Ponto Vermelho
Tácticas
28 de Abril de 2013
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Percebe-se a táctica engendrada por Bruno Carvalho (BC). Herdeiro de um clube em desegregação fruto de estratégias sem nexo dos seus antecessores, os fogos são muitos, as chamas intensas e alterosas, e os dispositivos de combate à disposição muito escassos. Além de ter que arrostar com a desconfiança dos Velhos do Restelo que é sempre um factor iniludível. Logo, uma das principais tarefas seria a mobilização da massa adepta leonina, uma forma assinalável de manter atenta e interessada a maioria dos sportinguistas.

Para que isso acontecesse, BC por força das circunstâncias teve que se confrontar com a banca, habituada a ter grande influência nos destinos do clube desde há muito. Talvez até tenha sido isso que iludiu as anteriores Direcções e sobretudo a ùltima de Godinho Lopes que habituadas a que houvesse sempre mais uma injecção de fundos para suprir carências correntes e imediatas, se esqueceram de que chega sempre a hora da verdade. Por isso, sempre foi grande a influência da banca e a ilusão dos dirigentes do Sporting.

Perante essa evidência os adeptos e simpatizantes leoninos acabaram por interiorizar o inevitável; que era a banca que mandava no Sporting que estava altamente dependente da mesma, o que, afinal, era em grande parte verdade. Não sendo BC o candidato da dita cuja era previsível que iria enfrentar dificuldades, até porque eleito em 23 de Março e tomando posse em 28, tinha como imediata responsabilidade, para além de outras, liquidar os vencimentos da estrutura (jogadores, técnicos e funcionários) o que representava verbas de alguns milhões de euros.

Sabe-se o que aconteceu depois com BC a explorar o lado emocional e a mediatizar uma questão essencialmente financeira. O que é facto é que a banca acabou por flexibilizar a sua posição inicial não se podendo falar de vitórias e derrotas mas unicamente de bom senso de ambos. Era aliás uma das únicas saídas para qualquer das partes em compita. Mas para os menos avisados e desconhecedores destes meandros algo complicados, o resultado final ressaltou como uma vitória de BC contra a banca o que não foi de facto verdade. Foi apenas e só a vitória do bom senso e da ponderação. Mas BC acabou por marcar pontos.

Encerrada uma questão que saltou para as primeiras páginas da actualidade mas que não entusiasmou os adeptos e simpatizantes leoninos (situação que seria aliás similar para os adeptos de outros emblemas), nova questão vital se colocou com a reestruturação que se impunha. Para a grande maioria, a palavra reestruturação tem sempre carga pejorativa porque está invariavelmente ligada a despedimentos. Não só mas também. Admissível à vista de todos pela necessidade imperiosa de aligeirar despesas, mas sensível por envolver pessoas algumas das quais com peso na recente história leonina. Não discutindo a oportunidade ou a justeza das decisões, acontecesse o que acontecesse, a matéria seria sempre equívoca.

Mas aconteceu o derby e com ele uma arbitragem controversa, por duas ordens de razões: a primeira porque muito dificilmente qualquer arbitragem de um derby é consensual, e a segunda porque tal foi um óptimo pretexto para que o Sporting se unisse contra a arbitragem acusando-a de justificar por si só, a derrota leonina depois de três vitórias consecutivas. E este novo facto, como é dos livros, ajudou a ultrapassar e a esquecer os constrangimentos pessoais provocados pela restruturação empreendida. De francamente positivo o reestabelecimento das relações normais com o Benfica congeladas por Godinho Lopes.

A despeito do Sporting, esta época, no cômputo global, não ter razões para se queixar da arbitragem, entende-se de algum modo o aproveitamento desta situação que o Sporting está a fazer. A velha táctica de disfarçar um problema fazendo ressaltar para a actualidade, outro problema. De sublinhar, igualmente, a pressurosa ajuda da imprensa. Contudo, os estrategas do FC Porto habituados como ninguém a estes aproveitamentos em proveito próprio, não enjeitaram a oportunidade de fazer suas as dores do Sporting.

Só que, se o Sporting à luz de critérios e considerações controversas ainda pode enveredar por esse caminho dado estar perante um episódio de que foi um dos intervenientes directos, o FC Porto ainda que pudesse ser um dos interessados, não tem, seja qual for o ângulo de observação por que optemos, a mínima razão para o fazer. E se o faz é porque não cultiva as palavras vergonha e coerência que desde 1982 foram erradicadas do cardápio das Antas e do Dragão e, ainda pior do que isso, uma tentativa descarada de influir ou condicionar as arbitragens como foi evidente nas declarações do seu presidente e ainda ontem do seu treinador Vítor Pereira.

Foram portanto oportunas, do nosso ponto de vista, as observações ontem feitas pelo Presidente encarnado na Casa do Benfica em Santo Tirso. É que a memória dos homens é tradicionalmente curta e parece que já há muitos esquecidos com os anos e anos repetidos de falsidades nesse domínio levadas a cabo por agentes da arbitragem em sistemático benefício dos azuis e brancos. Assim sendo, se tivessem decoro, nunca se atreveriam a trazer esse assunto à actualidade, pois no Deve e no Haver, mantêm um saldo amplamente positivo que os têm ajudado a vencer títulos que de outra forma nunca teriam ganho. Mas como a vergonha não é um dos seus atributos, continuarão a ladrar pois a caravana está a passar...


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