Ponto Vermelho
Sonho... ou pesadelo?
8 de Maio de 2013
Partilhar no Facebook

Até sensivelmente às 10h da noite de 2ª Feira, questionar se os benfiquistas iriam ter uma época de sonho ou de pesadelo seria uma completa estultícia. Depois disso, passou a existir uma acentuada transferência de opiniões para a segunda hipótese da questão o que prova, sem a menor dúvida, que a afirmação peremptória não era baseada em convicções fortes, mas antes e apenas para seguir a onda vitoriosa que tem acompanhado o Benfica esta temporada, com particular incidência nos últimos tempos que aproximaram a definição do fim da época.

A conclusão mais óbvia é a de que bastou um simples jogo mal conseguido para que, ainda que com alguma prudência, quase tudo voltasse a ser posto em causa. Nada que não tenha já acontecido antes, mas agora essencialmente pelo facto dos adeptos andarem nervosos e com outras preocupações em mente. É importante e sério que nos situemos no momento e não depois dos factos acontecerem, pois aí já é muito mais fácil a constatação. Embora ainda não seja tempo de balanços, haverá certamente quem queira desde já analisar as situações passadas mais convenientes e debruçar-se sobre o trajecto até aqui.

Naturalmente, com base em factos reais, quem quiser ser factual e rigoroso poderá fazer apenas um balancete mas terá que aguardar pelos números finais para que o balanço possa ser definitivamente encerrado. A nosso ver é demasiado prematuro para o fazer, atendendo a que o Benfica mantem-se vivo e com boas possibilidades em todas as frentes, aproximando-se velozmente a hora de todas as decisões. E sem que saibamos os resultados, não faz sentido passarmos de situações de euforia para estados de alma antagónicos, a despeito de sabermos que muitos não conseguem esquecer o pesadelo do final da pretérita temporada. E como correram a arranjar semelhanças percebe-se de algum modo a mudança.

Continuando a situarmo-nos no momento, era consensual que vencendo o Sporting e o Marítimo na Madeira, o Benfica daria um passo de gigante na direcção do título. Mas, a despeito de tudo, os jogadores e a equipa técnica não passam completamente ao lado do barulho exterior. Daí que depois de finais atrás de finais e após mais um jogo muito intenso e disputado, a estrutura tenha comemorado não o título como alguns agora querem apressadamente fazer crer, mas a ultrapassagem de um obstáculo tido como estratégico. Para além da satisfação do dever cumprido, naturalmente.

Curioso foi que o facto foi entendido por quase todos no momento, mas deixou de o ser a partir das 10h da noite da passada 2ª Feira, pois a interpretação passou a ser diferente: a estrutura encarnada estava a comemorar efusiva e antecipadamente o título. Nuances de paineleiros! Sendo que seria completamente insensato celebrar uma conquista que não estava ainda matematicamente assegurada. Aliás, desde a estrutura directiva, passando pela equipa técnica, jogadores e adeptos, excluindo obviamente uma parte mais convencida e por isso mais eufórica, todos realçaram que esta época nenhuma conquista fazia ainda parte do seu currículo. Prudência e sensatez acima de tudo.

Após o jogo com o Estoril parece ter mudado (quase) tudo. E uma das razões apontadas para a perda de pontos, para além do cansaço, foi a de que o Benfica tinha menosprezado o Estoril que considerava um simples proforma pois já tinha assegurado o título na Madeira. Sobre isso ainda ontem o treinador canarinho Marco Silva foi sintomático e arrasou essa argumentação estapafúrdia. As estórias do Benfica fazer constar o seu interesse em jogadores da equipa que vai defrontar para pretensamente ganhar vantagem também vieram à tona por parte dos nossos adversários.

O tema foi glosado pelo portista Miguel Sousa Tavares e objecto de condenação pelo suposto interesse dos encarnados em Steven Vitória que, ao contrário do que afirma o oficioso portista, as notícias na imprensa sobre esse alegado interesse não surgiram na semana do jogo mas muito antes quando começou a circular o suposto interesse dos ingleses do MU em Ezequiel Garay. Também logo, por coincidência, Vitória foi um dos grandes obtáculos à vitória encarnada. Mais um tiro furado nestas recorrentes manobras portistas que carimbam os outros com aquilo que eles próprios têm praticado até à exaustão, provando que essa sua pretensa exclusividade do mérito dentro das quatro linhas – como diria Jorge Jesus – é uma treta!

No Benfica, toda a sua estrutura e adeptos estão já habituados a este tipo de manobras que visam minar e enfraquecer a capacidade de reacção da equipa após resultados menos conseguidos. Quando se aproxima o tempo de todas as decisões e abrindo-se inesperadamente a janela dessa possibilidade, estranhar-se-ia que os nossos adversários não tentassem aproveitar o ensejo. Compete por isso à estrutura reagir de imediato, tendo em conta que se mantêm inalteráveis, os pressupostos que nos têm feito acreditar que poderemos vir a ter um época inteiramente conseguida. Para que isso possa acontecer e descontando os factores aleatórios, é preciso uma reacção consentânea com a real dimensão do clube. Até porque a equipa já demonstrou esta época suficientes atributos. Confiemos pois!




Bookmark and Share