Ponto Vermelho
Evolução do desencanto...
13 de Abril de 2013
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Logo à noite saberemos se Coimbra terá mais encanto quando chegar a hora da despedida. Terá hoje epílogo a Taça da Liga remetida à sua condição de parente pobre pois nem para ela o paladino do alargamento conseguiu arranjar um patrocinador que se visse depois da investida da Santa Casa de Misericórdia e da Associação de Casinos que aproveitou a boleia para travar o investimento da Bwin. Já passaram largos meses e… nada de resoluções para resolver uma situação que está a prejudicar o fisco, estranhando-se que o Ministro Rabaça Gaspar continue a desbaratar a hipótese de receber mais uns trocados… A única certeza é a de que já não será Miguel Relvas nem Alexandre Mestre a resolver coisa alguma, esperando-se agora que o novo Secretário de Estado do Desporto, Emídio Guerreiro faça juz ao apelido e consiga encontrar solução de vez que já tarda para um problema, porque não nos parece que os apostadores estejam grandemente preocupados…

Também não sabemos até que ponto esse berbicacho que teima em durar e sobre ele, provavelmente por distracção nossa, não lemos nem ouvimos que issa faça parte do leque das grandes preocupações do presidente da Liga, terá influência na quietude que grassa nos meandros do futebol em que os mais distraídos até são capazes de se ter esquecido que hoje se disputa a final da Taça da Liga entre o FC Porto e o SC Braga. Poderá ser impressão nossa mas não notamos aquele frenesim que costuma caracterizar a proximidade dos grandes jogos, talvez porque entre os dois finalistas não exista qualquer rivalidade que seja digna de realce. Poderá ser por isso ou então porque uma parte significativa dos desportistas sente que é uma final desprovida de verdade desportiva depois da decisão incompreensível dos órgãos disciplinares da Federação.

Poderá ser ainda porque a Taça vencida quatro temporadas seguidas pelo Benfica tem provocado urticária em protagonistas conhecidos que a apoucaram e convidaram vários padrinhos para a re-baptizarem. Numa conjugação que dura desde os primórdios do roquetismo de triste memória para os lados de Alvalade, o Sporting teve a honra e o previlégio de ser o primeiro padrinho, re-baptizando-a de Taça Lucílio Baptista logo acolitado pelo FC Porto, e de então para cá têm sido os portistas a assumir o paternalismo do baptismo com vários epítetos, sendo a Taça da Cerveja o mais rapidamente assimilado. Para ser completo, e passando a publicidade, faltou apenas definir se era da Sagres ou da Superbock, muito embora devessem estar a referir-se a esta última por ser o seu patrocinador.

Esta época quis o destino e os Conselhos de Disciplina e de Justiça que o FC Porto fosse um dos finalistas, uma situação que atinge pela segunda vez. Na primeira em que tal sucedeu (3ª edição) os portistas não a conseguiram vencer e, pior do que isso, foram derrotados sem apelo nem agravo pelo Benfica. Se a tivessem vencido era de crer que a fase dos baptismos teria acabado mas, em face do resultado adverso continuou. Até agora. Curiosamente, na presente temporada a partir do momento em que se começou a desenhar uma época sem passeios, os portistas começaram a ser prudentes e a enfiar subrepticiamente a viola no saco, não se vá dar o caso (A Supertaça é um caso especial pois trata-se de um só jogo) de vir a ser o único troféu da época. Logo, todo o cuidado é pouco e há que dar-lhe importância, naturalmente de uma forma comedida de quem está comprometido com o dito e reafirmado no passado recente.

Quanto ao jogo em si: para que almeje vencer a Taça da Liga, o SC Braga terá que assumir uma atitude radicalmente diferente da que adoptou recentemente no Dragão em que pareceu um equipa pequena. Uma final é sempre apelativa e motivadora e os bracarenses desde há vários anos que têm revelado uma postura diferente e mais competitiva batendo-se de igual para igual com os grandes, como por exemplo há três épocas atrás em que atingiram a final da Liga Europa precisamente contra o seu adversário de hoje, depois de terem eliminado o Benfica. Pelas indicações anteriores os portistas são favoritos á conquista do troféu, mas tratando-se de um jogo final pode não suceder bem assim. Seja como for, espera-se que seja um jogo bem disputado e que o vencedor, seja ele qual for, releve a importância da Taça da Liga, até porque pode vir a ser o único troféu a conquistar. Quem haveria de dizer que a Taça da Liga acabaria por fazer concorrência ao mestre da fina ironia?










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