Ponto Vermelho
Ao sabor das diabruras…
10 de Maio de 2013
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Quase uma semana decorreu depois da finalíssima no Pavilhão da Luz do Campeonato Nacional de Voleibol. Tal como aconteceu nas duas épocas anteriores em que sairam vencedores a Fonte Bastardo e o Sp. Espinho, o Benfica dominou amplamente a fase regular em que inclusivamente derrotou ambos os adversários, tendo depois baqueado na finalíssima. Como espectadores interessados e atentos de uma modalidade de pavilhão que quando jogada ao mais alto nível competitivo é de uma beleza rara, não deixamos passar este ensejo sem fazer um forte reparo à forma como é presentemente apurado o campeão.

Um campeonato, seja ele de que modalidade for, é por natureza uma prova de regularidade em que o objectivo é que o vencedor final seja aquele que apresentou maiores índices de regularidade nas dezenas de jogos que disputou ao longo de toda a época. No Voleibol, ao invés, o campeão é apurado através de uma finalíssima à maior de três disputada entre os dois primeiros classificados, bastando que qualquer uma das equipas tenha dois momentos menos conseguidos para que seja batida sem apelo nem agravo. Francamente não nos parece justo porque, do nosso ponto de vista, contraria frontalmente a lógica competitiva da prova.

São por demais conhecidas as fortes tradições e as conquistas que o Sp. Espinho tem na modalidade em que, entre outras vitórias, já conseguiu 18 campeonatos nacionais, sendo o campeão nacional em título que conquistou precisamente contra o Benfica. Este ano as duas equipas voltaram a encontrar-se com o mesmo desenho da época transacta, e havendo uma vitória para cada lado foi necessário recorrer a um 3º jogo disputado no passado sábado no Pavilhão nº 2 da Luz. Foi um encontro muito renhido próprio de duas grandes equipas, com o Benfica a adiantar-se no 1º set, a ceder nos dois seguintes e a recuperar no 4º set empatando o jogo. Tornou-se pois necessário disputar o set decisivo. E foi aqui que tudo se precipitou.

Depois de começar por liderar o marcador, o Benfica viu o Sp. Espinho reagir empatando a 13 e, no serviço seguinte os espinhenses conseguiram o ponto, mas de pronto o capitão do Benfica Hugo Gaspar protestou junto da mesa alegando ter havido erro na formação espinhense. Os árbitros (Hélio Ormonde e Vaz de Castro) aceitaram a argumentação do capitão encarnado, pelo que o ponto foi atribuído ao Benfica que assim passou a liderar o marcador. Este facto deu origem às primeiras reclamações por parte da equipa do Sp. Espinho em particular do seu capitão Miguel Maia que não aceitou de bom grado a decisão. Muito nervosismo no Pavilhão, quer nas equipas quer nas bancadas, atendendo a que a partida iria recomeçar e aos encarnados que detinham o serviço, faltava um escasso ponto para se sagrarem campeões nacionais.

Antes de ser efectuado o serviço e com a adrenalina a começar a atingir picos elevados, o capitão dos encarnados consultou a mesa sobre a correcção da formação e se poderia ser o jogador nº 3 (Raphael Margarido) a efectuar o serviço. A mesa terá dado o seu consentimento e assim aconteceu, com finalmente o nosso nº 10 Toiran a concretizar o ponto e acabar com a discussão fixando o resultado em 15-13. À luz dessa situação e como seria normal os jogadores encarnados e as bancadas deram largas à sua alegria pela recuperação do título que tinha fugido nas duas últimas épocas por uma unha negra.

Nessa altura o capitão espinhense Miguel Maia interpelou a mesa com o fundamento de que teria havido falta de rotação nos encarnados pelo que o ponto deveria ser atribuído ao Sp. Espinho. De forma totalmente inesperada a mesa deu o dito por não dito, e depois de ter dado prévia anuência ao Benfica sobre a correcção da formação, aceitava agora a argumentação dos espinhenses. De facto muito estranho este episódio que acabou por colocar em polvorosa o pavilhão que nessa altura comemorava efusivamente a vitória e que vinha colocar de forma ostensiva uma nuvem negra sobre a decisão do título.

Munidos da posição de volte-face da mesa e perante o espanto dos benfiquistas, o Sp. Espinho formalizou a reclamação para o Conselho de Disciplina que acabou por aceder parcialmente às suas pretensões (pretendiam a vitória), ordenando a repetição do jogo o que irá acontecer no próximo Domingo. O Sp. Espinho deixa no ar a possibilidade de jogar sob protesto e pelos vistos, caso seja derrotado, pondera recurso para o Conselho de Justiça uma vez que entende que o título dever-lhe-á ser atribuído por alegadamente não ter havido condições para que o jogo anterior tivesse prosseguido.

Apesar de nada nos mover contra o Sp. Espinho que tirou proveito da situação, é deveras estranho que a mesa tenha assumido duas posições diametralmente opostas num curto espaço de tempo, prejudicando a decisão de um título disputado entre duas grandes equipas. E mais estranho é que ao Conselho de Disciplina apenas tenha chegado a versão espinhense e omitida a do Benfica. Seja como for, nestes episódios a modalidade que deveria ser respeitada saiu desprestigiada. Mas todos sabemos como é estranho o desporto português sobretudo no binómio arbitragem-disciplina onde realmente tudo pode acontecer. Resta acrescentar que o Benfica entrará de novo para vencer um título que amplamente mereceu!




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