Ponto Vermelho
Saudades...
8 de Abril de 2013
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Afinal só passaram 8 escassos meses desde que o senhor 100 milhões se transferiu para o Zenit de St. Petersburgo por uma verba substancialmente inferior e que descontadas as elevadas comissões e alcavalas que por norma costumam caracterizar todos os negócios de transferências de futebolistas portistas, renderam em termos líquidos a verba irrisória de 23 milhões para os cofres da SAD azul e branca. Teve que ser assim, ainda para mais quando o negócio de João Moutinho para Inglaterra que estava bem encaminhado, falhou à última da hora por dificuldades inultrapassáveis relativas à participação de fundos no passe do futebolista.

Recuamos para relembrar a algazarra que se seguiu ao célebre jogo Benfica-FC Porto realizado na Luz no dia 20 de Dezembro de 2009 e das incidências que se registaram a seguir, com os jogadores portistas de cabeça perdida a pontapear tudo o que estava inerte (como a manga do túnel) e se mexia (os stewards), e cujo processo nos Tribunais segundo notícias da imprensa está prestes a ser finalmente decidido, depois de na Justiça Desportiva o porto de abrigo CJ ter reduzido a pena a um castigo simbólico. Caso o Tribunal venha a decidir-se pela condenação, isso prova, mais uma vez, a má decisão da Justiça Desportiva. Idem, idem, aspas, aspas, para o caso Paulo Pereira Cristóvão.

Influentes portistas e o habitual coro que os acompanha na imprensa, chinfrinaram durante meses e meses com o castigo aplicado pelo CD. Tudo fazia parte de uma enorma cabala contra os interesses do FC Porto. E não faltou sequer a repescagem do confronto Norte-Sul num acesso incontrolado de falso regionalismo, uma estratégia tantas vezes repetida por Pinto da Costa e sua entourage que sempre teve vencimento, pois há sempre pessoas por várias razões dispostas a fazer de caixa de ressonância das suas teses bacocas. E sabe-se como o ”Querido Líder” aspira sempre a ser o centro do Universo…

O campeonato perdido nessa época em que até foi ultrapassado pelo SC Braga, foi atribuído pelas vozes da consciência pintista a razões exógenas, tendo com pivot o castigo aplicado a Hulk, pois com ele na equipa outro galo cantaria… Sendo que estão habituados a ganhar de qualquer maneira, é impensável alguma vez sofrerem o trago amargo da derrota, em particular quando o vencedor é o seu arqui-inimigo Benfica. Isso provoca um intenso sofrimento e há que rapidamente encontrar desculpas sólidas que acalmem e convençam os portistas, cuja maioria enfileira pelo mesmo diapasão.

Retomando a saída de Hulk com o seu quê de rocambolesco, muitas foram as vozes que temeram pela resposta que a equipa portista poderia dar com o abandono do seu principal desequilibrador e que beneficiava de protecção arbitral, sobretudo nas faltas à entrada da área adversária e de desequilíbrios dentro da área de rigor, sabendo-se que isso concederia vantagens a si próprio e ao FC Porto. Para além do seu mérito, muitos foram os jogos desbloqueados assim, sendo naturalmente relevada a sua influência no jogo portista, principalmente nos encontros em que se tornava necessário recorrer ao descomplicador.

Durante algum tempo e sempre que se revelava difícil o FC Porto levar de vencida o adversário, ainda foi possível ouvir e ler muitas opiniões saudosas mas, à medida que a época foi avançando e em alguns jogos o FC Porto denotou maior objectividade e colectivismo, a sombra de Hulk foi desaparecendo dos radares portistas e seus derivados, ouvindo-se até fazedores de opinião azuis e brancos e alguns que lhes estão próximos, afirmarem peremptoriamente que sem Hulk o FC Porto tinha mais conjunto e apresentava um futebol mais convincente. Esse pico de entusiasmo foi atingido nos jogos com o Gil Vicente e com o Vitória de Guimarães onde segundo fontes insuspeitas os portistas terão feito a melhor exibição da época. Eram, naturalmente, os grandes favoritos ao título.

Regrediram logo a seguir no seu reduto com o Olhanense ao deixarem-se empatar depois do Benfica não ter conseguido ultrapassar o obstáculo Nacional e isso, terá constituído um forte abalo psicológico nos portistas que já se viam destacados rumo ao título. Mas novo empate com o jovem leão num jogo em que até poderiam ter perdido, acentuou a parte psíquica negativa até porque o seu principal artilheiro Jackson Martinez dava indícios de algum desgaste e baixa de forma e falhou dois penalties decisivos que custaram pontos. E também porque, o seu pêndulo do meio campo – João Moutinho – esteve de fora alguns jogos que demonstraram bem a falta que faz à equipa e terá contribuído para a saída da Champions, uma forte aposta esta época.

Dizem os entendidos que nenhuma equipa pode (deve) depender tão acentuadamente de um único jogador (neste caso de dois). As épocas são muito desgastantes e, salvo excepções, nenhum jogador consegue manter a mesma forma durante toda a época. E isso está-se a reflectir no rendimento global da equipa, sobretudo no timing mais inadequado, em que curiosamente o Benfica que os portistas esperavam ver baquear com base nas épocas anteriores, tem dado mostras até agora de que está bem e recomenda-se. Porque a composição do plantel, ao contrário do dos portistas permite gerir melhor os efectivos. Ainda que as circunstâncias sejam diferentes, nem sempre foi assim. Daí que os portistas sintam saudades de Hulk e do jeito que lhes dava tê-lo agora nesta altura. Pena mesmo é o período de transferências estar fechado porque senão poderiam tentar o empréstimo até final da época…




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