Ponto Vermelho
Intrigante
4 de Abril de 2013
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Mesmo considerando que os factos mais sórdidos e intrigantes podem acontecer no nosso futebol que é afinal um espelho fiel da sociedade em que vivemos, existem sempre novas situações que nos provocam alguma surpresa a despeito de já nada ou quase nada ter a faculdade de nos surpreender. Sabemos também que existem várias personagens bem posicionadas na vida pública que têm a tendência para catalogar esses casos como uma ilha à parte. Não concordamos de todo, e isso talvez ajude a explicar muitas das razões porque os sucessivos governos se têm mantido sempre alheados do futebol, embora não desdenhem ser recebidos nas Tribunas de Honra dos clubes com todas as mordomias inerentes. Ainda agora a tutela através do seu Secretário de Estado, Alexandre Mestre deu a conhecer à opinião pública que o Governo não tinha opinião acerca de um desaguisado entre os presidentes da Liga e da Federação, apesar de ter ocorrido na sua presença.

Neste ou em qualquer outro Estado de Direito, é imprescindível que as regras vigentes sejam cumpridas e de preferência com a celeridade possível onde quer que sejam aplicáveis. E quando se verificam desvios ou existem incumprimentos da parte das entidades que têm por missão acompanhar e zelar pela sua correcta aplicação, deverão ser accionados os mecanismos necessários tendentes à responsabilização e punição dos prevaricadores. Não importando o seu peso institucional na sociedade baseados nos próprios princípios constitucionais de que a lei deve ser igual para todos. E é aqui que se começam a verificar os primeiros abastardamentos, com o próprio executivo a não cumprir e respeitar os preceitos consagrados e, por outro lado, quem deveria fiscalizar a demitor-se das suas funções ao deixar passar em vez de actuar.

Não se estranha por isso, infelizmente, que aconteçam casos que a todos nos deveriam envergonhar, pois ao imperar o manto do silêncio onde deveria haver uma actuação firme e sem hesitações, estamos todos a pactuar com acontecimentos que deveriam ser rapidamente esclarecidos para evitar que a especulação não venha a tomar conta do nosso quotidiano. Não basta olhar apenas para as árvores da orla da floresta, mas fundamentalmente para a floresta recôndita onde quase nunca o astro-rei tem hipóteses de penetrar. E assim sendo, os casos profundos continuam sem ser julgados (ou como tem repetidamente acontecido – prescritos), o que significa que estamos perante uma diversidade de casos faz de conta. Para benefício de uma pequena minoria que continua a deliciar-se neste jardim à beira-mar plantado e se sente incentivada a prosseguir.

Foi notícia e tem continuado a ser semanalmente pela pena do Sub-Director do diário desportivo A Bola, José Manuel Delgado que tem estado empenhado em não deixar morrer o assunto; Falamos da questão do rocambolesco assalto à Federação Portuguesa de Futebol. Mesmo sem desenho todos percebemos logo à primeira que não se tratou de um vulgar assalto, tendo em conta que os alvos foram seleccionados criteriosamente. Esse facto, pelo seu ineditismo deveria merecer desde logo uma atenção especial, considerando em primeiro lugar que não foram assaltantes em busca dos habituais valores transaccionáveis, mas alguém a mando de alguém para obter informações privilegiadas sobre uma matéria muito específica e sensível. Parecem não restar dúvidas que, apesar de terem sido três os alvos objecto de atenção especial, terá sido porventura o computador do Presidente dos Árbitros o verdadeiro motivo do assalto.

Com efeito, a informação privilegiada supostamente contida nos files de Vítor Pereira deve ter aguçado o desejo a quem tem demonstrado especial apetite por esse importante sector do futebol. Por esse motivo e porque tal põe ou pode pôr em causa todo um conjunto de profissionais que por exercerem uma actividade pública com demasiada exposição poderão tornar-se em alvos vulneráveis bem como as suas próprias famílias, seria preciso celeridade de actuação. Já sem falar de outras situações mais abrangentes. Os assaltantes apesar de serem determinados e saberem ao que iam, terão cometido erros de principantes ao deixarem rastos visíveis que um qualquer CSI de 3ª categoria em circunstâncias normais, há muito os teria identificado para depois ser seguida a rotina normal nestes casos. Acreditamos que o estejam pois estamos a entrar na 8ª semana, mas quanto ao resto... nada de nada.

Porque é uma matéria demasiado importante e sensível para que a exemplo de outras caia no cesto roto do esquecimento, seria curial e mais do que oportuno que quem de direito tivesse a amabilidade de explicar à opinião pública o porquê deste silêncio sepulcral, se estão ou não identificados os informáticos curiosos, quem foram os eventuais mandantes, quais as suas motivações, etc, etc, para que possa ser esclarecido mais este imbróglio que a cada dia que passa faz disparar a especulação e a incerteza, sobretudo porque em qualquer caso anterior rapidamente notícias avulsas chegam às páginas da imprensa. Aguardam-se por isso esclarecimentos urgentes. A quem interessa este silêncio?








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