Ponto Vermelho
Golpe duro.
12 de Maio de 2013
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Não sendo de todo esperado por existir forte convicção nas hostes benfiquistas derivada não só do estado de circunstâncias mas também de crença nas possibilidades, acabou por acontecer o pior cenário. Sem que à partida pudesse ser considerada uma situação descartável tendo em conta um adversário surpreendentemente galvanizado uma semana antes e que jogava em casa, ainda assim as coordenadas eram substancialmente diferentes de todos os clássicos anteriores em que o favoritismo pendia para o FC Porto. A situação estava, desta vez, muito mais equilibrada. Daí o optimismo.

No futebol como desporto de imprevistos, existe de forma natural a tendência para hipervalorizar os êxitos e fabricar desculpas para os insucessos. Sobretudo nas estruturas dos clubes que sentem a necessidade de se justificar perante os seus adeptos e simpatizantes. Mas sempre que o façam de uma forma séria e construtiva embora sujeitas a muitas condicionantes devido ao fortíssimo mediatismo que as acompanha (umas mais que as outras como é evidente), a sua mensagem acaba por chegar aos adeptos, a despeito da manipulação a que se devota a multidão de paineleiros que gravita por aí, e que diariamente têm que justificar a razão porque existem.

Dirão muitos que o resultado de ontem terá sido apenas uma situação expectável e que a vantagem pontual confortável de que o Benfica disfrutava começou a ser hipotecada após o Estoril que terá sido determinante. É uma maneira lógica de ver a questão mas que apenas tem a ver com o imediatismo. Os acontecimentos mais recentes são os que ficam sempre ou quase sempre na retina das pessoas. Os abundantes falhanços sobretudo nos primeiros vinte minutos do encontro e que amiúde não acontecem, esses sim foram sem dúvida fulcrais e decisivos como depois se constatou no final. Tivesse um, apenas um, sido concretizado, e o resultado teria sido diferente e não teria adquirido relevância.

Se levarmos em conta a imprevisibilidade do futebol, poderemos olhar para as situações com pragmatismo. Apesar da paixão de adeptos que conduzem a que nem sempre consigamos discernir de forma isenta as incidências inerentes a um jogo ou a um facto. Porque os jogadores reforçam dinâmicas individuais e colectivas passam a ser mais fortes e melhores com as vitórias, mas também experimentam a sensação contrária quando tudo se altera por uma falha do guarda-redes ou de uma transição falhada que resulta em golo adversário, de uma bola na trave ou no incrível falhanço do avançado com a baliza aberta. Tudo isso acontece aos outros, mas é bom não esquecer que também nos acontece a nós. E isso pode fazer alguma ou toda a diferença, como aliás se viu na 2ª Feira passada.

Mas será que nós adeptos, na hora da verdade, conseguimos ser assim tão racionais? De forma nenhuma. E qualquer flagrante oportunidade falhada ou qualquer golo sofrido de forma menos ortodoxa é por nós criticado e lamentado, sobretudo se deles vier a depender o resultado final. Outro factor que existe – a sorte – pode ser igualmente determinante. Sem que isso tenha sempre de colidir com o mérito. Mas se olharmos, por exemplo, para o jogo de ontem, constatamos que ela esteve presente, favoreceu o FC Porto nos momentos cruciais e ajudou e de que maneira a virar um resultado, em que uma pragmática equipa do Benfica controlou o jogo durante os noventa minutos e lutou até à exaustão para conseguir um resultado favorável.

Acabou por não o conseguir, mas será justo considerar de forma serena e ponderada que a despeito de tudo, os benfiquistas devem ter confirmado que na hora da verdade a equipa soube estar à altura das circunstâncias e apenas os detalhes que por vezes definem e resolvem este tipo de jogos influiram no resultado final. Quem viu as imagens televisivas, cedo se apercebeu que apesar de todo o aparato de pressão que tinha sido encenado, os adeptos, os elementos do banco e os dirigentes portistas na bancada tinham sido invadidos por um crescente nervosismo e desespero, bem patentes nos rostos que as imagens iam passando com impressionante realismo.

É evidente que o derradeiro minuto pesou no espírito dos benfiquistas e é o resultado que vai ficar na história, sublinhando-se que abre as portas do título ao FC Porto e leva os adeptos encarnados a nova analogia com a época passada. Mas é preciso notar que as circunstâncias são diferentes e não comparáveis. Hà um ano, como o próprio treinador reconheceu, a aposta não foi a mais consentânea com a realidade e, por outro lado, houve a recorrente mãozinha da arbitragem que afastou o Benfica do título em dois jogos consecutivos. Na presente os erros estratégicos anteriores foram corrigidos e, desta vez (uhau!), as arbitragens até à penúltima jornada estão equilibradas e, ainda ontem, contrariamente ao expectável, a situação de asneira mais flagrante foi desaproveitada pelo adversário. Tivesse resultado em golo e mais uma situação polémica estaria neste momento a ser assacada ao suspeito do costume.

Sem esquecer todos os episódios do passado recente que bem ou mal aconteceram e são imutáveis, urge pois equacionar o presente e o futuro. E o futuro imediato é já dia 15 em Amesterdão, 23 anos e 13 dias depois de ter sido conseguida a glória eterna. Sábado à noite constituiu um rude golpe para a equipa, para a estrutura e para os adeptos depois de tantos sucessos e sacrifícios ao longo da época. Mas, apesar de reconhecermos erros próprios, o mundo não pára e essa constatação deve obrigar-nos todos a olhar em frente. Reagindo rápida e eficazmente, única forma de enfrentar com sucesso o presente e o futuro imediato. Não temos dúvidas que, todos juntos, iremos conseguir!




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