Ponto Vermelho
Pronta reacção precisa-se!
13 de Maio de 2013
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A imagem de Jorge Jesus no Dragão de joelhos, no penúltimo minuto dos descontos reflectiu a dureza de uma derrota cruel que acabou por ser muito mais do isso. Lado a lado com Vítor Pereira que emocionado chorava, simbolizou os dois lados das emoções que o futebol enquanto desporto-rei consegue fielmente transmitir. Num minuto tudo é emoção e incerteza e, no outro, tudo se transforma em desespero e impotência. Deixando de lado por breves instantes as opções clubísticas, poder-se-ia afirmar que aquele momento foi dos mais épicos e contrastantes que alguma vez o futebol teve em Portugal. Com tristeza subjacente para todos nós benfiquistas.

Mas a imagem do actual treinador do Benfica de joelhos é tudo menos inédita. Ainda que em circunstâncias e estados de espírito muito diferentes, essa atitude era frequente quando treinou outros clubes e nomeadamente o Belenenses, pois sabe-se como Jorge Jesus é gestualmente expansivo e tem uma forma peculiar de sentir cada jogo que contrasta com a de muitos outros treinadores que, por vezes, se reprimem até ao limite para darem a imagem pública de fairplay e de desportivamente correctos. São opções individuais que obviamente nos ultrapassam.

Na análise a que se devotaram os inevitáveis articulistas e paineleiros (o rambório irá prosseguir toda a semana, inexoravelmente), o tema foi como é óbvio glosado, sendo as interpretações diversas. Próprio de uma diversidade de pensamentos e opiniões muito diferentes, mas também de interesses antagónicos que sempre se manifestam nestas ocasiões. Como desde que demandou o Benfica tem criado e cultivado alguns inimigos de estimação, a sua exposição mediática de fraqueza serviu de forte lenitivo para alimentar a satisfação de o ver de joelhos na hora da derrota. E se apesar de tudo houve alguma moderação, tal deve-se ao facto dos encarnados terem de disputar a Final da Liga Europa já na 4ª Feira, e isso aconselhar restrições ou o silêncio ou, ainda, a adopção do politicamente correcto.

Nada do que está a acontecer deve surpreender-nos. Porque a clubite exacerbada tolda espíritos e provoca reacções contrárias mas, felizmente desta vez, o foco não incidiu sobre a arbitragem que continuamos a defender que foi uma opção demasiado arriscada por parte do Presidente do Conselho de Arbitragem, porque o risco existiu, esteve prestes a confirmar-se, com uma situação idêntica às ocorridas noutros jogos anteriores com penalização do Benfica. Valeu para o árbitro a sorte de James Rodriguez não ter concretizado uma oportunidade flagrante concedida por um fora-de-jogo facilmente visível a olho nu para que o jogo e o pós-jogo não tivessem descambado para as habituais cenas de forte crítica e contestação, com o direito inalienável dos benfiquistas à indignação.

Era grande a expectativa para ouvir a forma como Jesus iria reagir à derrota tendo em conta as circunstâncias em que tal aconteceu. Publicamente referiu uma evidência – a derrota ia deixar marcas –. Assumiu-a de motu proprio mas caso não o tivesse feito, ser-lhe-ia perguntado. Logo alguns interpretaram como tendo sido um erro estratégico porquanto naquele local e naquela hora, importava que o treinador do Benfica reagisse positivamente e com confiança, dado que tem uma final europeia para disputar a meio desta semana. Não pensamos assim. Era por demais evidente em todos os rostos dos jogadores, da estrutura benfiquista e dos seus fiéis adeptos o sentir da derrota, sobretudo no momento em que aconteceu. Era impossível esconder.

Assim sendo, era esse o sentimento que deveria ser expressado publicamente naquele momento, sem prejuízo do que momentos antes tinha acontecido no recôndito do balneário, com o treinador e o presidente a transmitirem palavras de incentivo e de confiança aos jogadores. Aliás, Jorge Jesus ainda deve ter bem presente na sua memória o que sucedeu na pretérita temporada no fim do jogo de Alvalade… Quem está disposto a aproveitar todos os momentos para criticar, qualquer subterfúgio é bom. Preso por ter cão e preso por não ter… Esta situação faz-nos lembrar um saudoso amigo nosso, fanático benfiquista, que descobria sempre um pretexto para beber; se o Benfica ganhasse bebia para comemorar, mas se perdesse bebia para esquecer…

O próximo e importante compromisso do Benfica é já agora… Não sendo um jogo qualquer contra um adversário qualquer, urge rebobinar e focalizar-se no objectivo. O jogo com o FC Porto é já passado, e sem que devam ser esquecidas as incidências e a lição que o mesmo encerrou, nada trás de positivo nesta altura da época em que a maratona de jogos produziu um enorme desgaste físico e psicológico. Estando estas duas componentes directamente relacionadas, parece ser consensual que a parte anímica funciona como barómetro das capacidades físicas reactivas. Logo, para que possa concentrar-se em exclusivo na próxima final, torna-se necessário ligar a ficha do futuro imediato que esse sim, ainda não aconteceu. Ao fazê-lo, os níveis psicológicos serão de imediato restabelecidos e a resposta física far-se-á sentir. Como aliás aconteceu no Sábado à noite.






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