Ponto Vermelho
A primeira das finais
7 de Abril de 2013
Partilhar no Facebook

Dentro de momentos o Benfica irá disputar a primeira das finais até final do presente campeonato. Primeira porque é a próxima, e porque do seu resultado tanto poderá ficar tudo na mesma como algo poderá mudar. O espectro da época passada que continua a pairar na mente de todos aqueles que estão mortinhos para que os encarnados percam pontos e também, há que dizê-lo, da parte dos benfiquistas mais pessimistas que não conseguem abandonar a ideia que a história tende a repetir-se. Mesmo que ela se tenha repetido, por exemplo, nos últimos três encontros em Olhão para o campeonato.

À medida que o tempo se vai esgotando para o pontapé-de-saída do encontro, vai crescendo o nervosismo e a convicção de que teremos pela frente um osso muito duro de roer. Por todo um conjunto de factores qual conjugação astral feita de coincidências, com todos os indícios explícitos e aqueles que não se vêem mas sentem-se no ar e são impossíveis de explicar. Esperamos que sejam apenas acasos derivados de férteis imaginações ou, se quisermos, de mentes habituadas a serem desconfiadas e alicerçadas na experiência adquirida ao longo de três décadas em que quase tudo aconteceu mesmo aquilo que seria impensável.

Desde logo pelo valor da equipa do Olhanense comandada por um técnico experiente e sabedor que face à sua posição na tabela classificativa, luta desesperadamente por pontos que lhe permitam afastar-se dos lugares de descida. Depois porque contrariamente à versão apresentada pelo treinador da Académica a seguir ao jogo com o FC Porto, os algarvios são mesmo deste campeonato e provaram-no no Dragão onde emperraram a máquina portista e impediram os dragões de aproveitarem o deslize do Benfica na Choupana. Bracali foi aliás muito claro sobre esse aspecto pois pretende contribuir para que os portistas sejam campeões. Finalmente porque é natural que os jogadores do Benfica apresentem algum cansaço derivado do exigente jogo europeu da passada 5ª Feira.

Estes são, digamos, os aspectos estrictamente desportivos. Mas sabendo-se como normalmente funcionam os tenebrosos labirintos do futebol português, durante a semana e noutro âmbito, foram surgindo paulatinamente à tona alguns indícios que permitem alimentar desconfianças de toda a espécie. Numa conjuntura normal dir-se-ia que se tratariam de meras coincidências mas, infelizmente, têm acontecido tantas que nos leva a accionar o alerta vermelho para que possamos estar muito atentos a todos os pormenores mesmo os mais insignificantes. É que gato escaldado de água fria tem medo

Numa altura em que a Liga de Clubes num acto de puro delírio voltou a aprovar mais um alargamento sem ter em conta que, para além de outros aspectos a que já por várias vezes aludimos, irá aumentar exponencialmente a possibilidade de haver mais clubes que não poderão cumprir com as suas obrigações, temos no tempo presente e só na Liga principal vários clubes com ordenados em atraso. Um deles, como é público é o Olhanense em que os jogadores cansados de promessas resolveram anunciar uma greve como forma de pressão dado o mediatismo que adviria em vésperas de um jogo com o Benfica. Escrevemos então que, para além de não ser desejável, não acreditávamos que a sua intenção fosse concretizada. Por razões facilmente perceptíveis.

Foi pois sem surpresa que surgiu o presidente Isidoro de Sousa a anunciar que amigo tinha decidido avançar com cerca de 288 mil euros para liquidar 1 mês e meio de ordenado dos 4 em atraso. Tudo seria normal e sem motivo para reparos se não houvesse tanto sigilo na identidade de tão grande benemérito. Ao manter sob anonimato a origem dos fundos, o presidente do Olhanense acabou por dar origem a suspeições, pois nos tempos que correm com os portugueses a atravessarem tão grandes dificuldades, não é do pé para a mão que surge alguém a contribuir com tão elevada verba para pagar vencimentos de jogadores de futebol. Aliás, a própria Liga de Clubes que anda a gastar munições em guerras sem sentido, deveria ter-se preocupado com este assunto para que o campeonato não fosse afectado com dúvidas ou suspeições de nenhuma espécie.

Dando de barato o facto de o presidente algarvio ter sido visto a jantar num restaurante do Porto ligado aos portistas porque afinal deve continuar a haver liberdade de escolha do local e da ementa, mais uma coincidência aconteceu com a nomeação de Hugo Miguel para dirigir o encontro, da qual não pode ser desligada a de Pedro Proença para o FC Porto-SC Braga e que até deu origem a uma reacção negativa dos bracarenses. Gostaríamos de ver estes dois casos como sendo apenas duas opções normalíssimas do Conselho de Arbitragem da FPF, mas infelizmente não é esse o nosso entendimento, dado que o historial do seu desempenho em jogos-chave não é de molde a deixar-nos minimamente descansados. Esperamos estar enganados porque nem sempre os jogos permitem determinadas situações, mas que temos sobejas razões para estarmos apreensivos, ah isso é inegável!






Bookmark and Share