Ponto Vermelho
Apreensão...
18 de Abril de 2013
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À medida que o fim da época se aproxima a passos largos, cresce a preocupação e a ansiedade em alguns sectores sobre quem vai ser o treinador do Benfica na próxima época, considerando que ainda não saiu qualquer fumo e Jorge Jesus acaba contrato e já se podia ter comprometido com qualquer outro emblema. É verdadeiramente um dos temas da actualidade noticiosa e que tem deixado apreensivos os adeptos que receiam haver acontecimentos de última hora que acabem por colocar em causa o projecto da nova época que há muito tem vindo a ser burilado.

Considerando pois o exemplo encarnado, constatamos como as regras se foram alterando à medida que o tempo foi avançando e os resultados aparecendo. Recordamos que há algum tempo atrás (e basta recuar até ao princípio da época), várias vozes se pronunciaram sobre a saída de Jorge Jesus. Da mesma forma como rejubilaram com a época de 2009/2010 e se sentiram amargurados com a época seguinte em que o Benfica, em contraponto com um FC Porto a quem tudo correu bem, teve uma época algo frustrante atendendo à forma quase humilhante como baqueou em dose dupla na sua própria casa perante os portistas.

Por via disso, várias foram as opiniões e pressões sobre a Direcção do Benfica e em particular sobre Luis Filipe Vieira para que Jorge Jesus já não iniciasse a época seguinte. A despeito de no seu contrato (como aliás em todos) existir a tal claúsula indemnizatória significativa em caso de despedimento, julgamos que não foi isso verdadeiramente que obstou à não continuação de Jesus. É que, as experiências anteriores de mudança de técnico sempre que as coisas não corriam conforme o projectado eram negativas, e Vieira conforme já referiu publicamente por mais do que uma vez, considerou como um dos principais erros de gestão desportiva o despedimento prematuro de Fernando Santos em circunstâncias algo idênticas.

Iniciou-se pois a época de 2011/12 sob o signo da desconfiança de alguns que se tornou em verdadeira obsessão a partir do momento e da forma como os encarnados acabaram arredados do título depois da obtenção de uma vantagem significativa e de virem a receber no seu estádio o seu mais directo rival. Aí, o número dos que pediam a cabeça de Jesus aumentou significativamente e mais uma vez LFVieira resistiu com base nos mesmos princípios e porque apesar de tudo tinha havido uma boa carreira na Champions e a potenciação de novos jogadores tinha sido um facto indiscutível que acabou por permitir à SAD um bom retorno financeiro.

Esta conjugação de factores positivos tinha como contrapartida o facto de, mais uma vez, não ter obstado a que o FC Porto revalidasse o título, seu principal objectivo da época. E de todas as épocas e face às evidências anteriores, para muitos, a presente talvez fosse a que menos expectativas criava no seu ponto de partida. Foi sem surpresa que apesar da carreira da equipa os pontos negativos continuaram a ser sistematicamente sublinhados, aguardando-se pelo último terço para confirmar a débacle que diziam, costumava afectar as equipas de Jorge Jesus por essa altura. Nas hostes portistas nunca houve preocupação e com frequência era apontado esse pretenso handicap do treinador encarnado.

As evidências continuam a apontar o contrário. E muitos dos adversários portistas que com recurso à ironia pediam a LF Vieira para continuar a manter Jesus como treinador, perante algum descontrolo na sua própria casa, começaram a ficar preocupados porque as suas previsões de hecatombe encarnada não se concretizaram. E, aconteça o que acontecer até final, já nada nem ninguém lhe retira o direito à desilusão por terem falhado vários objectivos importantes de uma época em que acalentavam as mais firmes esperanças. Também dentro da casa benfiquista houve mudanças acentuadas de opinião pois muitos dos que pediam a cabeça de Jesus estão agora rendidos e são dos que mais se interrogam sobre a razão porque a renovação de JJ ainda não teve fumo branco. Pelo menos publicamente.

Não sabemos, ninguém sabe, o que nos reserva o dia de amanhã. Se teremos a confirmação das expectativas entretanto criadas, se pelo contrário iremos morrer na praia. É antes do mais uma questão de convicção e pela nossa parte optamos, sem a mais leve hesitação, pela primeira das possibilidades, cientes de que o caminho é árduo, difícil e complexo, mas acreditando piamente nas capacidades do grupo de trabalho que vemos pleno de vontade de ir ao encontro dos desejos de toda a estrutura e dos adeptos. Estamos a atingir o ponto fulcral da época em que tudo se começa a resolver de uma forma definitiva e sem recuo. Jorge Jesus? Sim, pensamos ser importante a sua continuação pelos seus méritos, por aquilo que tem feito, pela capacidade que tem demonstrado de aprender com os seus próprios erros e finalmente, porque é preciso estabilidade. Será necessário evocar mais razões?






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