Ponto Vermelho
O campeonato segue dentro de momentos…
7 de Maio de 2013
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Mau grado as dificuldades que se previam, não era expectável que os encarnados viessem a perder pontos ontem à noite no jogo com o Estoril. Porque eram melhores, porque jogavam em casa perante mais de 60 mil espectadores, porque sabiam que em caso de vitória desbragavam uma parte muito importante da caminhada para o título, e porque, apesar do cansaço que não deixaria de se fazer sentir, estavam motivadíssimos por terem atingido a final da Liga Europa. Provando que o futebol está recheado das surpresas mais inesperadas, não foi, todavia, isso que acabou por acontecer.

Bom para o interesse do campeonato mas obviamente mau para os benfiquistas, uma surpresa agradável e quiçá pouco esperada para os portistas, com os sportinguistas provavelmente divididos; uns terão aplaudido devido ao Benfica ter marcado passo e outros, quiçá mais atentos e objectivos, terão lamentado que o Estoril tenha somado mais um ponto ao seu pecúlio, tornando assim mais difícil o acesso do Sporting à Liga Europa a duas jornadas do fim do campeonato. Mas as coisas são o que são e não como nós gostaríamos que elas fossem. Adiante.

Na Luz estava montado o cenário para que o jogo se viesse a transformar em mais uma vitória do Benfica. Afinal, nesta época em casa em 13 jogos do campeonato, os encarnados só tinham cedido dois empates com o SC Braga e com o FC Porto. E a despeito do Estoril ser um competidor de respeito, acreditava-se plenamente que mesmo depois do tremendo esforço do último jogo para Liga Europa dias atrás, a forte motivação dos jogadores encarnados seria capaz de superar o cansaço que teriam inevitavelmente que apresentar. Pelo menos alguns deles.

A forte entrada da equipa como que a querer significar que os jogadores estavam com pressa de resolver o jogo, mais reforçou a ideia de que rapidamente chegariam ao golo e construíriam um resultado que, lá mais para a frente, lhes permitisse gerir o cansaço ante um adversário que já tinha demonstrado a sua mais valia e que se apresentava, naturalmente, motivadíssimo e muito mais fresco. Contudo a bola acabou por não entrar, uma vezes por inépcia atacante, outras por mérito alheio, e ainda outras devido ao factor sorte, e isso fez disparar os índices de ansiedade que levaram os jogadores a errar mais em todos os capítulos do jogo. E esses falhanços pesaram na mente dos jogadores e tornou-os mais cansados psíquicamente.

E, de uma goleada que aconteceria caso por exemplo Lima estivesse em noite-sim, evoluíu-se à medida que o jogo avançava, para uma eventual vitória do Estoril. Como as últimas impressões são as que ficam na mente das pessoas, o que retiveram foi esse período, daí que o rol de críticas aponte no sentido de realçar o mérito canarinho e de apoucar a frouxa exibição dos encarnados que de facto sucedeu em quase toda a 2ª parte sobretudo no período final. Quando existem duas equipas com acentuada diferença de estatuto e a que o tem menor consegue de algum modo vulgarizar a outra mesmo que seja apenas em fases restrictas, existe uma natural tendência para hipervalorizar os seus feitos. E com isto, não estamos a querer retirar qualquer partícula de mérito aos estorilistas que demonstraram a razão porque estão a lutar pela Liga Europa.

Passámos pois, de um extremo ao outro em que não faltarão vozes e pensamentos a regressar à época passada. Por existirem algumas semelhanças, ainda que num contexto algo diferente. Ontem não houve factores exógenos estranhos, mas apenas e só o Benfica não foi suficientemente competente para levar de vencida o Estoril que depois da avalanche atacante inicial do Benfica e da sua imperícia, soube fazer pela vida contando com o factor sorte que noutras ocasiões também protegeu os encarnados. Aconteceu futebol pura e simplesmente.

Sábado à noite haverá encontro marcado no Dragão para aquilo que passou de repente a ser designado pelo jogo do título. Como é evidente e depois da entourage portista ter atirado a toalha ao chão, a luz da esperança reacendeu-se e surgiu célere, sendo legítimo que os portistas pensem que se vencerem o Benfica têm reabertas as portas do título. E para isso contam com a sua valia, com o apoio do seu público e com a eventual vantagem psicológica de quem considera algo perdido e de repente volta a ser possível. Mas se tudo isso podem ser vantagens, a verdade é que é muito complicado conseguir gerir esses níveis intensos de ansiedade.

Porque, é bom não esquecer que aquilo que repetidamente ouvimos – a pressão – está em larguíssima maioria do lado do FC Porto cujo único resultado que lhe interessa é a vitória. E certamente terá que contar com um Benfica com um forte factor de motivação que lhe advém do seu trajecto esta época e do facto de continuar a ser o primeiro com dois pontos de avanço. E isso na altura da decisão pode pesar sobremaneira sobre a mente dos jogadores do FC Porto. Está pois em perspectiva a possibilidade de acontecer um jogo rijamente disputado não necessariamente bem jogado, no qual o Benfica tudo fará para demonstrar a razão de ser líder isolado.




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