Ponto Vermelho
Insistem, insistem…
1 de Maio de 2013
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Não há dúvida nenhuma que o Presidente da Liga preso ao compromisso que lhe valeu a sua eleição, tudo tem feito para que o alargamento tão desejado por alguns clubes que vêem nisso a sua tábua de salvação seja uma realidade, tentando regressar aos velhos tempos da bagunça em que qualquer pretexto servia para aumentar a Liga. Para salvar alguns clubes ou para promover outros. Tudo com a maior das facilidades contribuindo assim para que o futebol português continue a marcar passo, dado em que em vez de se promover a competitividade, regride-se e transforma-se o campeonato num marasmo cada vez maior.

É verdade que existem muitas assimetrias na nossa matriz competitiva. É igualmente verdadeiro que o título português, tal como se verifica nas outras Ligas europeias, é normalmente disputado por duas ou três equipas. Mas daí para baixo, ocorrem fossos tão pronunciados que indiciam que existem desiquilíbrios muito acentuados, fruto de um conjunto de situações incluindo em larga medida as orçamentais que deveriam requerer por parte de todos os responsáveis uma análise serena e ponderada para que o interesse de todos fosse melhor salvaguardado. E aí concordamos com Mário Figueiredo no sentido de obter uma distribuição mais ajustada e equititativa do bolo dos direitos televisivos.

Mas tudo isso não justifica o alargamento. Pelo contrário, continuamos a pensar que num campeonato como o nosso 16 clubes são de mais, competindo dar atenção a várias opiniões que apontam para uma redução efectiva, e reformulando igualmente a II Liga em que 22 clubes numa só zona tornam o campeonato demasiado longo e dispendioso para as equipas, logo com perda de interesse por parte do público e dos eventuais patrocinadores. Basta olhar para as assistências que vão sofrendo decréscimos acentuados, registando nalguns casos números absolutamente ridículos. E a crise não justifica tudo…

Se a Liga quer defender o futebol português no sentido de o tornar mais atractivo e em que a competitividade aumente o mais possível, não pode estar entretida a brincar aos futebóis. Porque todos os problemas estruturais se mantêm e, para além da questão da centralização dos direitos televisivos (entretanto altamente prejudicada pela decisão tomada pelo Benfica), a Liga não fez qualquer proposta que constitua verdadeiramente uma pedrada no charco. E se hoje em dia os seus poderes estão muito mais limitados e o seu papel é cada vez mais de natureza administativa, isso não implica que não possa ter uma voz activa na defesa dos interesses dos clubes e do futebol.

A Taça da Liga continua sem patrocinador e a chaga dos ordenados em atraso mantem-se cada vez mais. É por isso que nos interrogamos que raio de controle efectua a Liga para que hajam sistematicamente clubes que não honram os compromissos com os seus profissionais, Fisco e Segurança Social, Fornecedores, etc. Alguns são divulgados na imprensa e nada acontece de relevante, apesar dos meses irem passando e o problema se manter insolúvel e a agravar-se a cada mês que passa. Não temos nada contra nenhum clube, percebemos as dificuldades que muitos enfrentam para conseguir resolver uma imensidão de problemas, mas será correcto para os outros que isso aconteça?

Tem sido dado como exemplo o caso do Feirense como clube cumpridor que acabou por descer de divisão ao invés de outros que se mantiveram mas com vários compromissos em atraso. Será isto justo? Será isto uma concorrência leal? Não é. Ora no princípio de cada época os serviços da Liga deveriam verificar com olhos de ver se os orçamentos dos clubes são exequíveis, porque de facto é tudo menos normal que alguns, mal decorrem 3 ou 4 meses já não estão em condições de honrar os compromissos, o que significa que, a menos que tenha ocorrido algo de muito anormal, os seus orçamentos eram megalómanos e incumpríveis e como tal teriam que ser chamados à pedra e sancionados.

Estes são factos reais que estão a acontecer em todas as épocas e é impossível escamoteá-los. É por essa razão que é incrível ouvir falar em alargamentos e, pior do que isso, serem formuladas propostas repetidas para a sua efectivação. Do que deveriam falar era antes de redução porque é isso que, quer queiram quer não, continua a ser o mais ajustado à realidade portuguesa. A decisão do CJ de reintegração do Boavista concedeu o pretexto para mais um ataque nesse sentido. Mas rapidamente se percebeu que com ou sem o clube do Bessa, a ideia era mesmo alargar a qualquer preço.

E isso não é sério, porque mesmo admitindo que o Boavista estaria em condições de integrar o pelotão da I Liga, tal não implicaria obrigatoriamente que se alargasse. Várias soluções poderiam ser estudadas até mesmo a da redução. Mas a vontade tem sido tanta de promover o alargamento que a questão de se mudarem as regras a meio da época (1ª proposta) e quando a época se encaminha para o fim (2ª proposta), que esse pormenorzinho do respeito da ética, da moral e da verdade desportiva não tinha qualquer importância. Por aqui se vê o que pretendem, pois por lá prolifera ainda gente de outras eras. Esteve bem, nesse particular, a Federação de Fernando Gomes que chumbou a 1ª proposta e adiou a 2ª para futura discussão. Que saibam extrair as devidas ilacções. Mas pelo que se conhece, saberão?




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