-lo a um obscuro funcionário sem rosto que se calhar não morria de amores por Mourinho…

Apesar desta trapalhada caminhar inexoravelmente para o seu epílogo e rapidamente tudo isto ser esquecido como é vulgar, ainda assim algumas questões podiam ser levantadas: a) Quem quer que tenha sido o autor (moral e/ou material) do erro estaria convencido que o caso nunca viria a lume? Não queremos imaginar que sim, porque a ser verdade essa assumpção, então isso levaria a perguntar quantos casos do género não terão já sucedido; b) Se Pandev garantiu que a sua assinatura tinha sido forjada, não será isso matéria suficiente para posterior clarificação para que não fiquem a pairar no ar quaisquer dúvidas? Pensamos que sim. Mas isso somos nós…




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