Ponto Vermelho
Legítimas expectativas
11 de Abril de 2013
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O Benfica joga hoje em Inglaterra uma importante cartada na Liga Europa. A terreiro vieram os amantes das estatísticas referir que os encarnados nunca conseguiram eliminar uma equipa inglesa nos quartos-de-final de uma prova europeia o que deverá ser naturalmente tomado em conta, não vá a tradição ser ainda o que era. As expectativas estão altas de parte a parte, a menos que alguém esteja a fazer bluff. E não nos parecendo que sejam os encarnados, serão os ingleses? Daqui a pouco veremos até que ponto isso corresponde ou não à verdade mesmo tendo em conta a imprevisibilidade que está associada a um jogo de futebol.

Tem sido muito comentada (e criticada) a flutuação de Jorge Jesus em relação a esta prova com os naturais exageros, acrescente-se. E tudo porque ao definir o campeonato como a prioridade das prioridades, o treinador encarnado não terá posto a ênfase considerada necessária na Liga Europa que considerou como uma segunda opção. A nosso ver bem. Até porque tinha bem presente a má experiência da época anterior em que os dois pássaros voaram. As coisas no futebol são mesmo assim, podem-se alterar a cada momento, sendo que por vezes se torna necessário ajustar e redefinir prioridades. Sem que isso possa ser considerado como hesitação ou incoerência.

Veja-se o caso flagrante de Paulo Fonseca treinador do Paços de Ferreira. Se no início da Liga e até mesmo muito depois lhe perguntassem se a 5 jornadas do fim da prova alguma vez lhe passaria pela cabeça estar na pole-position de acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões e a disputar a passagem à final da Taça de Portugal, ele diria que nem nos seus melhores sonhos isso lhe passaria pela cabeça. E o que é facto é que se transformou numa realidade incontornável e que assenta na base do mérito não sendo apenas fruto do acaso. São estas boas e inesperadas surpresas que tornam o futebol mais aliciante.

Foi isso que terá sucedido com Jorge Jesus. Embora os objectivos de uma equipa como o Benfica devam ser sempre lutar pela vitória em todas as provas, não há dúvida que terão que ser sempre estabelecidas prioridades, assumidas ou não de uma forma explicita em público. E naturalmente isso não poderia ser feito por um conjunto alargado de motivos, desde o rótulo de basófia que não tardaria em surgir, passando pela lembrança amarga da pretérita temporada. Havia pois que esperar para ver como seria a carreira da equipa e o seu desempenho nas várias provas, para poder aferir com mais substância o futuro próximo.

Tem-se enfatizado muito a gestão exemplar levada a cabo por Jorge Jesus para justificar a boa carreira que os encarnados têm tido nas três provas que ainda estão a disputar. É verdade que isso tem acontecido, mas essencialmente porque o bom desempenho protagonizado por vários jogadores adaptados e os oriundos da equipa B permitiram que essa rotação ganhasse letra de forma sem quebras visíveis de rendimento da equipa. E ao acontecer isso, os bons resultados começaram a aparecer, o reforço anímico sedimentou-se, a massa adepta começou a acreditar e, derivado de toda esta simbiose, a principal prioridade começou a desenhar-se o que permitiu uma maior enfoque na Europa e à redefinição da estratégia. Tudo afinal normal.

Mas atenção: Tudo isso depende dos próximos resultados. Como tem sido sublinhado, o Benfica ainda não ganhou nada e caso não mantenha a mesma capacidade que tem vindo a revelar até agora em todas as suas componentes, arrisca-se a sofrer dissabores e a hipotecar a época num ápice, ou não estivéssemos a falar de futebol. Vemos de facto muita confiança dos vários elementos da estrutura nas capacidades da equipa, notamos aqui e ali já alguma euforia que se nos afigura demasiado prematura e por isso mesmo prejudicial aos interesses da equipa, se tivermos em consideração que do céu ao inferno dista apenas um clique.

Todavia, encaramos com optimismo o jogo da 2ª mão com o Newcastle. Não apenas pelo resultado algo confortável obtido na Luz, mas porque o Benfica parece ter sem dúvida melhor equipa, está num bom momento de forma e já demonstrou que não receia ambientes escaldantes como estamos certos irá ser o de St.James’Park. Em teoria será assim, restando saber o que será na prática. O que se pede é um Benfica que seja igual a si próprio, que entre sem qualquer receio mas com as precauções necessárias para não ser surpreendido como foi no início do jogo da 1ª mão, concentrado nos 90 minutos e com a pontinha de sorte que é sempre necessária nestas circunstâncias. Se tal acontecer, estamos convictos que as meias-finais passarão a ser um cenário mais do que plausível. Que assim seja!






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