Ponto Vermelho
Mais alento
12 de Abril de 2013
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Em mais uma etapa percorrida, as firmes expectativas misturavam-se com os naturais receios. Numa imensidão de adeptos e simpatizantes benfiquistas há formas de sentir das mais diversas, e enquanto uns demonstravam um optimismo e uma fé inquebrantáveis, outros enveredavam por sentimentos inversos com o seu pessimismo a vir ao de cima. Mais do que acreditar naquilo que a equipa é capaz ou não de fazer, são estados de alma que se tornam demasiadas vezes incontroláveis.

Da parte da grande maioria dos nossos adversários, a esperança era a eliminação do Benfica mesmo sendo a única equipa portuguesa ainda em prova e podendo juntar pontos preciosos ao pecúlio do ranking português na Europa. É, infelizmente uma forma transversal de reacção dos adeptos que contrasta com os tempos em que o êxito além fronteiras era desejado fosse qual fosse o clube que estivesse envolvido. Esta questão mudou de forma radical e há que encará-la como sendo um facto corriqueiro hoje em dia.

Reconhecidamente o Benfica avançou para as meias-finais da Liga Europa com todo o mérito e também, há que reconhecê-lo, com algum sofrimento que podia e devia ter sido evitado. Devido à capacidade do nosso adversário mas, igualmente, por falhas próprias que poderiam até ter comprometido a eliminatória. Mas é evidente que devendo ter isso bem presente para tentar evitá-las nos próximos dois jogos com os turcos do Fenerbahçe do nosso bem conhecido Raul Meireles que voltamos a encontrar numa eliminatória europeia, há que realçar os factores positivos que têm estado na base da carreira meritória dos encarnados até ao momento, mantendo-se vivos em três importantes frentes.

Com efeito, aquilo que se nos afigura mais determinante em relação às derradeiras temporadas (com excepção obviamente da de 2009/2010), é sobretudo a forma como os adeptos e os simpatizantes encaram hoje em dia a prestação que a equipa irá ter no próximo jogo, seja ele onde for que se realize e seja qual for a prova a que se reporte. Sem esquecer que o futebol é um desporto altamente aleatório e por vezes imprevisível, as expectativas são agora muito mais positivas mesmo que aqui e ali possam haver jogos e resultados menos conseguidos. Nenhuma equipa é imune a essas situações e o Benfica não foge à regra. Só esperamos é que isso não venha a acontecer em jogos com carácter decisivo.

Embora existam naturalmente aspectos a rever, apraz-nos observar que a equipa, aparte a categoria e a mentalidade individual de cada um dos jogadores, é actualmente uma equipa generosa e solidária o que atesta um excelente balneário com multi-facetadas vivências quão sociedade das nações. Olhamos e vemos cada jogador do plantel (seja ele qual for) a saber com exactidão aquilo que tem que fazer em campo, o que demonstra que têm bem assimiladas as ideias do treinador. Finalmente, pensar que numa diversidade tão grande de jogadores todos se sentem importantes, o que revela um trunfo psicológico que importa realçar e que tende a reflectir-se sempre que entram em campo.

Conjugando todos esses factores e as prestações do actual plantel esta época, arriscamo-nos a dizer que talvez seja o que mais se aproxima da mística que fez escola no Benfica décadas atrás. Porque havendo sempre jogadores que através das suas aptidões inatas sobressaem em relação aos restantes, não é menos verdade que se sacrificam em prol do colectivo e isso é um dos mais importantes trunfos do Benfica actual. Sem querer individualizar o mérito porque o segredo é sempre a floresta e não a árvore, é de reconhecer o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por toda a estrutura, com a parte técnica a ter especial relevância.

Mas o princípio de todos ganharem e todos perderem deve adquirir estatuto solidário e abrangente, para que não se caia na tentação de individualizar os erros e as prestações menos conseguidas, um mau hábito que se vê em todos os quadrantes e também no Benfica. O facto de podermos constatar tudo isto não nos impede de repetir, até à exaustão se for preciso, de que ainda faltam as conclusões e como tal, o discernimento que tem acompanhado toda a estrutura até aqui, é vital que se prolongue até final da época. Vêm aí jogos decisivos e terríveis que podem conduzir os encarnados a patamares de sucesso há muito não trilhados, mas que, ao invés, podem transformar-se em pesadelo e em desilusão.

Como sempre, o tempo o dirá. Mas independentemente do que venha a acontecer, o mais importante é constatar que tudo fizemos para vencer, e para isso toda a concentração nunca será demais. Se todos forem generosos, empenhados e lutarem pelo mesmo objectivo, isso será meio caminho andado para o sucesso. Mas se pelo contrário houver distracções e o individual se sobrepuser ao colectivo, então a tarefa será muito mais complicada. É claro que é necessário não descurar os aspectos exógenos que tão bem conhecemos, mas se todos estivermos atentos como temos estado até aqui, será muito mais difícil que eles venham a acontecer…




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