Ponto Vermelho
Ruim defunto...
27 de Abril de 2013.
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Uma das razões porque o Futebol português está no estado que conhecemos é a proliferação de personagens que desprovidos de princípios éticos e morais, enveredam por práticas condenáveis para atingir determinados objectivos – os seus e os dos grupos de interesses ou clubes de que se servem para se projectarem. Se assim não fosse estariam de antemão e para todo o sempre condenados à obscuridade derivada da mediocridade que os acompanha desde o berço.

Com excepção daquele a quem permitimos que singrasse na sua cruzada contra a verdade desportiva e instalasse uma verdadeira central de benefícios, vários têm sido os personagens que ao longo dos tempos têm emprestado a sua inconfundível vulgaridade a temas que acabam por ser tratados e decididos de uma forma que não deslustraria uma República de Bananas. Que os contestatários (a maior parte de nós), acabámos por legitimar com o nosso silêncio, uma característica infelizmente muito comum no nosso povo. Já dizia o saudoso Pinheiro de Azevedo que o povo era sereno….

De tempos a tempos surge um artista mais afoito que sedento de protagonismo que nunca teria dada a sua insignificância, se projecta no tempo e no espaço. Regressamos por isso às penúltimas eleições leoninas e a Godinho Lopes, que num assomo de falsa unidade quis meter o Rossio na Rua da Betesga. Desse saco de gatos que desde o início foi a sua Direcção havia de tudo um pouco, não se estranhando a verdadeira salganhada que dela emergiu e que acabou num verdadeiro caos com o Sporting à beira do abismo.

Dela fazia parte um tal Cristóvão de passado irrelevante e cujas credenciais eram insuficientes para fazer parte fosse do que fosse, excepto se a intenção fosse concorrer para mais desestabilização no clube o que, pelas suas atitudes e prática continuada, se comprovou que afinal o homem era útil. E deixa um legado extremamente importante aos vindouros do clube: ter pintado de verde in-extremis, os mastros de Alvalade, demonstrando afinal a sua utilidade.

Infelizmente os homens são catalogados por tudo aquilo que fazem e é conhecido. E do balanço provisório que é possível fazer para já à actuação de Cristóvão como Vice-Presidente leonino, ressalta um conjunto de factos e situações anómalas que em nada beneficiaram o Sporting. Antes pelo contrário, contribuíram ainda mais para que o clube de Alvalade viesse a atravessar a sua pior fase dos últimos anos. Evidentemente com maior responsabilidade de Godinho Lopes que permitiu que tal fosse acontecendo.

Cristóvão encarna o velho espírito do lagarto. O Benfica não é o rival, não é o adversário mas sim o inimigo, não se distinguindo desse particular do espírito reinante no clube da Invicta. Não foi por acaso que ele sempre foi um dos maiores defensores do pacto do regime com o FC Porto assinado no tempo de Roquete. Logo, para ele seria impensável que os dois rivais mantivessem boas relações, porque isso seria trair o espírito lagarto. Sempre de costas voltadas para que fosse possível ao Sporting manter a motivação, em mais um decalque perfeito do Dragão.

São conhecidos os casos e factos negativos em que esteve envolvido. Dos principais, recordam-se as cenas edificantes e populistas do derby na Luz em 2012 que culminaram com o atear de um incêndio nas bancadas, ao controle da vida particular dos futebolistas e não só, e ao rocambolesco depósito no Funchal na conta do fiscal de linha José Cardinal nas vésperas de um Marítimo-Sporting. Este e outros temas acabaram por determinar a intervenção do M.P. e o seu afastamento de Alvalade, aguardando-se a decisão dos Tribunais. Porque da Justiça Desportiva que tão bem conhecemos, este último caso já mereceu dois arquivamentos…

Tudo isto seriam motivos mais do que suficientes para que Cristóvão respeitasse a lei do silêncio. Mas isso é mais forte do que ele e qual papagaio, vai surgindo amiúde com declarações à imprensa, disparando em todas as direcções numa tentativa desesperada de se auto-justificar… do que terá feito. Afinal o homem das mil certezas tem uma confiança inabalável em si próprio e acredita piamente que tudo o que fez foi a bem do Sporting. É mais um auto-convencido…

De novo o rapaz surgiu nas luzes da ribalta. E continuou a demonstrar que não perdeu faculdades dado que a desculpa para não ter processado Bruno de Carvalho por difamação é deveras eternecedora e de fazer rir a bandeiras despregadas as pedras circundantes de Alvalade. Mas a suprema tirada está contida nesta frase: «O principal pecadilho de Godinho Lopes foi ter confiado em pessoas que a única coisa que queriam era enfraquecê-lo». Mais palavras para quê?

Já quanto à acção desencadeada pela actual Direcção de normalização das relações com o Benfica, Cristóvão foi igual a si próprio, ao entender que «deveriam ser os sócios em Assembleia Geral a decidir», como se qualquer Direcção não tivesse poderes e legitimidade para decidir sobre uma situação normalíssima dado que as relações não estavam cortadas mas apenas em àgua fria por decisão de Godinho Lopes depois das diatribes do próprio Cristóvão antes, durante e após o derby da Luz. E era assim que ia o Sporting… Finalmente:«… Bruno de Carvalho é o meu presidente e irei defendê-lo até à morte». Atenção Bruno, ele anda por aí…

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