Ponto Vermelho
Contagem decrescente - II
6 de Maio de 2013
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Os benfiquistas vivem futebolisticamente numa fase em que as situações passam vertiginosamente. Ainda mal refeitos do brilho e das emoções sentidas na passada 5ª Feira, já hoje teremos que enfrentar novo obstáculo, sendo que agora, cada resultado é absolutamente decisivo. E por se saber isso, as nossas expectativas como que se misturam e diluem-se no turbilhão das emoções que sentimos a cada jogo, como se o próximo fosse o último. Ainda que nada tenhamos vencido, estávamos a precisar de uma época assim para que muitos tivessem a oportunidade de sentir o que é e o que representa o Benfica.

De final em final em confrontos duríssimos e complicados, a equipa prossegue o seu ritmo que se tem revelado, até ao momento, imparável. E apesar das tentativas de desestabilização que é uma arma a que recorrem todos os que incapazes de reconhecer méritos alheios se refugiam na sua própria mediocridade, o Benfica tem sabido resistir à tentação de disparar tiros de pólvora seca, porquanto há discussões que ao entrar nelas é sinónimo de baixar automaticamente o nível e provocar a distracção dos objectivos. E, naturalmente, o foco deve manter-se inalterado para que não sofra perturbações derivadas de expedientes dilatórios.

Nessas manobras de diversão incluem-se como é da praxe os fiéis intérpretes e ajudantes da estrutura de sonho e, num outro registo, ainda há dois dias a partir de Moçambique e de uma forma perfeitamente inusitada – o nosso ex-atleta Diamantino Miranda. Ao longo da sua carreira, foi um atleta de eleição e que muito contribuiu para excelentes resultados que o Benfica conseguiu. A esse propósito, recordamos a final da Taça dos Campeões Europeus de 1988 perdida para o PSV em que Diamantino ao sofrer uma lesão na véspera num jogo com o V. Guimarães, ficou impedido de dar o seu contributo e constituiu uma enorme baixa para os encarnados para esse jogo decisivo.

A par da sua enorme categoria técnica, sempre revelou em termos pessoais uma personalidade controversa e rebelde. Terminada a sua carreira de jogador, enveredou pela carreira de treinador. No Benfica esteve como treinador da equipa de Juniores e mais tarde, englobou a equipa técnica de Quique Flores como treinador-adjunto tal como Chalana, supostamente para fazer a ponte com o passado e a mística do Benfica. Tempo de pouca relevância porquanto o treinador espanhol com a sua equipa pessoal sempre manteve à margem Diamantino dos trabalhos da equipa em que era um mero observador. Acabou posteriormente por seguir o seu próprio destino.

As declarações que agora fez em Moçambique a propósito de Jorge Jesus revelam que parece haver algo de pessoal para resolver. Num Benfica plural e que sempre cultivou a democracia desde os primórdios, a unicidade é coisa que nunca há-se existir. Portanto, foi de novo a sua personalidade controversa a revelar-se, sem que isso possa ou deva ser entendido de uma maneira equívoca. Poderá sê-lo para quem não conheça o seu espírito independente, mas não para quem tenha acompanhado a sua evolução como homem, como atleta e como treinador.

Poder-se-á questionar, no entanto, o timing das suas opiniões que vêm contra a corrente, num momento em que até alguns adversários enaltecem a carreira dos encarnados. Mas foi ele que o escolheu para reagir a determinadas afirmações proferidas pelo actual treinador do Benfica. E sobre isso pouco a acrescentar, excepto que, salvo melhor opinião, estão totalmente desenquadradas de uma realidade que não é exactamente a que Diamantino interpretou, a nosso ver, da maneira errada. Como tal o tiro acabou por sair furado.

Admitimos que a questão pessoal que eventualmente há para resolver com Jorge Jesus tenha influido no sangue quente de Diamantino que aproveitou o pretexto para deitar cá para fora o que o preocupava. Porque, aquilo que o treinador encarnado disse sobre o passado do Benfica não pode e nem deve, ser interpretado da forma como o actual treinador da Costa do Sol o entendeu. O passado do Benfica está registado com todos os seus intérpretes, é imutável e ninguém por mais que tente o pode transformar ou apagar. Embora noutros locais tal possa acontecer, no Benfica não se altera a história! Posto isto, ficam registadas as preocupações de Diamantino… e, para si, os maiores sucessos futuros.

Depois destas nuances em tempos diferentes, urge recolocar o enfoque total no jogo de hoje com o surpreendente Estoril que se calhar muitos vaticinavam que por esta altura estaria a lutar para não descer e afinal, numa carreira em crescendo, está na corrida para a obtenção de um lugar europeu. Nesta fase da época não há muito a dizer nem a motivar. Os jogadores encarnados a viver uma excelente época estão certamente concentrados num encontro que poderá vir ser o jogo-chave do título. Mas para isso é preciso que não menosprezem este adversário valoroso deixando correr o tempo na convicção de que, mais cedo ou mais tarde, o golo há-de chegar. Se o fizerem cometerão um erro que depois poderão não ter tempo para remediar. Quem quer ganhar tem que fazer por isso – desde o primeiro minuto!




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