Ponto Vermelho
Falar de arbitragem? Só os burros...
26 de Abril de 2013
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Sabe-se que um dos temas favoritos do presidente portista é a arbitragem. Mesmo quando dela só fala nos circuitos privados. Para os amantes das estatísticas seria até interessante trazer à luz do dia todos os jogos em que o FC Porto foi beneficiado pelas arbitragens nos longos dias destes últimos trinta e um anos, justamente o tempo que leva à frente dos azuis e brancos. Para termos comparações era também importante chamar à colação o Benfica com os jogos em que foi prejudicado. E para haver rigor, já agora, apurar também os jogos de sinal contrário para os dois emblemas, para que fosse feita a contabilidade que demonstraria sem apelo nem agravo que o grande beneficiário da situação tem sido, indiscutivelmente, o FC Porto.

Normalmente as estruturas dos clubes só falam de arbitragens quando entendem que a sua equipa é prejudicada. E exprimem maior indignação quando esses mesmos prejuízos tendem a influir no resultado final. Para os padrões portugueses isso é normal e não previlegia emblemas. Uns porque têm tendência a ser mais prejudicados do que outros e o FC Porto porque não estando habituado a sê-lo, tenta sempre levar ao extremo a teoria da vitimização potenciando vantagens em próximos jogos. Quer através de benefícios directos, quer recolhendo proveito do prejuízo do Benfica. Quem não se lembra da época passada no pós Barcelos?

Estes casos em que os burros falam mesmo de arbitragens têm padrões definidos e sucedem-se sempre em alturas estratégicas quando o Benfica tem vantagem sobre o FC Porto e jogos decisivos se aproximam. É claro que todos os pretextos são bem vindos e reforçam a posição dos burros palradores. De uma forma repetida essa estratégia tem colhido bons frutos (não confundir com fruta), pois a seguir, sempre que a oportunidade se depara, é certo e sabido que os encarnados sofrem na pele (e nos pontos) a influência que o Sistema ainda mantem no tecido futebolístico e na arbitragem. Não se deve ignorar isto porque quem o fizer está a adulterar a própria história dos campeonatos em Portugal.

Esta época está a ser atípica dado que, até ao momento, apenas a Luz na 1ª jornada com Soares Dias e Coimbra na 4ª com Carlos Xistra, mantiveram o padrão habitual de campeonatos anteriores em que nas primeiras jornadas acontecem erros que se vêm a revelar decisivos. O facto da populaça do futebol estar cada vez mais atenta a estas situações, poderá de algum modo justificar que depois disso e até agora nada tenha havido de substantivo, excepto os naturais erros que sempre hão-de ocorrer mas sem influência decisiva no resultado final. Tirando as críticas pontuais, isso tem levado a uma certa acalmia que, sabendo-se como os meandros funcionam, basta um pretexto por mais insignificante que seja para se voltar ao habitual.

E ele surgiu, finalmente. Os sintomas de nervosismo da estrutura portista e dos seus representantes mais visíveis pelo facto do Benfica teimar em manter a vantagem de 4 pontos a 5 jornadas do fim e ter ultrapassado o obstáculo de Olhão onde tinha deixado pontos nos últimos anos, estavam esperançados que o Sporting por toda a atmosfera que sempre rodeia um derby, conseguisse roubar pontos ao Benfica. E assim sendo e como o treinador portista não se cansou de afirmar, «o FC Porto ainda tinha que receber o Benfica no Dragão». Isto significava que para si era líquido que os portistas levariam de vencida os encarnados, como se alguém à partida pudesse garantir antecipadamente a vitória num jogo que iria ser disputado sob uma forte carga emocional.

Como se viu os desejos portistas não se concretizaram, mas ficou o pretexto baseado no critério largo adoptado por João Capela de quem, recordamos, os encarnados tinham razões de queixa no anterior derby e também em Olhão. Como é natural muitas foram as vozes que se debruçaram sobre a arbitragem e sob a forma como o árbitro analisou e decidiu determinados lances. Estão no seu direito. Mas o que se nos afigura importante perguntar é se Capela foi deliberadamente parcial. Não foi. A crítica que ganhou aos pontos foi a questão da adopção do critério largo uma prática a que em Portugal não estamos habituados e que já tinha merecido fortes reparos dos portistas no jogo da Luz arbitrado por João Ferreira, sabe-se perfeitamente porquê.

Não sendo necessário particularizar, o que estamos habituados é à sistemática falta de seriedade de muitos jogadores que simulam faltas por tudo e por nada e os árbitros vão no engodo. Quantos jogos já foram assim decididos em benefício do FC Porto? O que estamos habituados é a discutir a intensidade ou a intenção ou falta dela. Generalizou-se a discusssão entre a bola no braço e o braço na bola, e os árbitros nem sempre adoptam um critério uniforme por vezes no mesmo encontro. E isso deu origem à algazarra que temos visto ao longo da semana, com os portistas a tentar aproveitar a boleia proporcionada pelo Sporting com a intenção clara de, desde já, condicionar o árbitro Manuel Mota para a partida decisiva do Funchal. Por isso não espantam as chilreadas de Pinto da Costa e de Vítor Pereira. Para quem não falava de arbitragem não está nada mal…






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