Ponto Vermelho
Problemas ou soluções?
2 de Abril de 2013
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Todos nós para além do nosso clube do coração, nutrimos sempre simpatia por outros clubes, sejam nacionais e/ou internacionais. Em muitos casos temos até um 2º clube. Para além dos tradicionais Belenenses, Académica (no tempo em que este clube justificava a sua tradição de estudantes), Atlético, etc, havia simpatias pelos clubes das nossas origens. Desde criança começámos a ter uma especial simpatia pelo Boavista sem saber explicar bem porquê. Sem que o possamos garantir, o axadrezado das camisolas talvez tenha de alguma forma influenciado a nossa opção de escolha.

Este breve intróito serve para explicar que nada nos move contra o Boavista enquanto clube, embora já não possamos dizer o mesmo no que toca à actuação da dinastia que o dirigiu durante largos anos e que haveria de conduzi-lo ao maior feito da sua história centenária – o título de campeão nacional precisamente no virar deste século mais concretamente na época de 2000/2001, e em simultâneo ao seu descalabro que levaria o clube à despromoção por factos pouco dignificantes no âmbito do processo “Apito Dourado”, hoje quase e só como uma triste recordação de um dos processos corruptivos que veio definitivamente pôr a nu as debilidades e as teias de um Sistema cuja principal motivação sempre foi o favorecimento dos clubes amigos e de adulteração da verdade desportiva.

Esse malfadado processo haveria de dar praticamente em nada pelos conluios a todos os níveis. Os pilares de desmontagem assentaram basicamente em dois vectores fundamentais – não consideração de provas incriminatórias de diversos personagens, das escutas telefónicas, bem como a tese das prescrições sistemáticas que também muito contribuíram para que a montanha parisse um ratinho. Assim houve vários protagonistas reconhecidamente culpados que se foram safando através de expedientes como por exemplo Pinto da Costa, enquanto outros com reconhecidas culpas adjacentes, acabaram por ser os felizes contemplados oferecidos em imolação para que a opinião pública se convencesse que os justiceiros estavam a aplicar as leis vigentes sem hesitações.

Uma das vítimas que calhou em sorte foi precisamente o Boavista que não poderia competir com um FC Porto com outro peso completamente diferente, que haveria de sair dessa embrulhada de forma airosa. E assim sendo os axadrezados foram remetidos sem apelo nem agravo para a II Liga, justificando-se plenamente a interrogação que terá perpassado pela mente do então (e curiosamente actual) presidente Loureiro (João) – mas porquê só nós? Essa enorme dúvida tinha alguma razão de ser porquanto se a lei quando nasce deve ser aplicada a todos de igual modo, o que então se passou configurava, do lado axadrezado, um grave acto de injustiça. Dos muitos que tinham acontecido e haveriam de acontecer.

Mas Portugal é desse ponto de vista um país multifacetado em que tudo pode acontecer. E aconteceu mesmo! Como provavelmente haviam várias personagens incomodadas com esse acto de injustiça haveria que reparar alguns danos e trazer de novo o processo à actualidade. Como? Simples! Os factos que levaram à condenação do Boavista nem sequer foram objecto de apreciação porque afinal tal não era necessário, pois o recurso que deveria ter entrado sobre a decisão que considerou nula e de nenhum efeito a anterior reunião do CJ que então tinha confirmado a descida dos boavisteiros foi um ar que lhe deu, logo a prescrição por unanimidade… e o regresso à primeira forma…

Compreende-se por isso a batalha do Boavista ao longo destes anos por repor algum igualitarismo de tratamento. Uns não podiam ser filhos e outros enteados. Alguém pôs a pata na poça e alguém agora vai ter que resolver um problema que há muito deveria ter sido resolvido. Mas pelos vistos quem de direito não quis ou não pôde resolvê-lo a tempo e horas. Assim sendo, há que encontrar agora soluções para ultrapassar mais esta fantochada do Futebol português. E a que se perfilha de novo é o alargamento que é a pior das soluções pois vai contribuir para a perda de competitividade, para haver mais clubes com ordenados em atraso e sem poderem cumprir as demais obrigações.

É altura da Liga olhar para este problema de uma vez por todas, certificar-se que todos os clubes concorrentes à I e II Liga têm possibilidades à partida de poderem cumprir os seus orçamentos e se as certidões apresentadas pelos clubes são de todo verdadeiras, dado que os rumores e as dificuldades que vários clubes demonstram ao longo da época para solverem os seus compromissos atempadamente, são de molde a criar suspeições e a admitir que alguns estabelecem orçamentos que sabem que terão muita dificuldade ou não poderão mesmo cumprir. E se facto for essa a verdade dos factos, então esses clubes não poderão competir em competições profissionais, porque criam uma concorrência desleal relativamente a outros que, mais modestos, cumprem as suas obrigações.






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