Ponto Vermelho
Reforço da cristalização
20 de Abril de 2013
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A velha comissão que na realidade nunca desfaz as malas num decalque perfeito de outras eras, lá recolheu as assinaturas da praxe para dar aquele ar de triunfalismo unânime que afinal é um acto de todos os dias. E, mais uma vez a contragosto, o Querido Líderlá tem que fazer mais um sacrifíciozinho em prol da comunidade por mais uns tempinhos. Por quantos ninguém sabe, e isso cria um sentimento de alguma instabilidade nos adeptos mais avisados dado que desconhecem o delfim oficial sendo que a luta pelo poder segue, surda e intensa, dentro de momentos...

Tempo pois para serem tecidas as mais eternecedoras loas de que há memória e o mais profundo reconhecimento pela obra ímpar encetada há mais de três décadas, não importando como lá chegou e as fórmulas utilizadas. Sabemos que os adeptos querem é vitórias e se elas forem conseguidas, a forma, o feitio e os métodos usados como meios, justificam automaticamente os fins. Nada mais importa. Sempre que adeptos adversários nomeadamente os do Benfica, têm contestado essa sinfonia nunca acabada de golpadas sistémicas, tal tem sido visto como inveja e o nunca saber perder.

Mas a história do seu consulado contada por personagens insuspeitos está aí para se extraírem as conclusões e permanecerá para todo o sempre. Por mais que tenha havido esforços para a adulterar e mesmo erradicar. Em muitos e variados aspectos confunde-se com a da sociedade civil, pois são mais os pontos de contacto do que as divergências de métodos, qual princípio dos vasos comunicantes. E se dirigirmos um pouco da nossa atenção para certos aspectos, observaremos promiscuidades gritantes que sempre serviram para a obtenção de vantagens de várias espécies nos mais influentes lugares e por gente que na circunstância detinha poderes e influência. Não é por acaso que o FC Porto, lá fora em certos meios, é conhecido pelo "clube da fruta".

Fazendo questão de excluir as pessoas que sempre mantiveram a espinha direita em todos os sectores da sociedade, seria de esperar que muitas das individualidades que têm detido o poder político e judicial ou ainda desportivo, combatessem este estado de coisas porque, afinal, tem sido o Futebol português que tem ficado em xeque. Mas por eventual cobardia, ou estratégicos conluios tudo se tem mantido na mesma, navegando ao sabor de interesses inconfessáveis de que tem resultado a história abastardada que conhecemos, em que apenas ficam registados os resultados conseguidos. A última distorção conhecida foi decretada pelo CJ da Federação que conseguiu cometer a proeza de provar a partir da Alexandre Herculano ao País e ao Mundo que 71h45m eram 72h...

Afastadas ou silenciadas as vozes mais críticas e denunciadoras das tramóias, também muitos dos auto-intitulados críticos se têm desfeito em elogios ao percurso do Querido Líder, metendo na gaveta os deveres da profissão de criticar e denunciar todos os factos e situações anómalas conhecidas que têm contrariado os mais elementares princípios, a ética e a verdade desportiva. E nem o facto de ter havido colaboracionistas em todos os tabuleiros alguns mesmo aparentados com o Benfica que de alguma forma ajudaram a legitimar as situações desviantes, modifica o estado de coisas. Ao se absterem de o fazer e de em alguns casos servirem de pontas de lança, ajudaram a sedimentar uma história conspurcada da qual deveriam de ter vergonha. Mas como, se a não possuem?

Temos achado deveras curiosas as tentativas que vão surgindo sazonalmente de que os adeptos do Benfica e de outros clubes suspiram por um presidente como Pinto da Costa. Deve ser influência das redes sociais onde alguns profissionais da imprensa vão beber algumas notícias especulativas para dar à estampa, sem se darem ao trabalho de comprovar a que clube ou interesses pertencem os seus autores. Nem sempre o que parece óbvio o é... Não podemos, evidentemente, responder pelos adeptos dos outros clubes mas se bem julgamos interpretar o sentimento da esmagadora maioria dos benfiquistas, o simples enunciar dessa sugestão constitui para nós e sobretudo para um clube como o Benfica, uma ofensa gritante.

Aliás, seria de uma total incoerência para um clube que sempre se norteou pelos princípios da ética e da verdade desportiva e tem vindo a denunciar os constantes atropelos às mesmas, se porventura ainda que em sonhos considerasse, alguma vez, essa hipótese. Ainda que em circunstâncias diferentes, os benfiquistas já tiveram que chegasse no final do último século com os resultados que se conhecem... Também não colhem as pseudo-imitações do Querido Líder. Se pretendessemos entrar por aí, então teríamos de dizer que se alguém imita alguém, é exactamente o contrário. Os exemplos abundam e estão aí para quem os quiser ver.

Terminamos com uma questão que amiudadamente é colocada por alguns plumitivos quando referem que «Pinto da Costa sabe mais de futebol a dormir do que os rivais acordados». Acreditamos que saiba, porque qualquer pessoa que labute mais de 30 anos numa profissão (seja ela qual for) só se for mentecapto é que não aprende os fundamentos e as subtilezas da mesma. E o líder portista, fazemos-lhe essa justiça, aprendeu bem e depressa. Mas, e isso gostávamos de ver respondido, se tomarmos a expressão acima como 100% verdadeira, porque razão teve de recorrer sistematicamente às golpadas ao longo de todos os seus mandatos que já excedem os 30 anos?




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