Ponto Vermelho
Não há remédio…
14 de Maio de 2013
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Mesmo quando a vitória lhes sorri (desta vez sem a ajuda do árbitro… por muito pouco!), os portistas não conseguem dissociar-se daquilo que já é a sua imagem de marca: a do complexo de inferioridade que décadas passadas sob o mesmo regime têm transmitido à opinião pública. Outrora disfarçado de fina ironia mas que tem vindo a perder gás a toda a velocidade, o desfilar de baboquices e o destilar de ódio pelo Benfica e a tudo o que lhe está associado, assume particular relevância nas alturas mais tensas em que é preciso arranjar motivação para que possam ver concretizados os seus objectivos.

Na mente dos portistas era expectável que o jogo de Sábado à noite, no auge da motivação, viesse a demonstrar uma superioridade inequívoca suportada por resultados anteriores. Não era descabido pensar que pela mente de muitos terá perpassado a ideia de que, correndo tudo bem, até poderia acontecer a goleada. Alguns directamente e outros por interpostas pessoas fizeram questão de sublinhar que o jogo para além de tudo o mais, serviria para contrariar a tese repetida na imprensa de que o Benfica, ao longo do campeonato, era a equipa que tinha praticado o melhor futebol. Era pois, uma questão de orgulho e uma espécie de tira-teimas.

Mas nos dias e horas que antecederam o encontro notou-se algum alarme para as bandas do Dragão a nível da estrutura que adoptou uma estratégia de wait and see, mal disfarçando a ansiedade e o nervosismo de virem eventualmente a ter que aceitar a possibilidade de verem o Benfica comemorar o título de campeão em sua própria casa. O que constituiria a suprema humilhação. Apesar dos encarnados demonstrarem um desgaste inevitável e após o deslize com o Estoril lhe terem concedido uma injecção de forte motivação e estar entalado entre duas finais, lá recuperaram a toalha que já tinha sido deitada ao chão pelo seu treinador.

Quem, por acaso, não situasse as imagens que foram desfilando pelo écran televisivo de membros da estrutura, equipa técnica e do omnipresente e polivalente médico portista até ao minuto 92 num jogo de futebol, seria levado a concluir de imediato que os protagonistas fora do campo trajados de azul e branco atravessavam um profundíssima crise existencial com as unhas (ou o que ainda restava delas) a serem devoradas à velocidade da luz. Mas depois também concluiria como a sorte e o azar por vezes conseguem ser motivadores e cruéis, ao ponto de transformarem radicalmente semblantes e atitudes em fracções de segundo. Foi sofrer a bom sofrer!

Evidentemente que os portistas, salvo raríssimas excepções, têm leituras públicas muito particulares e que raramente estão em consonância com a verdade rigorosa dos factos. Quem debita nacos de prosa manipulando sempre o sentido na direcção que se lhe afigura mais favorável, sendo compreensível no abstracto, é repugnante no concreto por clara adulteração dos factos em presença. É quase sempre assim, e é por isso que para o FC Porto é sempre muito difícil aceitar as suas próprias vitórias sem cair na tentação de amesquinhar o adversário sobretudo se for o Benfica. É por essas e por outras que o slogan: A manipular desde 1982… faz todo o sentido. É por isso que o FC Porto é diferente, e é por isso que os portistas têm o que os outros não têm…

Apesar da situação que coloca o FC Porto na rota do título (a despeito de ir disputar uma final contra o 3º classificado, ”num campo que não tem condições nem dimensões adequadas para tal” como referiu preocupado o portista Miguel Sousa Tavares (tendo razão de princípio, perde-a por só agora o referir por ser o último obstáculo para o seu FC Porto ser campeão), não é ainda o timing ideal para se fazerem balanços sobre o campeonato e agitar a discussão sobre quem o ganhou e quem o perdeu. E esperamos, sinceramente, não voltar a falar de arbitragens na última jornada…

Neste momento para os benfiquistas a discussão deve centrar-se a outro nível – A Liga Europa – cuja final é já amanhã. Estas tiradas com que os portistas insistem em mimosear-nos devem esbarrar na nossa intransigência em desfocar-nos do mais importante – o jogo com Chelsea. Isso é que é agora verdadeiramente crucial e decisivo pois determina a possibilidade de voltarmos a fazer história na mesma cidade 51 anos e 13 dias depois, apesar das várias tentativas em reeditar um êxito que deixou orgulhosos todos os benfiquistas e a quase totalidade dos portugueses. Se voltarmos a ter sucesso amanhã, desta vez haverá certamente alguns portugueses com azia…

P.S.- E se ganharmos, nada de referir que isso é óptimo para o PIB português. É que alguém pode ficar ofendido...






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