Ponto Vermelho
Ambiente diferente
11 de Maio de 2013
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Hoje poderá ser o dia de todas as decisões. Ou talvez não. Do lado do Benfica depois do tropeção de Segunda e ultrapassado o choque imediato, respira-se um ambiente de confiança nas possibilidades da equipa com base nos quilómetros percorridos e da excelente carreira que tem feito esta época. Sem razão para euforias, respeitando o adversário como aliás deverá acontecer com todos, com a necessária prudência mas também perfeitamente consciente de que existem boas chances de obter um resultado positivo embora o histórico não seja de molde a entusiasmar. Mas nunca há dois jogos iguais e as estatísticas não determinam resultados à priori.

Do lado do FC Porto apesar de saberem que apenas a vitória lhes interessa, vive-se um estado igualmente prudente contrariamente a todas as outras situações anteriores, existindo desta vez alguma apreensão porque afinal, tendo em conta todas as condicionantes que estão subjacentes a este jogo determinante, qualquer resultado poderá acontecer e não constituirá verdadeiramente uma surpresa. Vive-se um ambiente tenso onde se nota nervosismo nos bastidores o que é natural dada a importância que o jogo assume, pois do seu resultado poderá estar em causa toda uma época.

No que toca aos jogos florais que por norma costumam incendiar o ambiente aconteceram de facto com antecipação mas dentro da normalidade que habitualmente caracteriza as tensas relações entre os dois clubes, verificando-se maior acalmia mas sentindo-se que a tensão paira no ar. E se em jogos anteriores tem havido várias situações anómalas, este pela importância decisiva que assume será certamente objecto de todo o tipo de pressões e de episódios que já ontem se começaram a fazer sentir com a chegada da comitiva encarnada ao Hotel em Gaia protagonizados pela claque SuperDragões.

A ideia é clara de exercer vários tipos de pressão continuada sobre os jogadores de forma a tentar perturbá-los e desconcentrá-los. Mas estamos certos que os jogadores encarnados sabedores do que os espera por experiências análogas anteriores não irão no engodo. Amanhã num estádio repleto e vibrante com uma percentagem largamente maioritária a puxar pelos portistas, torna-se necessário que os jogadores do Benfica se abstraiam do ambiente e se focalizem nos seus objectivos que passam por obter um bom resultado no Dragão.

Um dos handicaps apontados aos encarnados é o cansaço causado pela acumulação de jogos decisivos consecutivos em mais um ciclo infernal. É um factor importante a ter em conta. Mas a motivação que deriva do facto de saberem que até poderão sair campeões do Dragão, irá certamente permitir-lhes que o cansaço seja ultrapassado pela força psíquica que, como sabemos, é um factor deveras determinante no rendimento dos jogadores. E esta época já por diversas vezes deram provas de superação mesmo quando lhes era apontado que estavam de rastos.

Tem sido recorrente por alguns paineleiros considerar que as equipas de Jorge Jesus sofrem quebras físicas acentuadas nas 2ªs metades das épocas. Também para a presente essas opiniões saltaram para cima da mesa mas na realidade o que aconteceu, foi que com maior ou menor dificuldade a equipa para a qual se previa uma hecatombe no início da época sobretudo a partir da saída repentina e simultânea de Javi Garcia e Axel Witsel, ao abrigo das invenções de Jorge Jesus tantas e tantas vezes vilipendiadas, soube dar uma resposta efectiva e eficaz surpreendendo os próprios críticos e adversários.

O caminho já percorrido até aqui demonstra o trabalho feito, sendo que neste momento todos os objectivos se mantêm em aberto e até mesmo superados. Bem sabemos que o primeiro sofreu repentinamente e quando menos se esperava uma inflexão mas, até pelo menos ao jogo de amanhã, é lícito considerar que se mantem bem vivo e com todas as possibilidades de ser alcançado. É evidente que com a final da Liga Europa em perspectiva, um jogo desta importância não vem na melhor altura. Mas de nada adianta tecer considerações sobre o que podia ter sido, dado que nada vem alterar agora a sequência dos jogos, atenuar as dificuldades ou resolver os problemas.

Existe a convicção na massa adepta benfiquista de que a equipa, mau grado todas as condicionantes, está preparada para enfrentar mais este desafio, não ignorando os escolhos que terá que enfrentar porque se trata de um jogo do tudo por tudo para os portistas que depois da resignação, apanharam a toalha do chão e viram de novo abrir-se a janela da oportunidade. Entrarão por isso no jogo com motivação extra, à qual o Benfica terá que responder na mesma moeda, afastando qualquer pensamento, por mais pequeno que seja, do jogo da próxima Quarta-Feira.

No meio de tudo isto uma sombra perpassa – a arbitragem – aparte possa vir até a ter um desempenho imaculado no que sinceramente não acreditamos. Pedro Proença não era a única alternativa porque neste momento há juízes de campo em melhor forma e com menos vícios. E não podemos esquecer o historial de prejuizos sempre em manifesto prejuízo dos encarnados. Apesar da prudência com que quer o Presidente quer o Treinador encarnados se referiam à sua nomeação que entendemos perfeitamente, pela nossa parte voltamos a repetir que consideramos a sua nomeação como insensata. Que os deuses o acompanhem...


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