Ponto Vermelho
Então e o progresso?
1 de Abril de 2013
Partilhar no Facebook

Segundo o Comunicado Oficial nº 133 da Liga Portugal de 28 de Março último, está marcada para o próximo dia 6 de Abril (Sábado) pelas 14h00 na Sede da Liga no Porto, uma Assembleia Geral Extraordinária em que o Ponto 2 da Ordem de Trabalhos «Apreciação e deliberação sobre a proposta da Comissão Executiva de modificação do ‘Regulamento das Competições Organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional’ em execução do acórdão de 21 de fevereiro de 2013 do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa do Futebol Profissional tirado nos recursos que, sob os nºs 36-07/08, 37-07/08 e 38-07/08, correram termos neste órgão federativo, consistente na alteração da redação do nº 1 do artigo 94º e no aditamento das novas disposições transitórias 6ª, 7ª, 8ª e 9ª», promete…

Trata-se como é bom de ver, de voltar a discutir o alargamento da I Liga que já foi chumbado pela FPF, agora estribado na decisão do CJ que tem como consequência directa a possível integração do Boavista na Liga principal. Recorde-se que para além das tradicionais omissões/buracos existentes nas leis portuguesas, há outra figura que tem emergido e está praticamente a fazer jurisprudência - o da prescrição de processos. Assim mais uma vez, neste caso o CJ não julgou o caso em si mas apenas se limitou a constatar que o processo estava prescrito. E de quem terá sido o esquecimento? Diz a Liga que a responsabilidade deve ser imputada à Federação, mas estamos convictos que se vai aplicar o que é recorrente – a culpa vai, outra vez, morrer solteira. Além de que a Liga sempre foi uma intrépida defensora do alargamento.

Por momentos sentimo-nos regressados aos bons velhos tempos quando algumas Associações Regionais dominavam em todos os tabuleiros e tudo se resolvia com alargamentos cirúrgicos para resolveram o problema de um qualquer clube amigo que dava jeito não descer, ou permitir a outro poder subir. A condição essencial e obrigatória é que estivesse integrado no Sistema. Assim se viveram vários anos no mais absoluto despautério em que o Futebol português foi vilipendiado e impedido de progredir para satisfazer os interesses dos amigos. Voltámos agora a ter uma nova edição com o caso do Boavista em que a prescrição mais uma vez funcionou em pleno. Agora há que descalçar a bota…

Já nessa altura em que vigoravam os alargamentos à la carte mas em que a situação económica do país e dos clubes não tinha comparação com a que vivemos actualmente, qualquer alargamento era um disparate tendo em conta que o Campeonato português não têm dimensão competitiva para ter mais do que 14 clubes (e isto animados de toda a vontade do Mundo). Para que haja progresso desportivo torna-se necessário que haja uma maior competitividade entre as equipas, situação que não ocorre dada a disparidade que sempre tem existido. E de nada adianta citarmos exemplos de outros países onde porventura poderá haver casos com alguma semelhança, mas aí as equipas por norma não alugam autocarros de três pisos, como foi exemplo flagrante a Académica no último jogo na Luz.

Tal como na decisão antes chumbada, será expectável que a Direcção da Liga apoiada pelos pequenos clubes voltem a aprovar um novo alargamento. Resta saber se a Federação manterá a mesma posição que a levou a declinar a proposta anterior e, caso venha a optar por ratificar a decisão da Liga, restará saber ainda o que decidirá o CND. Portanto, um mar de dúvidas com uma decisão que poderia e deveria ter sido evitada se por acaso houvesse profissionalismo, competência e vergonha, e não houvesse subordinação a determinado tipo de interesses que estão em choque frontal como progresso e o desenvolvimento do nosso futebol.

Ao longo dos anos temos assistido às dificuldades de muitos clubes, à chaga dos ordenados em atraso e até ao desaparecimento de alguns deles. Época após época vemos clubes com orçamentos que manifestamente não podem cumprir a lutarem desesperadamente pela obtenção de receitas que lhes permitam mascarar os evidentes défices de tesouraria. A cada ano que passa observamos dirigentes dos clubes com a preocupação de terem orçamentos sérios e responsáveis que possam cumprir em todas as vertentes (fisco, segurança social, fornecedores, etc), mesmo com que isso lhes acarrete algum défice de competitividade. Ao olharem para o lado devem sentir-se tristes e revoltados e com dúvidas se afinal o crime não compensa e adultera a verdade desportiva.

Como é possível aceitar que clubes incumpridores continuem a apresentar declarações em como está tudo em dia? Que tipo de controle exerce a Liga que lhes permite validar situações de incumprimento? E o Sindicato dos Profissionais de Futebol? Será que poderemos pensar que não terá um conhecimento aprofundado destas situações? E a Tutela poderá alguma vez afirmar que ignora tão graves aberrações, ou será que não tem opinião? E será que todos os envolvidos com responsabilidades directas ou indirectas vão encolher os ombros e aprovar um alargamento que neste enquadramento ainda irá aumentar mais aquelas lamentáveis e vergonhosas situações?






Bookmark and Share