Ponto Vermelho
Inultrapassável
21 de Abril de 2013
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Não há volta a dar. O jogo de hoje agendado entre os dois velhos rivais ocupa, por mérito próprio, uma enormíssima parte da agenda desportiva portuguesa, na diáspora e noutros países, expecto provavelmente na Colômbia devido a não estarem presentes no relvado da Luz jogadores colombianos. Não tem problema, tal acontecerá sem sombra de dúvida na 29ª jornada de um campeonato que apesar de não ter grande visibilidade, ainda vai entretendo uns bons milhões de espectadores. Já sem contar com os inúmeros mirones acreditados e que não deixarão de marcar presença hoje no derby dos derbies.

Os prognósticos dos entendidos desta coisa da bola apontam o Benfica como grande favorito à vitória final no encontro. De facto, se tomarmos como referência a carreira das equipas, os plantéis e a estabilidade das respectivas estruturas, poder-se-á dizer-se que a lógica aponta claramente para esse desfecho. Mas, hoje, devido à forte carga emocional que impenderá sobre ambos os contendores, o factor experiência poderá vir a representar um papel importante na consumação de determinados pormenores que poderão vir a fazer a diferença no cômputo final da partida.

Olhando para as duas forças em presença num primeiro relance, parece na realidade existir um fosso muito acentuado entre os dois adversários de sempre. De um lado um Benfica que se tem revelado estável, com processos assimilados derivados do treinador estar na 4ª temporada consecutiva à frente da equipa, estar mais experiente, ter um melhor plantel e estar motivadíssimo por poder vir a consumar a melhor época de sempre. Do outro, um Sporting que só há pouco conseguiu começar a revelar alguma identidade, com uma equipa muito jovem e com uma nova Direcção, e que está a ensair os primeiros passos e a revelar indícios de consolidação promissores.

As duas forças em presença tão antagónicas entre si, poderão propiciar um jogo nem sempre bem disputado mas certamente competitivo, dado que ambos os clubes necessitam de vencer. O Benfica porque se quer manter viva a chama do título os três pontos são obrigatórios, e o Sporting porque não quer afastar-se da Europa, o único objectivo que resta aos leões. E é tão verdade isto que um eventual empate é negativo para o Benfica que volta a ficar à mercê do FC Porto, mas não o será tanto para o Sporting que a despeito de poder vir a atrasar-se terá que ser sempre considerado um bom resultado face ao actual desnível das forças em presença.

Discordamos que a vitória de ontem dos portistas tenha gerado pressão adicional nos encarnados. Fosse qual fosse a circunstância e tendo em conta o objectivo do título, o Benfica teria sempre que lutar pela vitória, único resultado que lhe serviria. Os objectivos só poderão ser atingidos com o foco vitorioso em cada jogo, independentemente dos resultados conseguidos pelo seu rival mais directo. Porque devido aos interesses televisivos os jogos são a conta-gotas, e o facto do FC Porto ter jogado antes e ter vencido, em nada deve influir nos desígnios encarnados que deverão entrar em campo sempre com o objectivo de levar de vencida o adversário seja ele qual for. Hoje, apesar de ser o Sporting, nada se altera nesse particular.

Pelas declarações produzidas pelos diversos intervenientes que vão a jogo, depreende-se que qualquer dos lados mantem a esperança da vitória. Neste tipo de jogos não poderá ser de outra maneira. E os inúmeros jogos anteriores comprovam que tem havido em diversas ocasiões resultados anti-lógica, com o Sporting para além de tentar vencer o Benfica que é um dos seus objectivos (lógicos) de sempre, a fazer gala de impedir que os encarnados possam atingir o título. Dito de outra maneira, para muitos leoninos, sempre que o Sporting não pode ser campeão (o que está a acontecer ininterruptamente desde a época de 2001/2002), então que seja o FC Porto.

Indiferente a isso deve manter-se o Benfica e apenas focado no objectivo que o deve nortear – ganhar. Objectivamente, no jogo de hoje apesar de nunca se dever deixar de admitir um resultado fora de lógica, se o Benfica não conseguir vencer terá que ser considerado necessariamente uma enorme surpresa. Por inúmeras razões, a principal das quais será a de a vitória ser o único resultado que lhe poderá servir em termos de luta pelo título. Se falhar esta final por mais mérito que possa existir do seu adversário, poderá ser sinónimo de atraso irremediável não propriamente no aspecto pontual, mas sobretudo na força anímica que não deixará de sofrer um rombo assinalável com possíveis reflexos para o futuro tendo em conta a catadupa de finais que se perfilam no horizonte próximo. Por esse motivo e porque não duvidamos por um só momento da capacidade encarnada, o nosso vatícinio como não poderia deixar de ser, aponta para a vitória do Benfica, com o respeito que o adversário merece. Mesmo que pareça mais debilitado!






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