Ponto Vermelho
Olhanense - Benfica
7 de Abril de 2013
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Liga Zon-Sagres - Época 2012/2013 - 25ª jornada
Estádio José Arcanjo, 7 de Abril de 2013 - 20h15

Árbitro Principal: Hugo Miguel - AF Lisboa
Árbitros Assistentes: Pedro Garcia e Hernâni Fernandes
4.º Árbitro: José Quitério Almeida
Observador: Andrelino Pena
Delegados: Albertino Galvão e João Rosado

Benfica (Titulares): Artur Moraes, Maxi Pereira, Garay, Luisão, André Almeida, Matic, Enzo Pérez, Ola John, Gaitán (Aimar 85m), Rodrigo (Ola John 68m) e Lima (Cardozo 78m)
Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Jardel, André Gomes, Aimar, Ola John, Urreta, Cardozo

Cartões Amarelos: 0
Cartões Vermelhos: 0

Resultado final: 0-2: Salvio 52m e Matic 63m

Benfica de regresso a Olhão onde nunca havia ganho na era Jorge Jesus em partidas a contar para a Liga, e logo para um jogo importantíssimo nas contas do título 2012/13 e envolto em várias polémicas; da não realização do jogo no Estádio Algarve aos 288.000 euros facultados pelo «amigo do presidente» há dias, ainda a nomeação de Hugo Miguel.

Moral pois em alta em Olhão, não só em função de parte dos ordenados terem sido regularizados, mas também porque na passada jornada os pupilos de Manuel Cajuda haviam arrancado importantíssima vitória em Aveiro frente a um adversário directo. Para esta partida no entanto, o técnico não podia contar com Yontcha, Maurício, Nuno Piloto, Abdi, D’Onofrio e Ricardo, lesionados.

Sobre o Benfica recaíam também muitas dúvidas. Para além da ausência de Melgarejo - castigado – as presenças de Matic, Enzo Pérez e Salvio não eram dadas como certas. Ainda assim, Jorge Jesus faria subir ao (péssimo) relvado do José Arcanjo um onze perto da sua fórmula mais habitual, excepção feita à inclusão de Rodrigo que mais uma vez fazia dupla com Lima na frente e nova insistência em Gaitán na ala esquerda em detrimento de Ola John. Na lateral esquerda, aí sim, a principal nota de destaque; esperava-se que Luisinho rendesse Melgarejo, mas acabaria por ser André Almeida.

Num José Arcanjo perto da sua lotação máxima, os espectadores viam o jogo começar com um Olhanense disposto a discutir o jogo pelo jogo, e era até a equipa da casa quem estaria melhor nos instantes iniciais, sempre a privilegiar a ala direita ainda que sem grande objectividade. Ao minuto 2 ainda assim, é daí que nasce um cruzamento com algum perigo, valendo Luisão a resolver, cedendo lançamento.

Por seu turno o Benfica adoptava uma toada calma, mas ainda assim reequilibraria as operações de imediato, obrigando o Olhanense a recuar e a predispor-se em contra-ataque. Aos 3’, Gaitán na esquerda solicita Rodrigo mas o cruzamento recuado deste acaba por ser resolvido por um defesa algarvio.

A primeira jogada de perigo do Benfica surgiria aos 5', de novo por Rodrigo que depois de bela jogada individual mais uma vez pela esquerda, solicitava Lima na pequena-área que por muito pouco não chegava para a emenda. Maxi e Cajuda tinham um momento castiço, depois de um pé alto de um jogador algarvio nas costas do uruguaio, e do livre perigoso respectivo nada de relevante resultava. Já aos 7’ sim, quando um lançamento lateral chega a Salvio que aparece na marca de grande penalidade para um remate de primeira de pé esquerdo mas à figura de Bracali.

O Benfica carregava, aos 8’ Hugo Miguel vislumbrava uma falta de Rodrigo sobre Bracali (ou um fora-de-jogo?) que não existia(m) e que por sinal conduziam às primeiras perdas de tempo do guarda-redes de Olhão, e aos 9’ e depois de cruzamento da direita, de novo Salvio a aparecer na cara de Bracali mas ainda assim em fora-de-jogo, prontamente assinalado.

Chegavam os primeiros 10 minutos, com mais Benfica e com o Olhanense em claras dificuldades para sair e suster o ímpeto encarnado, e era precisamente ao minuto 10 que novo bom lance de Salvio se perdia nos pés de Maxi, com a defesa algarvia a fechar bem os caminhos ao lateral do Benfica. Aos 11’, a primeira combinação digna de registo da dupla atacante Rodrigo-Lima, com este último a cruzar da direita para cabeceamento de Rodrigo ao primeiro poste mas de ângulo difícil, e assim para defesa fácil de Bracali.

Respirava o Olhanense durante alguns segundos, mas aos 14’ a primeira grande oportunidade chegava; Gaitán e Rodrigo combinam na esquerda e o argentino coloca de calcanhar Rodrigo na cara de Bracali, mas o guarda-redes tapa bem os caminhos para a sua baliza e tira um golo certo ao hispano-brasileiro. Ainda se lamentava a perdida e já surgia outra; do canto da esquerda respectivo, Matic coloca de novo Rodrigo na cara do golo, mas o remate já dentro da pequena-área saía por cima.

Duas boas oportunidades para os encarnados que já iam fazendo por merecer o golo, e prosseguia o Benfica a tentar inaugurar o marcador. Aos 16’ ainda assim, registavam-se momentos de menor fulgor com o Olhanense a aproveitar alguns maus passes na saída do Benfica para o ataque. Tempo para assistir Babanco aos 19’, e de seguida o minuto 20 chegava com Maxi numa insistência e num cruzamento-remate que por muito pouco Lima não conseguia emendar. 20 minutos com mais Benfica, em que se lamentava as dificuldades de penetração, em parte porque era impossível fluidez num relvado curto e duro, mas também porque defensivamente o Olhanense ia estando bem organizado.

Entrávamos novamente numa fase mais morna, com o Olhanense mais recuado, aos 23’, cruzamento da esquerda e vale Jander a resolver, quando já tinha Salvio nas suas costas. Aos 24’ Bracali era chamado a intervir depois de jogada de insistência encarnada, com Salvio a colar no peito e a atirar de zona frontal mas sem força, e eram evidentes as dificuldades com o domínio de bola numa relva curta em que a bola saltava demasiado, em momentos nem sempre bem jogados.

Aos 27’ Salvio ganhava sobre Jander que o derrubava e dava origem a livre perigoso no enfiamento da linha da área do lado direito que Gaitán aproveitava para bater mas Jander mais alto do que Luisão resolvia para canto do qual nada resultaria, e aos 29’ de novo Salvio, a entrar na área com espaço mas a perder tempo e espaço depois de um mau domínio, permitindo somente a Maxi que ganhasse canto.

Chegávamos à meia-hora com mais Benfica mas com nota sobre evidentes dificuldades por via do pouco espaço concedido, e já depois de André Almeida ser carregado na área pelas costas e Hugo Miguel mandar seguir, da insistência do lance o próprio André Almeida rematava ao lado. Aos 31’ e na sequência de lance de contra-ataque iniciado por Matic, Vasco Fernandes carregava Lima e via o primeiro amarelo (que acabaria por ser o único), na sequência do livre, cruzamento para Luisão que falhava o pontapé acrobático.

Nova falta por assinalar sobre Gaitán aos 34’, e aos 35’ o Olhanense descia largos minutos depois até à área encarnada, com um cruzamento então resolvido por Garay. Sucediam-se muitas bolas perdidas, ao que continuava a não ser alheio o estado lastimável do relvado, aos 40’ ainda assim grande jogada do Benfica e de Lima, com Maxi a devolver-lhe a bola mas o remate na passada do brasileiro aparte sair forte, permitia defesa de Bracali ao primeiro poste, decorrido que estava o minuto 41. Na insistência e num lance com alguma confusão, a vez de Fernando Alexandre tirar o golo ao Benfica.

Tempo então para assistir Nuno Reis, o que conduzia a mais uns segundos que passavam, e no reatamento o Olhanense a tentar subir. Já no tempo de compensação, aos 45+1, de um lançamento lateral nova boa oportunidade para os encarnados; Luisão aparece caído na área e depois Lima recebe no peito em excelente posição, contudo o seu remate acaba por sair ao lado do poste esquerdo da baliza de Bracali. Mais uma oportunidade de golo que o Benfica desperdiçava.

Chegava o intervalo com um nulo deveras lisonjeiro para o Olhanense, até porque Artur havia sido um mero espectador, ainda assim pecava o Benfica por não conseguir acentuar a pressão, fruto do bom povoamento dos algarvios e também de alguma lentidão de processos dos encarnados, não fosse praticamente impossível jogar de primeira.

Esperava-se que o Benfica pudesse chegar rapidamente ao golo na segunda parte, por forma a evitar ansiedade e um final de jogo mais exigente. Ainda assim era o Olhanense que os 46 tinha uma incursão de Rui Duarte pela direita, cujo cruzamento chegava à esquerda, acabando então o lance por gorar-se. Tentava o Benfica jogar pelo seguro, não correndo demasiados riscos, aos 47’ canto cedido por Vasco Fernandes sobre Enzo, e da marcação Garay por pouco não acerta na bola nas melhores de condições e já de boa posição.

Muitos jogadores em aquecimento e mais Benfica novamente, aos 49’ Rodrigo deriva do meio para a esquerda e faz a bola chegar a Gaitán cujo cruzamento acaba por ser resolvido pela defesa algarvia. De novo os caminhos bem fechados para a baliza de Bracali e Jorge Jesus apreensivo, mas o golo chegaria logo de seguida; aos 51’, Rui Duarte mais alto do que Lima faz a bola chegar a Salvio, e este aproveita o espaço concedido no meio para de longe rematar rasteiro e colocado para o golo inaugural. A natural festa encarnada, e o Benfica chegava ao golo sem forçar muito.

Aos 54’ Manuel Cajuda finalmente desmontava a estratégia inicial, fazendo entrar Leandro e David Silva para os lugares de Babanco e Tiago Terroso, e era o Olhanense que tentava responder nos instantes seguintes. Aos 56’, bela jogada de Jander que depois de passar por vários jogadores encarnados, remata forte mas ainda assim por cima da baliza de Artur.

Pressionava o Olhanense, aproveitando as pechas do Benfica na troca de bola e o facto de não conseguir agora sair com grande critério, mas depois de fase mais incaracterística, à passagem dos 60 minutos subiam de novo os encarnados. Aos 62’, centro de trivela de Salvio e canto do qual nada resultaria, e depois de lance gizado pela esquerda e de um passe que sai desviado e recuado, o segundo golo aos 63’, com um remate forte e colocado de Matic, a fazer o 2-0.

Festa nas bancas com o jogo a correr de feição e praticamente decidido, e mexia Jorge Jesus aos 68’ fazendo Ola John entrar para o lugar de Rodrigo, troca que deslocava Gaitán para as costas de Lima. Aos 69’, Salvio com um bom pormenor na direita fazia de novo o Benfica acercar-se da área algarvia, e assim chegavam os 70, com os pupilos de Jorge Jesus com o jogo controlado.

Ola John aos 71’ falhava um passe e com isso levava Jorge Jesus ao desespero - a entrada do holandês esteve longe de maravilhar - e aos 72’ nova grande jogada do Benfica, com o carrossel a fazer a bola circular da esquerda para a direita, e depois o cruzamento-remate a passar junto ao poste da baliza de Bracali.

André Micael cedia canto sobre André Almeida aos 74’, depois de mais uma boa jogada dos encarnados, e aos 75’ tempo para a entrada de Djaniny, chamado a substituir Targino. Aos 77’ de novo muito perigo, com Maxi e Salvio a trabalharem na direita mas a defesa algarvia a acabar por resolver, e aos 78’ nova mexida na equipa encarnada, com Lima a sair para dar o lugar a Cardozo.

Entrávamos numa fase morna com o Benfica no comando das operações mas sem grande progressão no terreno, e apenas aos 82’ o público quebrava o marasmo, tudo porque Pablo Aimar era chamado ao banco. Seguia-se fora de jogo mal tirado ao ataque encarnado aos 83’ e logo depois grande penalidade reclamada sobre Salvio onde de facto há contacto mas o defesa algarvio também toca na bola, e aos 85’ a esperada substituição, com Gaitán a sair para dar o lugar a Aimar, troca que mantinha a equipa com o mesmo figurino.

Aos 86’ surgia um remate desviado dos algarvios ao mesmo tempo que adeptos do Olhanense iam já abandonando o José Arcanjo, e aos 88’ nova bela jogada dos encarnados com Enzo a rematar em jeito de zona frontal mas por cima. A primeira defesa de Artur surgiria precisamente aos 89’, altura em que Lucas rematava de longe de pé esquerdo e fácil para o guarda-redes encarnado, e surgia então o apito final, com o Benfica a passar em Olhão e a ficar 7 pontos à frente do FC Porto, que só jogará esta 2.ª Feira contra o SC Braga.

Na flash interview Salvio defendia que a equipa fizera um grande jogo e que na primeira parte o Olhanense fechara os espaços, mas que tudo se alterou na 2ª. O argentino revelar-se-ia ainda feliz pelo golo marcado, e congratulou-se por ajudar a equipa. Mais diria que é importante seguir este caminho e quanto a uma eventual pressão do lado do FC Porto, Salvio diria que apenas se preocupam com o seu próprio trabalho, que passa por mudar o chip já a pensar no Newcastle. Resposta semelhante mereceria a abordagem ao jogo com o Sporting, Salvio defendia que primeiro ainda há jogo contra os ingleses, Paços, e que o pensamento é sempre jogo a jogo.

Jorge Jesus por seu turno falava no futebol ter períodos e o Benfica não ser obrigado a fazer golos na primeira parte, algo que aconteceu por mérito do adversário dado que o Olhanense se revelou atento às movimentações dos jogadores do Benfica e houve pouco espaço entre linhas. Mais dizia que quando existe confianca não importa em que metade se marca, se na 1ª se na 2ª, e que o importante é vencer. Palavra também sobre o rectângulo de jogo, considerando que o estado do terreno não beneficia sequer o Olhanense caso precise de optar por um jogo rápido porque tal se torna impossível, e para André Almeida que explicou o porquê de hoje ter actuado a lateral esquerdo; deveu-se ao Targino jogar na ala e o Rui Duarte lançar por norma a sua velocidade - dado que André Almeida é forte a defender e o Luisinho tem estado lesionado e sem ritmo, optou por este. Quanto às hipotéticas ausências antes do jogo começar, referiu-se a Enzo, que no final tinha de ser substituído mas já não podia por não haver mais substituições, idem com Salvio e Matic. Sobre este último, o elogio sobre ser forte psicologicamente e, ainda que cansado, poderar superar as dificuldades - «está um jogador de top». Sobre as poupanças para Newcastle, disse que amanhã se vai confirmar o estado de todos e que tirando Enzo mais ninguém se queixou, e que mediante isso até 4ª feira logo se vê. Quanto à suposta pressão sobre o FC Porto, voltou a referir que a pressão é sempre a de ganhar porque faz parte da mentalidade dos campeões.

Comentário Final: Não era novidade que se previam dificuldades na deslocação do Benfica a Olhão. Já se calculava que o Olhanense iria apostar numa postura defensiva e a explorar o contra-ataque sobretudo através de Targino. O Benfica entrou seguro no jogo e cedo começou a dominar os acontecimentos confiante de que mais cedo ou mais tarde chegaria ao golo que desbloquearia o jogo. E a despeito de dominar durante toda a 1ª parte e ter tido várias hipóteses de marcar, o que é facto é que o golo não chegou a acontecer. O terreno de jogo apresentava irregularidades com a bola a saltar demasiado e a criar dificuldades aos jogadores encarnados que tinham dificuldades em acelerar o jogo, o que facilitou a missão defensiva dos algarvios.

O regresso na 2ª parte voltou a dar mais do mesmo com o Benfica a assumir as rédeas do jogo e cedo chegaria ao 1º golo por Salvio num remate rasteiro para o lado direito de Bracali. O jogo prosseguiu na mesma toada e o golo da confirmação haveria de chegar pouco tempo depois num excelente remate de Matic.

A partir daí o Benfica começou a gerir o jogo e a trocar a bola sem conceder grandes veleidades ao Olhanense que viria a efectuar um único remate direccionado à baliza apenas aos 89m do jogo. Jogo sem história com uma vitória tranquila do Benfica que se nota estar num bom momento físico e anímico.

Gostámos particularmente de Salvio, Matic e Lima, mas todos os jogadores estiveram bastante bem. Num jogo correcto e tranquilo, sem casos, a despeito de haver algum receio, não demos pelo árbitro nem pelos seus auxiliares. Apenas uma dúvida na 2ª parte numa jogada dentro da área do Olhanense em que nos pareceu ter havido falta defensiva. Aceitamos todavia a decisão.
















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