Ponto Vermelho
Sem surpresa...
22 de Abril de 2013
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Manda a tradição dizer que derby que seja derby é sempre recheado de casos polémicos que leva invariavelmente a que a equipa derrotada saia a terreiro manifestar o seu direito à indignação por julgar que este ou aquele penalty não foi assinalado ou que esta ou aquela expulsão não sucedeu e deveria ter acontecido. Um derby sem estes ingredientes jamais seria catalogado como derby. As excepções confirmam a regra, a adrenalina atinge picos máximos não se estranhando portanto essas reacções. No campeonato português existe mais uma nuance: a de haver terceiras partes a expressarem indignação sob a pretensa capa de fina ironia.

Não está em causa quem terá sido, pretensamente, beneficiado ou prejudicado. Mas seria interessante debruçarmo-nos sobre os cada vez mais milhões espectadores de sofá que opinam com certezas absolutas, depois das televisões lhe servirem de bandeja o prato bem atafulhado de polémica para produzir o eco e efeitos (especiais) pretendidos. Também alguns paineleiros das dezenas que nos ensaboam o juízo, aproveitam tão generosa oferta para debitarem as suas abalizadas opiniões consoante as suas preferências pessoais, clubísticas ou, porque não dizê-lo, na defesa de interesses estratégicos.

Enquanto tudo for permitido às televisões, é certo e sabido que não haverá a mínima hipótese de termos um mínimo de paz no desporto e não só no futebol, embora este pelo mediatismo que projecta atraia outro tipo de atenções. A situação até é fácil de resolver, bastando para isso que os legisladores do nosso futebol intervenham para pôr cobro a uma situação que época após época vem causando danos importantes no edifício do futebol em que as primeiras das vítimas são os juízes de campo, muito embora haja de facto dentro da classe para além de vítimas, também vários culpados que, esses sim, têm vindo a desvirtuar a verdade desportiva. Objectivamente como é do conhecimento público.

Utilizando um lugar comum, diríamos que todos os árbitros erram sem excepção. Mas há que distinguir entre os erros e os enganos. Entre aqueles que são cometidos por manifesta incompetência e os que são praticados por deficiente análise dos lances. Os que são faltas se a favor de uma determinada equipa, mas não o são se forem contra essa mesma equipa. Os que são assinalados por encenação dos jogadores e os que são tão evidentes que, como se costuma dizer, só mesmo o árbitro não viu. Para tudo seria necessário confiança e ela manifestamente não existe. Pelo contrário, o que existem são suspeições e infelizmente há bastas razões para que isso aconteça. Todos conhecemos os tristes episódios que têm feito escola no futebol português.

Mas, aparte isso, existe a concorrência desleal das tv’s que ao exibirem imagens de diversos de ângulos, e a recorrerem à decomposição da imagem inúmeras vezes, acabam por influenciar os adeptos e simpatizantes do futebol que acabam por fazer o julgamento sumário das equipas de arbitragem acabando por perder a própria racionalidade de apreciação sempre que aconteça o prejuízo das equipas da sua simpatia. Ora, todos nós temos uma ideia aproximada daquilo que valem os árbitros (sobretudo os da 1ª categoria) e temos uma perspectiva daquilo de que são capazes. Seja como for e numa análise globalista, a classe da arbitragem a despeito das suas culpas no cartório, não poderá nunca competir com este tipo de concorrência o que é manifestamente injusto. Não seria preferível olhar para este assunto?

Como sempre as opiniões dividem-se e alguns radicais têm afirmado que até é bom que tal aconteça pois isso, para além de ajudar os inúmeros comentadores de painel, acaba por pôr a nu situações que de outra forma nunca veriam a luz do dia. São pontos de vista de que discordamos. O que é necessário é que os árbitros sejam isentos e estejam cada vez melhor preparados a todos os níveis mas, fundamentalmente, que deixem de ser pressionados das mais diversas formas como têm sido até aqui e que o processo “Apito Dourado” explicou em pormenor. A tradicional hierarquização de interesses de que a grande maioria tem apenas uma ideia vaga revela-se em cadeia, representando os delegados e os observadores um poder importante que pode puxar para cima ou para baixo qualquer árbitro consoante os interesses em questão. Não foi assim que Hugo Miguel chegou a internacional depois de ter sido aconselhado a reclamar da nota atribuída no Académica-Benfica?

Devido a este estado de coisas, foi sem qualquer espanto que observámos a reacção negativa do Sporting à arbitragem de João Capela, curiosamente o mesmo árbitro que expulsou Cardozo no anterior derby e Aimar em Olhão com fortes críticas do Benfica. Ontem, devido ao critério usado (discutível), entendemos que houve coerência nos julgamentos e nem o menu à la carte servido pela SportTV deu para esclarecer integralmente os lances polemizados. O que é demasiado forte é dizer-se que foi sempre para o mesmo lado o que não corresponde inteiramente à verdade. Ah por falar disso, os vaticínios que lhe auguram um grande futuro são promissores, pois quem os proferiu é uma autoridade na matéria. Que o diga a história que regista outros nomes que sem mérito lá chegaram e que a mesma personagem poderia explicar o porquê






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