Ponto Vermelho
Só mais um esforço…
2 de Maio de 2013
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A avaliação da maior parte dos observadores é a de que o Benfica é indiscutivelmente melhor equipa que o Fenerbahçe. Também comungamos, sem reservas, dessa opinião. Mas se fossemos centrar-nos naquilo que aconteceu faz hoje uma semana, a conclusão poderia ser, eventualmente, o contrário, pelas incidências do jogo e por aquilo que fizeram as duas equipas. Mas enquanto os turcos confirmaram todas as características que se lhe apontavam, o Benfica esteve longe do fulgor que já demonstrou em muitas fases da temporada que lhe permitiram chegar intacto à fase decisiva das várias provas.

As opiniões maioritárias apontaram o facto dos turcos terem enviado 4 bolas aos ferros da baliza encarnada, uma das quais de penalty no último minuto da 1ª parte. Ao invés, o Benfica só teve oportunidade de enviar uma, pelo que o resultado poderia ter sido uma goleada. Muita sorte para os encarnados, sentenciou-se. É apenas uma maneira de observar a situação. Também no último jogo da Madeira o Benfica vencia o Marítimo em bolas nos ferros, mas isso como se sabe nunca resolve o problema, satisfazendo apenas os amantes das estatísticas, porque os golos só continuam a contar depois da bola transpôr a linha de baliza. Há já uns anos largos o Benfica também massacrou na Luz o agora finalista da Champions Borussia de Dortmund com 5 bolas nos ferros e no cômputo geral da eliminatória o que contou foi que os alemães eliminaram os encarnados. É apenas isso que a história passa a registar.

Parece também ser consensual que os jogadores encarnados denotam algum cansaço derivado da verdadeira maratona que tem sido a época em curso. Porque não estamos só a falar do número de jogos disputados, mas fundamentalmente de ciclos com grau de complexidade elevada, em alturas em que daria um jeitão jogos mais acessíveis pelo menos em termos teóricos. E, de facto, se olharmos para algumas equipas que conseguiram vencer várias competições numa só época (nomeadamente o FC Porto), constataremos que o calendário nessas fases cruciais foi muito mais simpático…

O facto do Benfica não ter sido aliviado nesse capítulo e apesar da rotação a que Jorge Jesus procedeu, o resultado foi um tremendo desgaste físico e psicológico dos jogadores mais vulneráveis nessas duas vertentes que em certos momentos do jogo se nota claramente. Terá sido isso que de algum modo se observou nos últimos jogos em particular no encontro de Istambul, contra o Sporting e também contra o Marítimo durante a primeira parte do encontro. Ficámos com a sensação de que os jogadores conscientes de que já não conseguem manter o mesmo ritmo durante os noventa minutos, se defendem e isso leva-os a baixar a intensidade durante certos períodos. Afinal os jogadores são humanos e isso é perfeitamente compreensível.

É com isso em mente que chegámos ao jogo de hoje em que estamos perante a possibilidade de regressar a uma final europeia 23 anos depois. Há com efeito muito tempo. E justamente por isso e porque disputar uma final é sempre motivo de júbilo para os jogadores, para toda a estrutura, para o clube, para os adeptos e para o País (os adeptos adversários que não gostam disto têm bom remédio…), que estamos convictos que a equipa apesar de todas as dificuldades, tentará superar-se e atingir a final que merece pelo seu trajecto. Na convicção de que do outro lado, irá encontrar uma equipa turca muito aguerrida e que almeja o mesmo objectivo, tendo em conta que para si, está perante uma oportunidade histórica que não quer enjeitar de maneira nenhuma.

Os jogadores, a equipa técnica e demais estrutura apelaram, apesar das dificuldades que atravessamos, a uma presença maciça de adeptos e simpatizantes o que, de acordo com os últimos dados recolhidos irá acontecer. E assim sendo, estão reunidas as condições necessárias para que os jogadores se sintam apoiados e possam ainda mais corresponder aos anseios de milhões de portugueses aqui e na diáspora. Que ninguém se convença que irá ser fácil, pois o resultado trazido da Turquia pode vir a revelar-se traiçoeiro para uma equipa que necessita de recuperar da desvantagem. Mas esse é um risco que tem que ser assumido sem medo ainda que com a prudência que se impõe.

Será expectável que o Feneberbahçe, apesar de entrar a vencer, encare o encontro com algum receio e a aguardar que nos minutos iniciais do encontro o Benfica se lance ao ataque para tentar anular a desvantagem o mais rapidamente possível. E que aguarde pela eventual sofreguidão dos encarnados para tentarem marcar em contra-ataque e assim tornar muito mais difícil a tarefa. Mas a equipa já tem maturidade suficiente para não enveredar por aventuras que a exponham demasiado, pelo que será de vaticinar um jogo de paciência para tentar descobrir buracos na defensiva turca. Nesse tipo de jogo que poderá contribuir de algum modo para exasperar os adeptos mais efusivos, é muito importante o seu papel pois deverão apoiar a equipa de uma forma continuada até à vitória. No jogo e na eliminatória. Afinal Amesterdão está tão perto…






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