Ponto Vermelho
Conjugação de esforços...
23 de Abril de 2013
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Estando cumprida mais uma jornada da fase final e tendo-se registado vitórias dos dois primeiros, constata-se que aumentaram as possibilidades do Benfica recuperar o título de campeão ao mesmo tempo que encurtaram as do FC Porto para conquistar o tri. Não é assim tão simples e muito menos definitivo pois continua tudo em aberto, sem que se possa recusar favoritismo ao Benfica por força da sua vantagem pontual de 4 pontos. Mas basta um simples deslize para que a situação possa sofrer alterações significativas.

Ainda que nem sempre bem disfarçadas, as grandes esperanças dos portistas estavam centradas no derby. A jovem equipa leonina já os tinha travado ainda que em Alvalade e até os podia ter vencido, e nada garantia à partida que tal não se repetisse na Luz. Até porque desde então a equipa do Sporting com um trabalho mais consolidado de Jesualdo Ferreira, vinha a crescer a olhos vistos com o registo de 3 vitórias consecutivas, uma das quais no reduto bracarense e a jogar com menos um elemento o que prova o reforço de moral.

Além de que, como é da tradição, os jogos entre os dois velhos rivais são sempre diferentes e onde tudo pode acontecer, aparte a classificação e a forma das equipas. Era pois neste duelo que os portistas apostavam boa parte das fichas. Sabe-se o que aconteceu, divergindo as opiniões sobre um conjunto de lances em que não há qualquer hipótese de consenso face às posições extremadas. Mesmo entre vários experts da arbitragem a posição, como é evidente, não recolhe consenso. Como seria previsível.

Foi típica a reacção de indignação leonina pois perder com o velho rival é sempre complicado sobretudo para os adeptos. O contrário também é verdadeiro. E quando a isso se junta o olho clínico da televisão em que uma das suas especialidades é mostrar os lances de vários ângulos e deixar os espectadores a digerir dúvidas para o resto da semana, a tensão aumenta e pode mesmo atingir pontos épicos, se considerarmos que as interrogações são muitas e as interpretações variadas. Logo, enquanto o Ministro Rabaça Gaspar não se lembrar de nos taxar por expressarmos as nossas opiniões por mais parciais ou disparatadas que sejam, demos largas à livre expressão de pensamento.

Já não terá sido tão usual ainda que lógica à luz dos comportamentos a que estamos habituados, a reacção dos portistas. Não sabemos se tristes e desinspirados depois do Querido Líder ter debitado as suas habituais aleivosias alegadamente irónicas e ter confessado que estava mais pessimista, se por já terem perdido a fé. Também sabemos que por esta altura costumam estar confortavelmente sentados no trono do título e sem preocupações de maior, mas nem sempre as coisas correm de acordo com o esperado. Mas a realidade é o que é, e neste momento nem os benfiquistas devem estar eufóricos porque falta o quase, nem os portistas devem estar virados para a incompetência do treinador que, vendo bem e até momento, acaba por ter mais pontos do que na pretérita temporada.

Mas quem tenha estado atento à imprensa dos últimos dias e é de crer que prosseguirá toda a semana, tem constatado a tradicional azia dos portistas sempre que o Benfica não perde. Todos eles transformados em enormes defensores do Sporting como se este não tivesse suficiente capacidade para se defender de quem quer que fosse. Até sugerem de uma forma ardilosa a ruptura entre os vizinhos de Lisboa, quando mesmo agora foram repostas as relações institucionais na plenitude entre os dois clubes. Como os percebemos! Como têm receio de estar sozinhos, querem ter sempre ao lado um dos rivais lisboetas para implementarem a política que lhes tem trazido tão bons resultados. Mas é altura de cada um caminhar única e exclusivamente pelo seu próprio pé e dispensar as muletas…

A capacidade dos portistas de rebaptizarem competições é, sem dúvida, inesgotável. Para além da Taça da Liga que depois de várias metamorfoses regressou ao seu nome original devido á participação na final deste ano do FC Porto em circunstâncias conhecidas, o campeonato só é verdadeiramente campeonato quando é por si vencido. Da mesma maneira que os árbitros só merecem encómios quando fazem directa ou indirectamente o jogo dos azuis e brancos. Quando não o vencem, de imediato lhe apõem um carimbo. Em 2009/2010 foi o dos Túneis e esta época, caso porventura não o conquistem já está um nome preparado – o de Capela. É sempre assim e já não estranhamos. Como poderíamos estranhar se repetidamente assumem os mesmos comportamentos, tiques e atitudes de clube regional há anos? E não é crível que mudem enquanto à frente deles permanecer a figura do actual presidente.

Não vamos sequer evocar os roubos do tamanho da Torre dos Clérigos com que temos sido confrontados há 3 décadas. A história tem feito o registo e a nossa memória jamais os esquecerá. Não vale por isso a pena tanta conjugação de esforços para tentarem mais uma jogada que está de antemão condenada ao insucesso. Continuamos atentos às manobras que estão a ser encetadas porque as dificuldades que se nos deparam são assinaláveis e requerem todo o nosso empenho. Mas porque será que quando houve a Xistrada em Coimbra não ouvimos tanto alarido dos portistas? Terá sido esquecimento?...




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